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Da chuva




Cerram-se as nuvens em torno de nós a ameaçar diluvio e de imediato os teus braços ganham força. Fecham-me em ti enquanto a tormenta se abate lá fora e o frio insiste que me protejas. Me incites a vontade. Alma em balouço embalada pelo som da chuva e pela tua respiração. 

Voracidade a despique sem vencedores, ambos vencidos pela exaustão, gargalhadas e palavras. O céu cinzento entra por todas as janelas e ilumina as paredes de cada vez que sucumbo. Um planetário só nosso. 

Chove e as tuas mãos sossegam, alucinam, desferem desejo. Chove e é como se reinasse uma febre em nós.

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