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Mensagens

Do que nada mudou

E agora? 
Nada muda, na verdade. A terra tremeu apenas por momentos e só nós sentimos. Eu, na pele, saboreada entre alucinação e crueza. Tu, com a intensidade de quem se propõe a ignorar logo de seguida. 
Mas o mundo seguiu no seu curso normal. Nenhuma erupção parou a vida tal como ela é. Não salvámos vidas. Nem as nossas. 
A minha permanece neste exaltado desalinho de tudo ou nada, agora e já ou nunca, nesta impaciência de quem não tem espaço para mais dores nem desejo por desalento. A tua na calma hesitação de quem tem o mundo na ponta dos dedos, como se música fora que saísse do teu recatado turbilhão emocional. 
Não descobrimos novos caminhos. O meu continua em passo acelerado para algures onde finalmente repouse este ardor e explosão de fazer, a pedir de ser domado. O teu queda-se na distante solidão segura, desconcertante, madura. 
Segue tudo como é, como já foi, como será. Impassível. Com o suave sabor de um acaso

Do sentir-te saudades

Aninhada em insónias vívidas, sinto-te saudades. Do nada, da semi-escuridão para onde te atirei, da voz acelerada quando falavas a nervos sobre os insignificantes do dia a dia mas que eram uma ponte que abanava entre nós. Partilha, vontade de partilha, medo da partilha, e ausência. 
Sinto-te saudades dos silêncios reflexivos, como se eu não existisse, quebrados por banalidades que de repente eram tão importantes. 
Sinto-te saudades entregue no meu colo, com receio meu de te acordar à mais suave das carícias e controlando a força dos meus impulsos para te proteger das agruras, do cansaço; da incapacidade de sentires que há um mundo de afectos, consistentes e a diário mais fortes, que te ampara. 
Sinto-te saudades, algo tão intensocomo maduro, assustador e seguro.

Dos amores que não cessam

Quanto tempo dura um amor?
Instantes são suficientes para aqueles que se apaixonam todos os dias no metro. O tempo de uma viagem que enche o peito de ânimo e bem estar e cessa a memória em horas sem dor ou mágoa.
Podem ser semanas nos amores de verão, carregados de sol, beijos apressados, à sucapa, noites longas de copo na mão e areia na roupa madrugada dentro.
Ou serão anos, quando somos adultos e achamos que ser adulto é ter um amor à espera em casa, que nos acompanhe o de vamos, que nos dê a mão nos embates, nos aceite com tolerância e estima até ao dia que a rotina, o desgaste, os Eu se diferenciam e alguém percebe que esse amor se esgotou.
Pode ser metade de uma vida? Sem reciprocidade, sem materialização, sem proximidade? Podem ser tantos anos desde quando tudo começou? E qual castigo - um fica aprisionado a esta sina de ter o outro colado a si? 
Venham outros amores, venham outros amantes, venham dores, venham alegrias, e ser mesmo assim aquela a fractura exposta mais íntima que pod…

Porque te quero

via @boudoir photography

Quero-te. Com tanto desejo quanto aquele que é possível carregar numa mão cheia de saudade. 
Quero-te. Com um sem fim de tremor que me percorre  como um todo-terreno pelo corpo e finda nas coxas que te pedem com urgência. 
Quero-te. Com a imensidão de quem não te prende com pernas em torno das tuas ancas para que estejamos em sintonia como sempre antes havíamos estado.
Quero-te. Com a sofreguidão de beijos que espalham paixão, tesão, carinho, intimidade. 
Quero-te. Porque ando às voltas na cama, desperta, quente, sedenta, possuída por insonias pela tua ausência.
Porque te quero. Porque me venho de amor com  com o teu toque.

Das lutas

A duvida, dilacera. O talvez, exaspera. O desconhecimento, esfaqueia. O vazio do futuro, um ingrato passeio do dia a dia. 
Aceitamos que isso custa, baixamos os braços e resignamos ao imaginário conforto do pendulo do tempo. Ou lutamos, fazemos frente ao bloqueio do convencional e acreditamos que o que bate no peito sabe sabe para onde vai. Que há uma razão de ser que sustenta a insatisfação e a inquietação pois o melhor está pra' vir.

Da cicatriz devassa

O oráculo concluiu que cicatrizo rápido, que recupero célere das mazelas, com capacidade de regeneração qual heroína de filme. Reconstruo a máquina como se não houvera sofrido danos e sigo em frente, levando por arrasto o que haja no caminho.
Essa disponibilidade da derme, do corpo, da alma, em sarar será a razão pela qual sempre que te vejo, acedo. Sempre que te acercas e derrapas os dedos ao de leve pela nuca e pela espinha, atiro o pescoço para trás, fecho os olhos e deixo, sem duvidas, que me dispas. A roupa e a força.
E começa o jogo. A dança. A batalha. A estratégia. A nudez completa versus o ritmo lento. A intimidade total revelada sob os teus lábios, o não querer dizimado pelas minhas pernas que te prendem a mim e nos embalam sem palavras. Sem amor. Olhos nos olhos, pacto de luxúria e suor, costas arranhadas, ombros mordidos para calar quando estão a vir os gemidos.

O tempo passa contigo em mim. Sem cerimónias, ambos vitoriosos pelo que damos e pelo que recebemos. Tanto, êxtase f…

Dos dias sem fim

Dias sem fim à espera que viesses. Que desses um sinal. Que vivesses à altura, sem escapes. Que nada receasses. 
Que te deixasses libertar sem frases feitas, calculadas. Que me olhasses directamente nos olhos, os vincasses com destrutibilidade e soubesses exactamente o que neles procurar, com a curiosidade de criança de descobrir (sempre) algo diferente. Ser arrojado em pleno, não apenas em planos grandiosos, mas encarares as minhas olheiras de sexo, ansiedade e desconfiança e quereres mais.
Sempre em fuga, qual herói de BD, com timidez desarmante, cortas com facas afiadas que são as tuas palavras, o silêncio que nos inquieta por ser demasiado confortável, íntimo, como se a segurança fosse um desconhecido risco movediço, insuportável a quem está habituado ao arame. 
E a solidão é mais que um desígnio, é o que nos une.
Posso-te combater, como tudo que enfrento? Posso-te roubar paz ou dizer-te que te dou sossego pois isso me suaviza as cicatrizes? Desafiar a lei da lógica num caos imenso qu…