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Do dano que corrompe





Quando chove, tudo muda. Há uma tristeza suave que se aninha a nós na sensibilidade obvia de que há sempre algum dano que nos corrompe o interior. Como se pela chuva, a nossa vulnerabilidade fosse abafada por uma reacção química que assola as nossas duvidas e expõe as nossas fracturas. As cicatrizes invisíveis, resistentes ao tempo, avivam-se. 


Mas neste turbilhão de nostalgia, a chuva acorda-nos de uma dor branda que está tão presente quanto a tentamos encobrir com céu limpo. A tormenta é a reflexão que impomos a nós próprios, a clarividência que se abre ante nós. Com a chuva tudo se altera porque vemos sem filtros o que tentamos fingir. 


Sentimos sem analgésico a pontada afiada da realidade. A tontura do desinteresse flagrante daqueles a quem verdadeiramente desejamos. E miramos a nossa imagem crua por entre cada pingo frio que cai, com o conforto de saber que a chuva nos aninha a alma, a sós

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