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O Egoismo



Eu e o meu moço temos algumas coisas em comum. O conceito de horas e o de compras não são se incluem, definitivamente.


Sempre ouvi dizer que sendo filha única teria muitas probabilidades de vetar ao insucesso as minhas relações de amizade e amorosas porque estaria condenada a trazer como bagagem uma forma de estar egoísta. 

Sim, sou egoísta naquela medida certa de defesa dos meus interesses. Não sou caprichosa nem mimada mas há coisas que quero que se façam a minha maneira. Chama-se auto-protecção. Gosto muito de estar sozinha. Quase prefiro. Também é egoísmo, admito. 



Mas de resto, creio ser das pessoas que mais se preocupa com os outros, no sentido de não querer fazer a terceiros o que não me gostava que fizessem a mim. Tento conciliar interesses sem necessariamente sobrepor o meu. 

Não sei até que ponto isto é fazível numa relação dois, sobretudo com um gajo (não é discriminação com outro tipo de relacionamentos, mas a três ou mais, para alem da rambóia, não deve ser mesmo nada fácil gerir a coisa). É que a malta começa a cansar-se. 

Ora, eu gosto muito do meu moço mas quando combinamos encontrar-nos entre as 12:30 e as 13:00 para irmos almoçar, e ele (que não teve razões algumas pra' tal) me aparece às 13:30, sem pedido de desculpa, sem achar sequer está errado, sábado após sábado, fim de semana atrás de fim de semana, anos sem fim, bom... Já não é frustrante, já não tem piada, já não é de uma pessoa chatear-se. É só um pensamento assassino a martelar no cérebro:  "raio de egoísmo". 

No que toca às compras, arte na qual sou cinturão negro, não há compatibilidade possível. Para não gerar atritos, nem entro na Massimo Dutti, não vá levar com um olhar reprovador daqueles que nos faz pedir desculpa SEM perceber porquê. 



Mas depois na Fnac anda-se 45 minutos por causa da treta de um cabo que liga não sei o quê ao radio não sei onde. Tudo com calma, como se fosse um museu. Ora, eu sou uma pessoa impaciente e que não aguenta estar muito tempo no mesmo sitio. Especialmente quando se pode usar metade do tempo sem sequer andar a correr. Meus amigos, desespero. Eu não demoro 15 minutos a escolher umas botas: se gosto e tiver o dinheiro, se me servirem, se me gostar de ver ... compro e saio da loja. Uma hora na Fnac???

Para mais, estou constipada, sem forças, já a transpirar, com cachecol, casaco, subir o Chiado, a não cumprir o plano pré-definido: almoço - Fnac- casa  - descansar . Os gajos são uns egoístas, já estou viradinha do avesso, a arrastar-me pelo meio da confusão. 

Consegui-me escapar à ida à Bénard. À Benard, paraíso dos croissants de chocolate. É o golpe final. Estou sempre a ouvir de que sou uma gorda apática sem força de vontade mas onde se pode ir então a seguir? Será egoísmo? Nao, apenas maldade. 



Fui andando pro' carro. E a pensar como se pode gostar tanto de alguém e ao mesmo tempo ter tanta vontade de lhe bater com os sacos da Fnac. Arre!


Comentários

Xana Branco disse…
Lindo.... Temos de juntar os nossos gajos e deixá-los ir para a fnac discutirem cabos e outros gadgets! Eu também prefiro comprar botas e AMO a Bénard (nunca percebi como era possível a Brasileira sempre cheia e a Bénard ali ao lado sempre com uma mesa livre e um atendimento 5 vezes melhor)

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