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Da segunda pele




De tanto observar a distancia dos afectos dos outros, não se vê o próprio distanciamento. 

De tanto criticar a ausência de coragem em arriscar, não se dá conta do modo como se fecha também essa possibilidade em nós. 

Molda-mo-nos às vicissitudes dos elementos que recusamos nos demais, deixamos que os muros cresçam em tensão e a incapacidade de acreditar passa a ser leve como uma segunda pele. 

Cansa-mo-nos das lutas, perdemos a energia de tentar de novo, ganhamos em frustração. Valemos por nós e de repente isso tem que bastar. 

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