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Mensagens

Da guerrilha

Ninguém apostava em nós. Somos o cavalo perdedor com boa pinta mas com todo potencial de desastre.
Até nós não estávamos cientes da onda que nos ia assolar. Nem tínhamos muita noção que existíamos um para o outro. Convivíamos, inquietávamo-nos, desafiávamo-nos, provocávamos guerrilha entre dois cérebros rápidos e respostas matreiras. Somos da mesma massa, saborosa, mas difícil de moldar a qualquer recipiente. Questionámos toda a doutrina de que os opostos atraem-se e geram o equilíbrio. Um erro. O balanço que esse quadro afina vai esconder os desejos mais arrivistas, ou mais tranquilos, de pessoas cujo ritmo se torna a cada dia mais distante. Alguma chama se extingue pelas circunstâncias. Alguém morre enredado na rotina.
Somos ambos indomáveis e soltos, espontâneos e prontos a ir. Não interessa onde. A experimentar. Algo novo. A ter curiosidade sobre tudo desde o mais banal e pouco perceptível ao mais grandioso e óbvio. A olhar com profundidade quase letal os outros e não ter misericórd…

Das razões

Quero-te pela desarrumação incompreensível que somos. Quero-te pela forma como me procuras à noite na cama, ainda a dormir, de modo instintivo, apenas para te recostares do mundo e amaciares no meu calor. Quero-te (tanto) quando sais do mar, feliz e salgado, qual criança livre agarrado à prancha como se fosse o teu bem mais precioso, a tua melhor amiga, a porta para o teu refúgio. Quero-te pelos beijos inesperados, lentos, que invadem qual descarga eléctrica, e afirmam sem hesitações desejo e amor. Quero-te pela forma como te afundas num livro e tudo à volta entra em pause-still e, mesmo assim, de repente tocas-me no joelho, no cabelo, dás-me a mão. Quero-te porque sei que acreditas em mim e não me questionas, crês que posso mudar o mundo. Quero-te pela tesão, confiança, cumplicidade e pelas saudades que temos, ainda, sempre, um do outro. Quero-te por te rires quando começo a cantar músicas que gosto e ouço a tocar, esteja onde esteja. Quero-te por dançarmos na rua se preciso entre ga…

I shine

Kiss me before you break my heart. There is still room to be damaged for every breath I take on myself and for myself. I regain confidence on me on every touch of you, even those that will be lost. 
The shivers running down on my spine awaken me and allow me to make you feel stronger, bolder, in love with life. 
I expand my senses while you will torn my world apart. We are under the same sky but I am meant to be a trail of light rather than a guiding star. 
I will burn your soul and you will break my heart. Yet I shine. So, kiss me and let's pretend.

Do despeito

De repente, de forma violenta e árida e dolorosa, senti a tua falta.
Terá sido a música que tocou inusitadamente no jantar e que me lembrou noites de chuva no teu corpo ávido por ser possuído? Terá sido a piada que a rapariga desconhecida contou à mesa e que me recordou o teu sentido de humor acutilante e directo ao osso? Terá sido o perfume que alguém deixou no ar quando passou na sala e me levou aos momentos em que encostado a ti aspirava o teu cheiro cruzado com os aromas que escondias por ti, ansiando beijos?
Despertei de modo abrupto para a tua ausência. Naquele instante queria-te ali, ver-te passar com sorriso irónico e saber-te minha. Ter noção que estavas atenta a mim por muito que parecesses focada em tantas outras coisas. Passares a mão descontraidamente pela minha com promessas de desejo mal contido, de luxúria a dançar atrevida nos olhos, de conversar até raiar do sol contigo encostada a mim.
E, não, não estavas ali. Nem estarás quando chegar a casa, para me abraçares sem per…

Da nova casa

As paredes estavam brancas e toda casa cheirava a tinta fresca. Já não havia restos dos aromas das suas velas constantemente acesas nem dos móveis estilo retro cheios de livros e revistas. O apartamento estava totalmente vazio. Não restava nada do que fora naqueles últimos anos, o último reduto do seu mundo. Ali ficavam no chão de tábuas de madeira todas as incertezas, angústias, caminhadas solitárias, gargalhadas, noitadas de copos, conversas.
Nunca tinha pensado que voltaria a mudar. Era mais um processo de abandonar. Quase não levava nada consigo. Fechava um ciclo, vendeu o mobiliário, não tinha nada mais para colocar lá, despojou-se de roupas que estavam demasiado apertadas para os saltos que iria dar dali em diante, dos quais tinha saudades por antecipação.
Resumiu a sua vida ao mínimo pois estava cheia de futuro. As ruas estavam barulhentas e movimentadas ao mesmo ritmo que a sua mente por oposição à sua calma. Aguardara tanto tempo por um dia assim mas vivia-o com total entrega e…

Das escapadas descomplexadas

Às vezes precisamos de fugir. 
De pegar no que nos atormenta, atirar para o cesto da roupa suja, pegar num saco e correr leve, vazio de expectativas e cantos seguros, em direcção a outro lado do mundo. 
Buscar isolamento no meio de tantos, silencio por entre gargalhadas mas um silêncio nosso, no qual tudo o que nos retira o ar é abafado.

Escapar sem complexos, libertar a carga, descansar os ombros do peso e, literalmente, não fazer nada para além de sentir que nos querem, que encaixamos, que não é necessário um esforço doloroso e que todos os palavrões são bem-vindos.

Naked touch

By early morning, a cosy silence comforts me through the cigar smoke, the coffee in the air and the the flash of your arms around me supporting my craving. 

A happy bliss in spite the cold. The scent of lovers in the wool cover. A smile. Soul extasy state of mind. Loneliness without the cruelty of your absence. 

Eventhough you left, the tender and restless protection you let it linger, allows me to sleep although wide awake. Breathless. Time devouring. Until your presence will make me feel again the rush, desire, freedom and quiteness of your naked touch.