Avançar para o conteúdo principal

Dos amores que não cessam



Quanto tempo dura um amor? 

Instantes são suficientes para aqueles que se apaixonam todos os dias no metro. O tempo de uma viagem que enche o peito de ânimo e bem estar e cessa a memória em horas sem dor ou mágoa. 

Podem ser semanas nos amores de verão, carregados de sol, beijos apressados, à sucapa, noites longas de copo na mão e areia na roupa madrugada dentro. 

Ou serão anos, quando somos adultos e achamos que ser adulto é ter um amor à espera em casa, que nos acompanhe o de vamos, que nos dê a mão nos embates, nos aceite com tolerância e estima até ao dia que a rotina, o desgaste, os Eu se diferenciam e alguém percebe que esse amor se esgotou. 

Pode ser metade de uma vida? Sem reciprocidade, sem materialização, sem proximidade? Podem ser tantos anos desde quando tudo começou? E qual castigo - um fica aprisionado a esta sina de ter o outro colado a si? 

Venham outros amores, venham outros amantes, venham dores, venham alegrias, e ser mesmo assim aquela a fractura exposta mais íntima que podemos ter? Que nos incapacita de entrega, que nos dota de cepticismo, que só nos permite conhecer a rejeição? A maior de todas, a única que vivemos através de dias, semanas, meses e nunca cicatrizámos? 


Pode um amor ser tão forte, resistente, avassalador e destrutivo de nós? Sim; e esperar que o curemos. 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Do acosso

Este calor que se abateu com uma força agressiva consome qualquer resistência.  O suor clandestino esbate vergonha e combate qual sabre as dúvidas.  A noite feita à medida de libertinos cancela as vozes interiores que alertam para mais uma queda dolorosa. A brisa quente atordoa, embriaga no contacto com a pele. O tempo pára, as palavras suspendem entre olhares que sustentam no ar tórrido toda a narrativa; qual pornografia sem mácula, mas plena de pecado. A lua cheia transborda e dá luz à ausência de sanidade que percorre no corpo. Tudo parece possível, uma corrente de liberdade atravessa-nos com o sabor do quente esmagado. E, mesmo assim, pulsa algo mais intenso. Mais derradeiro. Mais dominador. Mais perverso que o toque dos dedos. Mais agressivo que a temperatura irrespirável. O freio da impossibilidade.  A intuição luta com o medo e na arena o medo mesmo que picado tem sempre muita força. O medo acossa-nos.

a importancia do perfume e a duvida existencial do mês

Olá a todos advogo há bastante tempo que colocar perfume exalta a alma; põe-nos bem dispostos e eleva-nos o bom espírito. Há semelhança do relógio e dos óculos de sol, nunca saio de casa sem perfume, colocado consoante a minha disposição, a roupa que visto e o tempo que está. Podem rir-se à vontadinha (me da igual) mas a verdade é que sair de casa sem o perfume (tal como sucedeu hoje) é sempre sinal de sarilhos. nem mesmo umas baforadas à socapa no táxi via uma amostra que tinha na mala (caguei para o taxista) me sossegaram, ate pq não era do perfume que queria usar hoje. E agora voltamos à 2ª parte do Assunto deste email: duvida existencial do mês Porque é que nunca ninguém entrou numa loja do cidadão aos tiros, tipo columbine, totalmente alucinado dos reais cornos? É porque juro que dá imensa vontade. Eu própria me passou pela cabeça mas com a minha jeiteira acabaria por acertar de imediato em mim pp antes de interromper qq coisa ou sequer darem por mim. lembram-se de como era p

Dos factos reais

Os anos, as histórias, as cicatrizes, as tatuagens, as noites ébrias, o acordar sóbrio, as dores, a dança descontrolada de emoções.  O orgulho, a entrega, a força, a paixão, a cegueira, o racional que cede ao mais descabido improvável. A raiva, o amor, a dúvida, a euforia, a esperança, o desmoronar.  O fugaz, o consumo rápido e descartável, o compromisso, o receio, a expectativa. A impaciência, a intolerância, a falta de vontade de começar do zero.  O desejo, a avidez, a imperfeição pautada por gargalhadas, a tesão em gotas de suor e olhos famintos.  A partilha, a distância, o querer tanto e tanto calar, a explosão arrebatada, a plenitude.  A tempestade, a tristeza, o vazio. O querer estar só, a solidão, a ânsia pelo abraço silencioso.  Os beijos que são tudo, os beijos estranhos de rostos que nem lembramos.  A auto punição, sensação de mais um erro, a pulsão do falhanço, o sintoma do irreparável. A certeza de que fazemos tudo mal.  É uma constru