Avançar para o conteúdo principal

Já a formiga tem catarro

Fui fazer um exame médico de rotina, coisas chatas mas as coisas são como são, lá diz o Tio Pipoco, e com pouca vontade e muita pressa que aquilo acabe, de sorriso amarelo, lá se enfrenta a coisa.

Já de bata vestida, deitada na marquesa enquanto esperava que a máquina ficasse pronta, a enfermeira faz umas perguntas normais e eis que vislumbro a mudança de expressão no rosto da senhora que me começa a mexer nas pernas discretamente e faz uma inflexão na linha de questionário. Começa a ser de tal modo estranho, que a ansiedade dá um coice sobretudo quando me diz que vai chamar um médico "que esteja por ali". O ali é a Imagiologia, não há medicos de plantão.

Quando, por fim, regressa com um começam a examinare as pernas, os pés, depois os braços e prosseguem com as questões fora de contexto.

Oh pá, então não é que acharam as minhas extremidades inferiores demasiado brancas, vulgo pálidas, e portanto soou-lhes uma campainha de alerta e já me queriam fazer testes de urgência? Achavam que eu era zombie da cintura para baixo?

E eu, entre o envergonhada e impaciente, a tentar explicar-lhes que este corpo não faz praia desde 2008, não se expõe ao sol desde 2009 (e mesmo assim numa dose pra' lá de minima) e estas pernas só conhecem calças vai pra' mais de 3 anos... Logo dificilmente, sem exposição aos elementos, é dificil não ser translúcida!

Mas, e ouvirem-me?! Ah, pois, é que não eram argumentos crediveis (perdão?!), era melhor não correr riscos, um filme. Acabou esta brincadeira quando dei um berro e expliquei com muita calma que me falta melanina porque sim, para não me arranjarem mais doenças e me deixarem, a mim e aos pés de albino, em paz.

A sério, quanto mais tenho que aguentar? Tanta proactividade benzadeus!

Comentários

Anna disse…
Ahah a preocupação levada ao exagero :D
Anónimo disse…
Enão mas não é melhor assim?? ;)
It's a g-g-g-g-ghost! :DDD
Mónica disse…
Sim, palmier, dado que tantos me acham uma assombração é possível que seja um ghost. E sim mary sou um choco sem tinta

Mensagens populares deste blogue

Doidinha para lhes pôr a mão

I nverno em Madrid,  C. J. Sansom   1940.  Madrid encontra-se em ruínas, a fome e a miséria imperam, e uma turba de espiões das grandes potências mundiais invade a cidade, enquanto Franco pondera juntar-se a Hitler na Segunda Guerra Mundial. É nesse mundo de incertezas que desembarca Harry Brett, um ex-soldado recrutado pelos serviços secretos britânicos. A sua missão é descobrir se os negócios obscuros de um antigo companheiro de escola, Sandy Forsyth, envolvem uma reserva de ouro que fortalecerá o governo de Franco.  Entretanto, Barbara Clare, antiga enfermeira da Cruz Vermelha e namorada de Sandy, também se propõe a uma missão secreta: encontrar o ex-amante, Bernier Piper, amigo de Harry e comunista voluntário das Brigadas Internacionais desaparecido nos campos sangrentos da Batalha do Jarama. Quatro vidas cruzadas num jogo perigoso de amor e morte, os segredos e subterfúgios da Espanha de Franco, um romance que nos fala sobre a dificuldade de fazer escolhas nu...

Da perseguição

Será que te lembras de mim? Sempre que alguém se acerca, me consome num abraço pleno, me agarra o cabelo com sabedoria e se dirige aos lábios com a vontade de como se fosse a primeira vez. Será que pensas no meu toque? Quando outrem me roda com volúpia no amarrotado dos lençóis e me puxa para uma confusão de sentidos, intenso cheiro a corpos em batalha, arrepios, suor e gemidos. Será que sentes a ausência da minha presença? Sempre que me aninho no peito de outro para adormecer, já derrotada pelo peso das horas, das decisões, da intensidade da caminhada, da entrega no sexo, e só busco amparo para usufruir da minha solidão. Será que alguma vez vou escapar da perseguição da tua voz, da subtileza como me levantavas do sofá com malicia de quem se ia perder no quarto, da segurança do meu silêncio no teu?  Vou gostar de ti, sempre. Mesmo que todos prazeres do mundo se desenlacem à minha volta, mesmo que não tenhas de mim qualquer imagem, será que alguma vez tr...