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Em nome da burqha

Post 320
Mais um redondinho!!!

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Nem de devaneios vive a minha atenção.

Há muita coisa triste e dramática que se passa à minha frente. Eu não ignoro, acumulo qual muro das lamentações. Mas como de dor está o universo cheio, opto por trazer uma nota divertida às barbaridades que para aqui deixo como testamento do mundo em que habito.

Há, no entanto, cenários demasiado fortes para serem esquecidos. Ou para não se por o dedo na ferida.

Amanha é suposto  a iraniana Sakineh Astiani, condenada à morte por adultério, ser executada por enforcamento, de acordo com o alerta da Comissão Internacional contra a Lapidação.

Apesar do movimento internacional que se mobilizou em prol da injustiça da condenação, Sakineh dificilmente escapará ao triste fado de ter nascido mulher, iraniana, no Irão. 

Podem pôr os paninhos quentes do politicamente correcto que queiram, mas não estamos perante a morte em vão (todas o são) de uma mulher que não cometeu um crime, estamos perante um sistema de justiça vigente num determinado país que considera que os actos de Sakineh são adultério e, aos olhos da lei, a sua pena é a morte.

Sakineh é um rosto. Outros já o sofreram, outros lhe sucederão. Esta é a puta da realidade. Sakineh é uma imagem que gera solidariedade, mas o problema subsistirá pra' lá da sua morte. Chamam-se Estados não laicos, dominados pela religião (ou por fragmentos dela) em espiral de ortodoxia e fundamentalismo. 

Antes que me lancem uma fatwa, eu não associo os muçulmanos ao fundamentalismo islâmico. Mas não é possível sequer perdoar aos muçulmanos que simpatizem com as práticas radicais que o fundamentalismo islâmico exerce sobre as suas próprias comunidades, mantendo-as num transe repressivo e opressivo como forma de controlar e conseguir legitimar as Guerras Santas.

Ora, o que me custa sobre maneira é que muitos, tantos, demasiados, que neste caso usam a bandeira da infâmia contra o triste fim desta rapariga, são também os primeiros a insurgirem-se contra os Estados ocidentais que decretam a proibição de burqas e outras práticas sociais tipicamente fruto do radicalismo religioso, por serem um atestado contra a liberdade cultural islâmica. 

Porém, depois usam o mesmo tempo de antena para desancar a cultura islâmica quando há mártires pelo meio. Parece que fica bem vir a terreiro fazer estas manifestações em prol da vida que não é respeitada. 

É uma hipocrisia total. 

É contraditório

E reconheço que neste capitulo parte da Esquerda tem uma grande quota parte de culpa. Ora defende afincadamente o direito de minorias em atentarem aos direitos civis, em países em que esses direitos civis ainda são um referencial da vida em sociedade, advogando que os imigrantes não têm que se adaptar às realidades para onde vão viver, ora depois violentamente reagem quando as Leis que querem preservar, são postas em marcha nos países de origem. É espantoso este jogo de espelhos.

Escandalizam-se as vozes com o que disse Markel. É o mais fácil. Traz visibilidade. Mas Merkel, ao sublinhar o falhanço da integração dos imigrantes (sobretudo, turcos) na Alemanha, sendo que integração não tem que significar aculturação, só quis mostrar que as comunidades não podem colocar-se à deriva dos países que os acolhem. 

E a questão é esta: por toda a Europa, hoje, existem muitos indivíduos, legais ou ilegais, que rejubilam com a morte de Sakineh. Essa realidade, ao vir à superfície, criaria uma onda de repudio, mas daqui a 2 semanas estar-se-iam a defender as mesmas pessoas por terem o direito, histórico-cultural, de subordinar as mulheres a uma situação de inexistência e dependência.

Isto verdadeiramente brutal. 




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