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habemus tugas

Irrita-me particularmente, e aparentemente está muito em voga, esta mania da carneirada rotular as criticas com o o argumento de "é inveja" naquele tom de porteira abespinhada.

Eu explico: tornou-se comum que pessoas com alguma notoriedade (evito a expressão "figuras publicas" porque não estamos a falar nem de putativas estátuas nem de nomes de ruas ou de hospitais; muito longe disso) venham dizer, ou mandem dizer, ou incitem que se diga, perante criticas que lhes sejam feitas, que as mesmas são apenas fruto desse mal que assola gerações de genes tugas - a inveja. 

E, pronto, isto maça-me. Primeiro porque que se bate na tecla de um pecado do repositório cristão, coisa da qual não nos conseguimos livrar. Segundo, porque é de um facilitismo atroz e é uma boa maneira de sacudir água do capote. 

De facto, é bem provável, que a coisa se aplique em algumas situações mas ó minha boa gente, sejamos sinceros, se estão no "olho do furacão" por força das circunstâncias (e por norma, V. Exmas. querem estar exactamente aí), é normal que as vossas opiniões, afirmações, modos de estar, o que dizem, escrevem, falam, espirram, possa ser alvo de critica. E? Qual é o mal? Onde está a gravidade da critica? Desde que não seja ofensiva nem caluniosa, claro está! 

E porque raio uma diferença de opinião significa inveja do sucesso de outrem? É um mundo um bocadinho triste e limitado em termos de perspectiva, não? E altamente umbiguista, I'll say. Tipo, comigo ou contra mim. 

É curioso que estas acusações de "inveja" nunca provenham de pessoas que se destacam pelos feitos científicos, académicos, humanitários, empresariais. Alguém vê, sei lá, a Isabel Jonnet a queixar-se que é alvo de invejas? E se há pessoa que representa sucesso é ela. Ou acham que o sucesso se mede só pelo numero de pares de sapatos que se tem no closet ou pelos carros estacionados na garagem?

Cresçam mas é. 

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