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do Tapete

Uma parede em branco é, para muitos, um espaço potencial de histórias, de construção, de risos e estrelas cadentes.

Mas uma parede despida, à medida que a desnudamos, pode ser apenas isso, uma parede branca. Onde antes se reflectiram pores de sol memoráveis, noites de paixão extenuantes, jantares tardios em conversas sobre a vida ou onde pendurar um quadro, planos de férias em destinos longínquos, jogos sofridos do Benfica, sonos aninhados sob o frio de Inverno. Onde antes se projectaram episódios próprios de quem tem uma história, de gargalhadas, discussões, olhares cúmplices, uma mobília, um frigorífico e uma Nespresso.

Uma parede branca é o oposto de tudo. Pode ser bom. Carta branca para começar. 

Ou cruel como uma chicotada na face. Ou um murro de Ali. E do tapete, a parede mantém-se branca, despojada de livros, fotografias, de amor. Fazem contagem, ficamos KO, a multidão delira, todos comentam.

Mas a parede está dolorosamente branca.

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