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Do Como é

É como um mergulho que nos sai bem e quando vimos a superfície ficamos a boiar, dolentes, com o sol a queimar o rosto que pica do sal, a mente em pause-still. Solidão e mar. Êxtase. 
É como um livro que começamos a folhear de mansinho com curiosidade e já não conseguimos largar, torna-se compulsivo virar mais uma e outra página, as palavras bailam sob os nossos olhos sôfregos. Puro deleite perder-mo-nos. 
É como deitar numa cama feita de fresco, lençóis alvos e macios, a reclamarem a queda do corpo cansado das guerrilhas diárias, o abandonar-se aquele aconchego e o suave baixar da guarda. 
É como uma noite de pura exaustão a dançar ao ritmo das músicas que fazem o coração acelerar, em ritmo de total liberdade, cabelo em desalinho, suor a escorrer pela espinha e explosão de energia, descarga de raiva. 
É como gritar pelo Benfica no meio da multidão que enche de encarnado o estádio, em dor e alegria que arrepia. 
É como o por de sol num dia de primavera sob Lisboa que se agita com o frenesim…

Do inconfessável

Agita-me. Suaviza-me. Questiona-me. Perturba-me. Envolve-me. Desassossega-me. Protege-me. Abraça-me. Sorri-me. Arrisca-me. Acerca-te.

Do valer a pena

Contas 1001 histórias, encantadas ou reais, com paixão avassaladora de quem não consegue viver sem essa adrenalina. 
Entusiasmas-te e suspiras suave junto dos meus cabelos, fazendo-me recuar com arrepios por recear essa proximidade. Medo que me contagies com essa desmedida exaltação, que me faças acreditar que algumas coisas são uma possibilidade. Que não há fossos que não possamos saltar. Que é genuíno o teu querer. E que vale a pena.

Da pressa

Abre mais uma garrafa. Deixa o vento fresco desta noite morna acalmar a pressa que nos corre nos olhos.  Deixa o vinho repousar enquanto acendemos um cigarro e estico as pernas sentada no chão, com a lua como testemunha silenciosa e conivente.  Deixa a música deslizar em tom de pecado pela nossa pele como se fossem pontas de dedos a acariciar em semi círculos o pescoço, as omoplatas, a nuca, uma madeixa de cabelo rebelde que verbaliza desejo.  Deixa o demais silêncio tomar conta de nós e ditar o ritmo. Doce antecipação, suave tortura, força e vulnerabilidade, confortável desarrumação que nos varre em total arrepio.

Da chuva

Madrugada profunda. Chuva incessante com aquele som que desassossega. E as pernas que fraquejam na subida das escadas, a pressa em encontrar as chaves para fugir para o refúgio da casa vazia. 

O corpo que estremece, quente ainda que absorto pela chuva que chega aos ossos. As mãos que despem um vestido, caras molhadas, cabelos que pingam e beijos sôfregos. Perdidos pela pressa, pela energia, pelo sucumbir iminente. 

Era o preludio de uma noite em branco, esmagado pela chuvada sem parar.

Dos rabiscos

Tinha saudades tuas, escreveu-lhe num envelope ainda por abrir, de uma qualquer conta que insistem que paguemos. A pressa de a ter fê-lo agarrar-se às palavras no primeiro espaço branco que encontrou. 
Tudo o resto que lhe queria dizer, não conseguia, quebrava-se-lhe a coragem. Ela era tão forte, tão resistente a mostrar-se, tão difícil de ler, imprevisível nos sorrisos e nos silêncios, segura no desejo, que admitir as suas saudades era o limite até onde chegava a sua bravura. Ela leu o envelope, deu-lhe a mão e sem dizer nada deixou-se abraçar noite dentro por ele.