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sindroma da casa vazia

nós tugas somos apegados ás variáveis da estabilidade: a familia, o casamento, o emprego de longo prazo, morar na cidade em que crescemos (até c/ preferencia pelas proximidades com zona ou bairro onde mais tempo vivemos).
somos saudosistas, pouco arrojados e gostamos do nosso cantinho sem grandes chatices. e com almoços de familia a darem-nos a lembrança que ali há sempre porto de abrigo por mais disfuncional que seja.
não é que tenha nada de mal mas faz-nos falta mais golpes de asa para nos atirarmos de cabeça
vía isso vezes sem conta na actividade profissional que desempenho, pessoas que nao iam de lisboa para o porto (havia mesmo pessoas que nao queriam trabalhar em cascais porque viviam em loures!!!).
contra mim falo... é a minha ultima noite na casa que eu escolhi (na internet), a unica que vi, a que reservei ao fim de 10m de visita. A casa que eu mobilei sozinha em volta de um sofá que havia no ikea. a casa onde arranjei vezes sem conta a maquina de lavar a louça. a casa onde durante semanas dormi no sofá em frente ao lcd que verdadeiramente á burguesa comprei. a casa onde fiz as minhas noites de natal desde 2005 sempre tão minhas e especiais.
está quase vazia a minha casa. sobrou o que não posso levar ou que não é prioritario. mais o pc (que bela porcaria!!!) e a cama mas amanha estarão paredes sujas da mobilia que saiu. e parte de mim fica agarrada ao ninho que montei por minha conta e risco. detesto ser assim tão tuga. acredito que o segredo do ikea para alem de serem os preços baixos é o de se ter encaixado inicialmente a uma cultura de norte em que a mudança e as raizes flutuantes propiciam o florescimento do negocio.
mas enfim, lá devo ter alguma coisa do galo de barcelos em mim.
amanha começa outra fase de risco. mas vai demorar a matar saudades deste sitio em que chorei, ri e vivi contente, coisa que parece já ser uma memória de outra vida.

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