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As pessoas não prestam




Sabe S. Gucci o quão detesto telenovelas. Que não vejo. Nem uma. Há uns 16 anos. 

Aliás, só vejo cabo ou DVDs. Um dia que não possa ter cabo, não vejo mais TV. That ship has sailed. 

Este disclaimer para explicar que sou bastante, se não totalmente, imune ao charme e encantos dos actores que pululam nesse género televisivo. 

Não obstante quando via Facebook vejo a noticia do linfoma do Reynaldo Giachenini, fico em choque. Não o conheço, não sei dizer se é bom actor, só sei que é giro que se farta. Saudável. Daqueles brasileiros que elevaram a malhação a um modo de estar. E, portanto, um homem jovem, voltado para o desporto, e conhecido, tem um cancro. Inacreditável. E triste. 

Mais triste é ver a merda de sociedade que temos. Também no Facebook li vários comentários a criticarem este facto ser noticia. E a depreciarem a situação como se não se tratasse de algo grave. Porquê? Porque doenças todos temos e ele não é mais que os outros. Ou então, pura dor de corno. 

As pessoas são, cada vez mais, entidades mal formadas, egoístas e hipócritas. Educadas sem valores.

 Reynaldo Gianecchini é um actor mediático. Se o seu trabalho de actor é fantástico ou não, cada um que decida. Mas é uma figura conhecida. Quer por quem vê as novelas quer por quem leia revistas ou por quem o acha uma coisa mái fofa que só ele. 

Claro que é noticia! Até pela forma desabrida e optimista como ele comunicou a doença. É um exemplo para muitos (demais) anónimos que estão na situação dele. Dá-lhes força e prova que, por momentos, somos todos iguais. 

É certo que ele vai ter acesso, pelas possibildades financeiras, a tratamentos que nós comuns mortais não temos. Mas isso é uma assimetria social que não se abate só porque sim. 

Daí a tratar a noticia como se não tivesse importância é de gente selvagem. É importante, quanto mais não seja para a familia e amigos do rapaz.

Se fosse noticia que ele tinha sido apanhado num bacanal com um travesti, um anão e uma ovelha viciada em coca, as revistas esgotavam. Como ele "só" tem um linfoma, ai e tal, como ele há muitos. 

Faço votos que o rapaz se cure. A sério. Tive alguém muito próximo que não sobreviveu exactamente ao mesmo problema que ele padece. 

Quanto à sociedade, já não tenho esperanças que melhore.

Comentários

Anónimo disse…
Claro.. a sociedade é pobre em valores.. tu nao!Esqueci-me que és super culta, com licenciatura, mestrado, MBA ou uma espécie de, e dona de todos os valores correctos do mundo..
Os outros é que são maus...
Mónica disse…
Obrigada pelo seu comentário.
A questão não será a minha pessoa. Felizmente, sendo culta ou não, não sou eu que estou doente. O meu comentário dirigiu-se apenas às pessoas que atacaram as notícias da doença desta pessoa com desdém. A) como sei o que é estar do lado de lá, ao lado de alguém doente, e B) não acho que por uma pessoa ser conhecida deve merecer menos respeito. Não tem nada a ver com ser dona da razão, pois isso ninguém é. A mim chocou-me. A outras pessoas simplesmente pode não ser mais do que um fait diver.
Mas mais uma vez, a questão não era comigo era a reacção perante um 3º.

E apesar do comentário ser directo ataque a mim, reitero o agradecimento. Bom fim de semana.

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