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Das estrelas no céu

Por mais estrelas que ponha no teu céu, estou protegida pelo manto da invisibilidade e mal me sentes quando estou encostada a ti ainda que tão à distância. 
Com as defesas erguidas com medo de que um passo em falso te faça afastar ainda mais, mas vulnerável pela força com que me invades. 
Duras penas as minhas por ter-te em mim com esse lacre que me faz rir quando me dilacera o interior a triste saudade. 
Arrancas-me o chão com sabedoria. Queimas-me a alma com o sal que trazes nas gargalhadas, no modo como gesticulas e na voz quente. 
Testo as minhas forças na arte do disfarce. É desatino que me empurra para longe quando quero estar perto. Tão perto de ti.

Sunday rain

Sunday rain, wash away the darkest thoughts, bring a restart, cleanse all lost smiles, soaken the bones, make me feel alive. Not just a mere witness.  Cold morning, violent waterdrops fueling soul escapes.

Dos pontos fracos

Os nossos pontos fracos estão nos afectos. Quanto mais próximos estamos de abraçar alguém com a imensidão que nos sustenta, mais duro é o desconforto de não fechar os braços e apenas assim ficar tudo bem. Maior a impotência, avassaladora a frustração por não conseguir ser o super-herói que traz sob a capa as artes calmas da partilha de carinho. 

É um querer que precisa de resposta e isso despedaça-nos o interior. O tempo passa, este descompasso prolonga-se, corrói e nada muda. A vulnerabilidade, por mais bela que seja, é uma agrura. Pode ser letal.

Let's pretend

Let's pretend i am not a wounded animal, trusting only its own loneliness and instinct. Let's pretend that watching others being so non-committed and acting as rulers of selfishness, I have not become so dettached and incapable to believe. Let's pretend I did not made of myself a wall of thick cinism and cold cut off. 
Let's pretend you crave for risking it all just to see me laugh. And mess my hair. Let's pretend you miss me. And make an effort to pave your way into this rough hill of two strangers just enjoying the ride. Let's pretend we could find eachother again in another life and we actually had a chance to allow ourselves to collide with a bang, with unstoppable discovery, lust and smooth comfort.

Faltas tu

Poderia querer-te. 

Abandonar-me a uma longa espera para que me desvendasses. E percebesses que esta ânsia por mais se aplaca ante a tua presença. Que sou alimentada por uma energia inesgotável entrelaçada com insatisfação impaciente. Que se revigora quando me entrego à paixão que me despertas, que esgoto em beijos, gargalhadas e conversas; que entrego para viver-te com a mesma intensidade, desejando que te tranquilizes em total confiança. Que vivo com sede de curiosidade. 


Mas quero ser um refugio longe das luzes, do ruido, da hostilidade; quero ser para ti tanto, dar-te uma imensidão de possibilidades de paz. E batalhas caídas na almofada com fervor. 


Poderia desejar-te, poderia dar-te um caminho, sinuoso mas que se faz bem. Porém, faltas tu. Jogo de soma nula.

Da maldição

Acordaste de modo pacifico enquanto o Sol se aventurava pelas frestas da janela mal fechada, soltaste um braço da lisura do lençol de linho e esfregaste, ao de leve, os olhos tentando trazer à tona as recordações mais recentes do que foi feito antes de teres despertado. O vazio bailava no quente dos teus olhos negros... não te lembravas de nada, estavas perdido como era teu costume pelo amanhecer. Bocejaste baixinho e aninhaste-te mais um pouco.

Observei os teus movimentos pela nesga de espelho que conseguia vislumbrar da cómoda e deixei-me estar quieta, com medo que desses por mim, que te espantasse. Quase não respirava só para que a minha presença não fosse descoberta, estando ali mesmo ao teu lado, colada a ti pela imobilidade dos dois corpos, no silêncio do quarto interrompido pelo temor acelerado do meu ritmo cardíaco.
“Bom-dia”, disseste em tom calmo adivinhando os meus receios. Suspirei, mas custou devolver-te a resposta. Que tonta, é fácil de dizê-lo agora, mas naqueles segundos…

Do que não existiu

De um momento que nem se perdeu nem se ganhou.  Nem sequer existiu.

Do querer estar

Vamos de fim semana, sem destino, só tu e eu, e este sol do qual nos protegemos numa cama de lençóis brancos, ou nos atira para as ondas revoltas da nossa intensidade? 
Querer é arriscar numa viagem sem prazos nem paragens obrigatórias. 
Querer é estar, abraçar e sentir que por muitos quilómetros se faça, está-se em casa

Das tatuagens

via @antesnuaquesua

Tenho orgulho nas minhas tatuagens. E respeito pelas feridas que permiti que me desferissem e que me irão acompanhar como permanente sinal de alerta. 
Não esquecer, difícil de perdoar. Resolvida nas minhas opiniões, afirmação de autenticidade no meio do marasmo desinteressante mas adequado. Capaz de pensar, de ser, de viver, em desassossego mas com paz de espirito. 
Ter pessoas que me preenchem, me exasperam, me fazem rir, sem julgar e com colo pronto quando o chão é a unica zona de conforto. Ter uma gargalhada incómoda e ser-me indiferente. Apaixonar-me todos dias, por pessoas, momentos, livros, musicas, coisas, com intensidade e silencio. 
Ter convicções, lutar por elas. Caminhar em frente, com receios, mas sem duvidas, sem hesitar e de instinto apurado.

