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Sherlock Holmes e o nosso entendimento!

Cinema Londres, domingo cinzento como a cidade de Londres que aparece no ecrã.
Não sendo fã da conhecida série Sherlock Holmes com aquele senhor com ar antipatico (Jeremy Brett) e um Watson cinzentão, fui com zero preconceitos. Só li um ou dois livros, também não tinha uma ideia fechada de como é a personagem.
Ora, para minha surpresa os €5,80 do bilhete renderam. Este Sherlock Holmes é uma mistura do Dr. House, mas com um Watson que é um Dr. Wilson muito menos "enconado", com algum CSI adequado à época, e a assinatura do estilo Guy Richtie.
É um Sherlock Holmes mais divertido, mais cínico, alucinado. Mais físico (como descreveu um amigo) do que lógico mas com mais vigor e emocionante. Robert Downey Junior rouba todas as cenas, a cenografia está irrepreensivel e a cidade industrial está vibrante. O filme não aborrece, tem piadas inteligentes e deixa a porta aberta ao franchising (claro está!).
Para os fanáticos do Mr. Holmes, o filme deve ser um sacrilégio. Lamento, prefiro humor corrosivo e as tiradas irónicas, ao ar apático e a atitude opiácia dos "originais" Basil Rathbone, considerado o melhor Holmes de cinema, ou do Jeremy Brett.
Duas notas:
1) O Robert Downey Jr., de facto, é um actor que merece "palco". Seria uma pena que se perdesse. É contagiante o modo como as personagens são por ele agarradas.
2) O Guy Ritchie deixou, definitivamente, de ser o ex-marido da Madonna, com ar rude e de passageiro frequente em bares, que fazia uns filmes. Realiza (e bem) um filme não alternativo, meio caminho andado para o blockbuster, no seu registo muito próprio ... alternativo.
Reflexão de Domingo: no inicio do filme, a personagem Sherlock Holmes afirma que a sua "mente se rebela contra a estagnação".
Para mim, este é o grande momento do filme, ganhou-me a partir dali.
De facto, uma mente acomodada, em sossego, sem desafios, sem vontade de saber mais, de consumir em doses grandes o que há por ai por aprender ou por ver ou por ler, uma mente contente por existir mas sem ambicionar a algo mais, é uma scarlet letter cosida na pessoa; é (para mim) um factor de rejeição automático.
O meu desassossego foi validado. Yes! Por uma personagem. De um filme. Durante 124 minutos. Oh, santissima qualquer coisa, estou mesmo mal!

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