Há uns anos, por esta altura, estaria a ir almoçar a um sitio qualquer na praia, descansar do calor e acalmar o estomago.
Já teria tomado vários banhos, já teria posto protector no corpo, mais borrifado protector no cabelo, mais batôn de protecção nos lábios. Já teria lido uma revista cor de rosa e teria "papado" umas 50 páginas a um livro.
Passaria as proximas 2 horas à sombra da esplanada com água e a ler ou a escrever postais.
Depois voltariamos à areia, bikini-havaiana-boné a fazer pendant, para ir logo dar um mergulho e deixar o resto da tarde correr entre o estar deitada a secar-me na cadeira ou estar de molho a refrescar-me.
Pois então, agora, resta-me acordar com os sacanas dos senhores que decidiram cortar a p*** da relva todo do jardim e ter a companhia diária de um recém-nascido que, algures neste monstro de casas e pessoas, chora o dia todo, como não será anormal.
Sei que remoer no passado é não viver o presente e não avançar para o futuro (belissimo cliché!) mas não consigo, ok? Não consigo mesmo viver com esta nova pessoa que habita no meu eu. Odeio-a. Não a suporto. E, pronto, de facto cristalizei. E um convento de freiras carmelitas descalças parece-me uma das soluções menos dramáticas possiveis e com ausência de sangue.
Porque não tenho forças para devia combater esta inércia fisica e pessoal. Dão-me suores frios só de pensar em concretizar alguma coisa positiva. E volto a vestir o pijama e vou para a cama.
Comentários
Força, anima-te mulher!!
Love,
C s 1 9 9 3
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