Dos céus

E no céu escreve-se o que não me disseste. Nesta profundidade quedam-se os silêncios de quem não acredita que se pode querer assim, simples, sintonia sem dor nem exigência, pelo puro prazer do outro tal como é, em encontro com as nossas próprias imperfeições. Afecto genuíno e natural, tão fácil mas tão incompreensível para quem prefere seguir na escassez. 
E o seu céu nunca se ilumina assim. O meu, por oposição, está cheio de ocasos intensos, vibrantes e palavras que voam alto.

Dos falhanços

Passas-me a mão pelas costas e sei que estás de partida. Deixas cair os dedos de modo meigo pelo meu cabelo e sei que não voltarás. Passas os lábios pelo pescoço sob murmúrios e já sei que é derradeiro. 
Nunca estiveste, de facto, e por muito que me apertes contra ti com tanto fulgor sei que nada foi suficiente. E nada te fez ficar encostado a mim. 
O meu abraço não foi nunca tão grande que te fizesse sentir em casa. Falha minha nesta incapacidade de ser espaço para dois.

Do desencaixe

Andar à deriva. Ou em sentido contrário, sempre. Não entender o ritmo dos demais, na ausência de compasso. Ser a peça que não pertence ao puzzle. Viver sob um céu que tem sempre outras tonalidades de azul. 
Abençoada solidão de não pertencer. Este perfeito desencaixe de ser eu.

Da revelação

Primeiro, é a voz. Que deixa cicatrizes. Esse natural tom que faz a pele estremecer sem que um dedo sequer tenha pousado nas costas arqueadas de antecipação ou no rosto pedinte de um toque. 
Depois, o cheiro. Um aroma de terra, de quem contempla o céu desde o mar. Quem ama praia e tem sal no espírito. 
E um sorriso que rasga sem vergonha, sem medos, com vontade, o caminho até aos olhos dela, genuíno de charme e calor, apetecível de desejo, único de criancice pura. 
As mãos em constante rodopiar, a aterrar nela, trazendo-a para próximo, mesmo quando a viagem é longa, com carinho, cumplicidade e protecção como se ela fosse especial. 
Mas no beijo, pousado no ombro, deixado cair com volúpia nos lábios, revela-se tudo. Sem segredos. Sem pudores. Aqui, agora. Já. Intenso. Como adolescentes felizes que fizeram gazeta à escola. Como adultos que trazem suave sabor de vinho tinto nos lábios. Intoxicados.

No regrets

Always (always) walk alone. 
Follow your instincts. 
Trust no-one. 
Show no tears.
No regreats.
Never skip a beat.

Salema

Arrisca-te.  Diz não, porque sim.  Ri-te, com saudável intenção.  Ignora.  Aproveita, com intensidade.  Vira as costas. Abraça sem pudor.  Desafia-te.  Puxa o tapete.  Protege-te.  Deixa sol escaldar a pele enquanto mergulhas.  Prefere tinto, sempre.  Dança, sem parar.  Queda-te em silêncio. Mas não te cales.  Exige.  Dá. Dá-te.  Agradece. Não expliques.  Não esqueças.  Não mostres as lágrimas. Mas emociona-te com tudo o que te faça pulsar

Da ida sem regresso

Tudo o que ela queria era um bilhete de ida sem regresso. Aplacar a urgência com um outro percurso. 
Alimentar a sofreguidão com novas paisagens. Ter em si todas as possibilidades perante o desconhecido. 
. Mover-se. Abandonar-se ao que pode ser. E fechar o que foi. Ir, sem volta.

Das asas

Ela tem asas.  A força dos seus pensamentos divagam com desordem, desejo e inspiração e impelem-na a um mundo alternativo só seu.  Ela não tem grilhetas, há soltura nos movimentos, palavras e olhares, em busca incessante por algo mais. Nela não cabe a banalidade, um dia igual ao outro, a cadência das rotinas esmaga-lhe o raciocínio e o sorriso.  Ela é o oposto de si mesma, como se lhe mudassem as estações do ano durante o dia, entre o sol abrasador da vontade e o negro invernoso carregado da frustração.  Ela tem asas e voa, cada vez mais, para longe.

Fatalidade da terra de ninguèm

Ela não gosta de sombras. É de sol, de luz, mesmo que acolha em si um lado negro.  Recusa perante um "talvez", pois dá o sim tão naturalmente como dá o não, sem receios nem complexos.  Não concebe a indecisão, o flutuar vazio do nem vai nem fica.  Tem dúvidas, inquietações, porém o limbo da terra de ninguém é-lhe fatal.  Não concebe viver atemorizada com fraquezas, e é a continuada força a sua maior vulnerabilidade.

Do acreditar

Ela não acreditava em almas gêmeas, poções mágicas ou na cor rosa. 
Acreditava na intuição, instinto, nas feridas suturadas pelo passar dos dias. 
Acreditava na aridez, a dureza do tempo que se havia fechado em si, na beleza crua de olhares imperturbáveis e palavras implacáveis. 
Não acreditava em regressos. Quem parte, não voltará para o seu providencial regaço. 
Acreditava em construir, refazer-se, renascer se necessário, com nova pele, mais impermeável. Menos submissa ao toque.

Da arte de viver

Não crescer é um truque de insanidade saudável. 
Manter o olhar traquina, o espirito irrequieto, o pensamento matreiro. 
Um sorriso despudorado. Uma curiosidade sem fim. 
Aguentar as intempéries com a determinação de que, mal ou bem, as coisas resolvem-se, com maior ou menor tormenta e feridas que pulsam, em carne viva no interior de nós, invisíveis aos demais. 
Estar sempre em apuros é uma arte de viver.