Avançar para o conteúdo principal

O 1º dia na nova escola



O regresso às aulas era sempre um xitex. Cadernos novos, o estojo do Sempre em Festa a fazer conjunto com o dossier, com o porta documentos e o porta moedas. A mochila Chevignon imaculada à espera de ficar suja para parecer usada e cool. A lapiseira com minas 0,5mm, as canetas de várias cores. Os livros tal como saíram da rotativa, ainda a cheirar a papel não manuseado. O cabelo bem arranjado. As roupas novas. Tudo para impressionar. Ou para criar um buffer de conforto.

A bem da verdade, sempre gostei de voltar às aulas. Declaração que me vai valer incómios como "tótó" ou "nerd" mas é um facto. Gostava de conhecer novos colegas, dar vida aos cadernos e ajavardar os livros com florzinhas desenhadas com a cabeça na lua.

Hoje foi como um 1º dia de aulas. Escola nova, mesa limpa, computador a brilhar. Novas caras que me olham com curiosidade perante a minha vontade de me enfiar num buraco e ficar a observar. Rostos e mais rostos aos quais está a ser difícil, no imediato, associar o nome. Mais fácil memorizar onde estão sentados.

Não é pêra doce ser-se o new kid of the block. Por muito que nos digam onde nos sentamos, como devemos usar a farda ou onde estão as casas de banho, fazemos tudo a medo. Que nos topem. Sintam o nosso constrangimento. Ou a face corada. Sorrio, simpaticamente. Está-me nos genes. Não consigo não ser amigável. Será que acham irritante? Se calhar nem dão por mim.

Com 30+4 anos, quase tinha perdido a esperança que esta sensação de querer chegar, com muita vontade, a um sitio desconhecido e enfrentar o horizonte.

Hoje fui um bom primeiro dia. 

De aprendizagem. Sobre os outros. E de mim.

Comentários

bp disse…
Way to go! Boa sorte.
Luisinho disse…
Para ti será como um passeio no parque!
Tal co o tu, também gostava sempre de voltar à escola...e nunca fui nerd! :)

Beijinhos e felicidades

Mensagens populares deste blogue

Doidinha para lhes pôr a mão

I nverno em Madrid,  C. J. Sansom   1940.  Madrid encontra-se em ruínas, a fome e a miséria imperam, e uma turba de espiões das grandes potências mundiais invade a cidade, enquanto Franco pondera juntar-se a Hitler na Segunda Guerra Mundial. É nesse mundo de incertezas que desembarca Harry Brett, um ex-soldado recrutado pelos serviços secretos britânicos. A sua missão é descobrir se os negócios obscuros de um antigo companheiro de escola, Sandy Forsyth, envolvem uma reserva de ouro que fortalecerá o governo de Franco.  Entretanto, Barbara Clare, antiga enfermeira da Cruz Vermelha e namorada de Sandy, também se propõe a uma missão secreta: encontrar o ex-amante, Bernier Piper, amigo de Harry e comunista voluntário das Brigadas Internacionais desaparecido nos campos sangrentos da Batalha do Jarama. Quatro vidas cruzadas num jogo perigoso de amor e morte, os segredos e subterfúgios da Espanha de Franco, um romance que nos fala sobre a dificuldade de fazer escolhas nu...

Dos elásticos

Para onde vão as sentimentos que desaparecem? Para o mesmo sítio que as meias e os batons do cieiro e os isqueiros? Onde derivam elásticos de cabelo e tampas de tupperwares? Saberão os seus hóspedes como os apagam quando partem? Memória reset?  Paira sobre nós um céu falso com correntes de sentimentos que se perderam sem que alguém os tentasse raptar, para os quais não houve esforço de resgate, e esse peso esmaga-nos, castiga-nos. Nega-nos que sintamos.  Porque maltratamos os sentimentos que abandonamos. É uma punição em perpétua retroalimentação.  Por isso não percebemos, escapamos à ausência de matéria que nos faz falta.

bloggar

A semana passada tive uma amena e saudável discussão com outra blogger (um espectáculo de pessoa, por sinal) sobre blogs e publicidade, tudo por causa de uma quantas bloggers que não se assumindo como "fazedoras" de publicidade, curiosamente , de repente, em dado momento, todas consomem os mesmos produtos aos quais reconhecem, por coincidência, as mesmas qualidades. Geralmente, aquelas que aparecem nos press release ou nos cds que acompanham as oferendas.  Sempre disse que não fazia publicidade. Tudo o que comento são produtos que uso (comprando), que experimentei ou que gostava de usar. Felizmente, hoje em dia tenho acesso a um paraíso de produtos que tomara a muita fahionista wannabe  e nem mesmo assim carrego o blog com todo o manancial que tenho à disposição.  Também ninguém me pede. Se eu escrever qualquer coisa, sobre algo que eu gosto mesmo muito, agradecem-me  mas não faço parte do Big Bloggers Book. Choca-me? Não. Quem sou eu para tal? Quem sou eu? Pessoa...