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me & the double standards

Já disse e repito, não gosto nem me apetece falar ao telemóvel. Sou uma SMS machine. Ou maníaca como me chama uma amiga. Para falar, que seja pessoalmente. Quando seja possivel.

Também já expliquei que durante anos e anos o meu trabalho foi falar ao telefone (não, não metia linhas eróticas mas às vezes acho: antes fosse!) e isso cansou-me.

Por outro lado, ao fim do dia, independentemente de fazer muito ou pouco, não sou obrigada a estar ao telefone a fazer companhia a quem está no transito ou preso nos transportes publicos e não quer estar sozinho e aproveita para partilhar a vida intima da vizinha ou, pior, quer que eu partilhe os meus pensamentos mais profundos. Credo, eu não partilho "isso" com ninguém. Acreditem, ninguém. Excepcionalmente, e se com alguém, a uma pessoa a quem pago. Ponto.

Esta coisa de quererem dissecar-me à força como se eu fosse um sapo tem que acabar. Primeiro, odeio sapos. Por isso, não gosto da comparação (tal como não gosto de ser um "pequeno javali"... amoroso, o caraças!). Segundo, porque sou suficientemente esperta para, se me apetecer falar, ou perceber que não o fazendo algo sério vai acontecer, pegar no telefone, ligar, mandar um sms ou um email à pessoa que considero que em determinado momento, desabafando terá um insight  adequado.

Dispenso, pois, os conselheiros de bancada. Na vida real, no fim do dia, ninguém está lá. E não é uma critica, é uma constatação. Eu também não estou. Ou melhor, eu estava. Indefectivel. Mas caguei e deixei de estar.

É curioso que a semana passada fui duramente criticada por não ter atendido durante o fim de semana, várias chamadas telefónicas, enquanto fazia a minha detox sonorifera de sábado à tarde e domingo todo o dia. Tudo porque não fiz parte de um momento (merecido) de egocentrismo. Ok, mas estava no meio de uma crise de ansiedade, de pânico, estava péssima, estive mal e assumi-o, por muito que me custasse. Isso já não deu azo a 10 telefonemas.

Não suporto double standards. Mesmo. Venham de onde vierem.

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