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Alta Definição

(só o nome me faz lembrar o Rui Unas e fico logo com nauseas e urticária) ...

Como GOSTO da minha mui querida Kitty Lina, aqui vai:

  • Gosto de ler. Muito. Em casa, no autocarro, no café. Revistas, livros, tudo menos catálogos do DMail ou banda desenhada. Gostava de ter mais tempo para ler. Mais. Em miuda gostava de bibliotecas, que croma.
  • Gosto do Benfica. Fico ansiosa quando jogam. Irrita-me quando perdem mas gosto demasiado à mesma. E passa-me o ataquito. Não concebo ver jogos de outros clubes. Futebol é Benfica. Basquetebol, voleibol, atletismo, rugby é Benfica (ou os Lobos, vá). 
  • Gosto de dormir. É em mim uma forma de arte. Durmo tranquilamente um dia inteiro. Ou dois. Durmo em qualquer lado. Menos nos aviões (nunca andei em 1ª classe, facto!). E preciso de pelo menos 2 almofadas. 
  • Gosto de carteiras. Sou viciada. E de óculos de sol. Não há pancada maior. 
  • Gosto de ir ao cinema sozinha. E, em verdade, só mesmo sozinha. 
  • Gosto de secretárias espaçosas para arrumar cadernos, pastas, agendas, caixas e caixas de canetas, post-its e livros. E ainda conseguir escrever confortavelmente. Faço listas para tudo e, no trabalho, tenho um To Do List elaborado religiosamente. 
  • Gosto de café, de chocolate, de gelados, das batatas fritas do Burger King, de lattes e de chás frios do Starbucks, do cabrito da Tia Matilde, de ameijoas, caracóis e chouriço assado, de pão nan, da salada de frango com Mac & Cheese do Hard Rock, de bolas de berlim sem creme e de tarte de limão. E de café (repito, porque é duplamente importante).
  • Gosto de Portugal.
  • Gosto do Iphone, de hotéis, de frio, de mar, da Foz do Arelho, de quando os bébes dobram o riso, do Governo Sombra, do E Tudo Vento Levou, das Gilmore Girls, da Murphy Brown, de dar e receber presentes. 
  • Gosto de Nova Iorque, Londres e Milão. 
  • Gosto de maquilhagem, cremes de tratamento e perfumes!!!
  • Gosto de ser cheia arestas mas coerente. Gosto de ser irónica mesmo quando ninguém entende. Gosto quando me rio, mesmo sozinha. 



Não gosto ...

  • Não gosto de atrasos. 

  • Não gosto de calor em excesso. 
  • Não gosto de pessoas cuja opinião depende do dia e da companhia nem de pessoas que têm duplicidade de critérios. Não gosto (nada) de pessoas deslumbradas e petulantes.  
  • Não gosto de ter que me preocupar com dinheiro. Não gosto não poder tomar a decisão que neste momento tenho que tomar. 
  • Não gosto que gente estupida dite regras fascistas para pessoas como eu: que devia levantar-me às 5h da manhã para correr 10kms, ir 5 vezes ao ginásio, fazer maratonas todos fins de semana, comer saladas e iogurtes, não ter um namorado magro (como é possivel isso acontecer?), tapar-me o mais possivel (burkha?). Não gosto de donos da verdade. 
  • Não gosto dos anonimatos na blogosfera.
  • Não gosto da falta de cultura civica e modo de estar de desresponsabilização dos portugueses. 
  • Não gosto da falta de educação, de exigência e 'tou nem aí de alguns pais "moderninhos" para com as suas  crianças. 
  • Não gosto de não ir à praia. Faz-me infeliz. 
  • Não gosto de circo, de novelas, dos reality shows, da Anatomia de Grey, de peep toes com plataforma, de cebola e bróculos, da obsessão (moda/tentativa de parecer sofisticado) com sushi, de Pandora nem relogios Eletta Vilamoura, da Primark ou piercings no nariz e no umbigo. 
  • Não gosto que não digam "bom dia/boa tarde" nos elevadores. Ou pessoas que não conseguem pedir desculpa quando erram. 
  • Não gosto que me agarrem. 
  • Não gosto de viver em Portugal. 
  • Não gosto de contrafacção seja em objectos ou em personalidade. 
  • Não gosto falar do que sinto (e chateia-me muitoooooo que insistam). 

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Do acosso

Este calor que se abateu com uma força agressiva consome qualquer resistência.  O suor clandestino esbate vergonha e combate qual sabre as dúvidas.  A noite feita à medida de libertinos cancela as vozes interiores que alertam para mais uma queda dolorosa. A brisa quente atordoa, embriaga no contacto com a pele. O tempo pára, as palavras suspendem entre olhares que sustentam no ar tórrido toda a narrativa; qual pornografia sem mácula, mas plena de pecado. A lua cheia transborda e dá luz à ausência de sanidade que percorre no corpo. Tudo parece possível, uma corrente de liberdade atravessa-nos com o sabor do quente esmagado. E, mesmo assim, pulsa algo mais intenso. Mais derradeiro. Mais dominador. Mais perverso que o toque dos dedos. Mais agressivo que a temperatura irrespirável. O freio da impossibilidade.  A intuição luta com o medo e na arena o medo mesmo que picado tem sempre muita força. O medo acossa-nos.

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