Há 10 anos, uma terça-feira, fui trabalhar semi frágil, apaixonada mas com dúvidas e muito (mas mesmo) bronzeada. Tinha regressado de férias de Cabo Verde no fim de semana e no domingo a gastroentretite made in voo TACV atacou-me.
Com uma operação ortopédica adiada pelo estado de saúde e com os kilos a menos que uma gastro (simpática) dá, aventurei-me de saia azul pelo joelho, top de alças cor de mar e sandália cor de champanhe de salto alto.
Só à hora de almoço corremos à Internet para saber o que se passava em Nova Iorque. E o choque foi avassalador. Os olhos prendiam-se ao monitor, de forma dolorosa. O coração apertou, a capacidade de reacção perdeu-se e chorar parecia muito pouco para a crueldade que se estava a assistir.
O mundo mudou tanto desde então. 10 anos passaram a correr.
Nada voltou a ser igual. Podemos não sentir isso no nosso dia a dia, mas mudou. Cultural, social, política e economicamente. E, nós, neste canto Atlântico perdido nem pensamos muito nessas coisas mas há um factor perigo que ronda, subtil.
Estes 10 anos voaram num piscar de olhos. Eu não sou nada, mas nada, aquela pessoa. E tal facto não me alegra minimamente. Tal como o mundo, estranha e silenciosamente, mudei para pior.
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