Avançar para o conteúdo principal

Especiais de Manga

Uma ida à Moda Lisboa / Estoril (começa logo tão bem com esta contradição), coisa que já não fazia há uns anos, é o cruzamento da criatividade (às vezes desvairada) com a loucura instalada.

Um criador chamado Vitor, inserido no que serão as novas "promessas", fez-me logo uma dor de cabeça com os seus fatos forrados a garrafas de minis vazias, que batiam umas nas outras. Além de nao perceber a utilidade (claramente, não há!), nem o conceito subjacente (dou-lhe o beneficio da duvida), sempre que os desgraçados passavam com aquilo vestido, era uma barulheira, pareciam cabrestos à solta. Eu diria que esta 1ª aventura podia inserir-se na categoria da loucura instalada MAS não, lamento, terá que ser vista na logica da criatividade alucinada.

Sempre duvidei do retorno real que aquele evento daria quer às marcas que patrocinam, quer aos próprios criadores. Não nos enganemos, estando em Portugal, álguém se abotoa a uma boa parte do dinheiro. Mas será que a Seat vende mais carros por estar lá com expositor (eram todos modelos tão feios), ou a L' Oreal vai vender mais por ter estado a pintar adolescentes (aí até acredito)? Disseram-me que sim, eu acredito, mas tenho algumas duvidas se o retorno de facto compensa o mega investimento.

De qualquer modo, a verdade verdadinha é que é uma feira das vaidades. 90% das pessoas vão à bola porque gostam de ver o jogo. À vontade uns 80% das pessoas vão à Moda Lisboa para ser vistas, fotografadas, e parecerem importantes (quem sabe até ganhar um modelito!). Os restantes 20% são potenciais clientes, pessoas que de facto gostam de ver roupas bonitas e estudantes de Moda.

E aqui entra a loucura. O nivel de flashes em barda à volta da geração Moranguitos é assustador. A Lili Caneças de leggings prateadas a merecer todas as atenções, revela muito deste rectangulo que anda maluco, como diria o AJJ. A violencia de levar a Srª D. Lady para estas confussões, com tanto "povo" e calor, são claramento maus tratos a idosos... LOL. A atracção pelo dar nas vistas, quando, na verdade, tem-se mérito a rondar o zero, e a disponibilidade para se dar tempo de antena a estas pessoas, é uma alucinação.

Mas o que mais impressão me fez foi como a passerelle se transformou neste ultimos anos. Salvo raras execpçoes, as manequins não sabem desfilar, são desengraçadas e esqueléticas. Deus não as abençoou nem com o dom do sorriso nem com o das mamas. É impressionante o quão magras e desprovidas de glandulas mamárias estas miudas / mulheres são. Segundo o meu namorado, que entende de gajas, há a ideia de que os criadores querem cabides que afastem a atenção para, e exlusivamente, a roupa. Mas a roupa não "brilha" em mulheres com atitude, pose afirmativa e sorriso? De facto, naquelas miudas nao ganha grande vida. Parece que as foram buscar aos centros de desordens alimentares dos hospitais.

Estou a ver na Fashion TV desfiles em Italia e há com cada mulherão, boas mesmo ... com peito, formas, cabelos bonitos, sorrisos. Que diferença.

Os desfiles de ontem, apesar da qualidade das peças da Xiomara e do Baltazar (o ultimo vestido preto era lindo), foram algo "deslavados" e via-se de tudo: vestidos por fechar, dedos mindinhos a sairem das sandálias, sapatos varios numeros acima (não sei como não caem), sapatos com saltos tortos para dar alguma "graça" ao andamento da modelo (que nao sabia desfilar, ponto). Mesmo os rapazes, com ar mais saudável, pareciam tao imberbes.

A organização melhorou mas claramente a passerelle perdeu appeal, excepto no desfile da Adidas. O recurso a figuras publicas que levaram aquilo de forma mais desportiva, tornou o desfile mais descontraido. A Naide Gomes deu cá um exemplo de bem andar e de mega corpo. E claro quem vê o Nelson Évora em tronco nú já ganhou o dia!

Para além do Nelson Evora, a nota positiva vai claramente para a companhia. Muito boa mesmo. Especialmente quando havia Especiais de Manga um magnifico cocktail patrocinado pela Absolut. Ora aí está, aí sim a Moda Lisboa / Estorial na Cidadela de Cascais ganhou outra dimensão. E nós, outra (boa) disposição.

Comentários

Tigrão disse…
Acredito que tenha sido bom, e concordo com quase tudo o que é mencionado. A parte do Nélson Évora é-me claramente indiferente...
No entanto, para uma melhor/boa apreciação do aparato (ou falta dele) glandular mamário, haveria de lá ter dado um salto. Há mais marés que marinheiros... :D
Luisinho disse…
A Seat e/ou a Lóreal venderiam muito mais produtos se patrocinassem outros eventos de índole desportiva!...Assim de repente lembro-me logo de um desporto!:)

Mensagens populares deste blogue

Doidinha para lhes pôr a mão

I nverno em Madrid,  C. J. Sansom   1940.  Madrid encontra-se em ruínas, a fome e a miséria imperam, e uma turba de espiões das grandes potências mundiais invade a cidade, enquanto Franco pondera juntar-se a Hitler na Segunda Guerra Mundial. É nesse mundo de incertezas que desembarca Harry Brett, um ex-soldado recrutado pelos serviços secretos britânicos. A sua missão é descobrir se os negócios obscuros de um antigo companheiro de escola, Sandy Forsyth, envolvem uma reserva de ouro que fortalecerá o governo de Franco.  Entretanto, Barbara Clare, antiga enfermeira da Cruz Vermelha e namorada de Sandy, também se propõe a uma missão secreta: encontrar o ex-amante, Bernier Piper, amigo de Harry e comunista voluntário das Brigadas Internacionais desaparecido nos campos sangrentos da Batalha do Jarama. Quatro vidas cruzadas num jogo perigoso de amor e morte, os segredos e subterfúgios da Espanha de Franco, um romance que nos fala sobre a dificuldade de fazer escolhas nu...

Da perseguição

Será que te lembras de mim? Sempre que alguém se acerca, me consome num abraço pleno, me agarra o cabelo com sabedoria e se dirige aos lábios com a vontade de como se fosse a primeira vez. Será que pensas no meu toque? Quando outrem me roda com volúpia no amarrotado dos lençóis e me puxa para uma confusão de sentidos, intenso cheiro a corpos em batalha, arrepios, suor e gemidos. Será que sentes a ausência da minha presença? Sempre que me aninho no peito de outro para adormecer, já derrotada pelo peso das horas, das decisões, da intensidade da caminhada, da entrega no sexo, e só busco amparo para usufruir da minha solidão. Será que alguma vez vou escapar da perseguição da tua voz, da subtileza como me levantavas do sofá com malicia de quem se ia perder no quarto, da segurança do meu silêncio no teu?  Vou gostar de ti, sempre. Mesmo que todos prazeres do mundo se desenlacem à minha volta, mesmo que não tenhas de mim qualquer imagem, será que alguma vez tr...