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Da desesperança



Não, não estou bem, estou de rastos, aliás não estou assim desde que o conheci? Desde que aquela voz me acordou, que aquele sorriso cortou as mesmas conversas, o mesmo raciocínio, a cumplicidade, um não sei quê, um aperto no peito que enlouquece sem aparente razão ou motivo, uma dor que mata, que corrói, que dessossega, mas que enebria, que entontece, que perdura num travo suave de cravinho e rosas por entre sonhos sempre com o mesmo rosto que se afasta porque nada o prende, nada o cativa, porque não há motivo para ficar.

A dor não se mexe, permanece aqui dentro mas sou eu que não posso ficar agarrada a ela, sou eu que me tenho que desprender e zarpar veloz para a confusão, para o caos, perder as ideias, esvaziar a cabeça e pairar sobre tudo e sobre todos com a displicência de uma mente arrebatada e sem grandes desígnios! A vida não podia ser menos cor-de-rosa e mais ambígua que uma paisagem agreste e belicosa.

Porquê aquele dia, porquê tê-lo conhecido só para me enredar na teia sem qualquer esperança de sobreviver a mais uma perene odisseia, a tal que compromete, que periga mas pede para ser continuada. Consciencialização que posso senti-lo não chega, porque não posso vivê-lo e isso não me alimenta... senti-lo devia ser igual a descobrir tudo o que está para lá e não ficar parada em mais um sonho adiado, o primeiro a ser visionado com a intensidade dos livros, com a imagem poética dos filmes, com o afã de uma música.

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