Avançar para o conteúdo principal

começar o dia em grande estilo

... é malhando... claramente.

A pessoa vai no passeio, coiso e tal, depara-se com um parque de estacionamento no sitio onde deviam poder passar transeuntes, vê-se forçada a ir para a estrada que, por mistérios insondáveis, tem o alcatrão rachado e uma fenda sacaninha, meio escondida, faz o resto. 

Voou um telemóvel para fora da carteira mas miraculosamente sobreviveu, assim como o relógio (Sr. Kors, parabéns!), a garrafa com chá e o meu joelho, que também não se partiu!!! Está esfolado como um coelho, ensanguentado até mais não, estou coxa mas partido é que não. As calças, brancas, vestidas de lavado, estão num estado lastimável mas não se rasgaram (viva a Zara!)

Ora, pode-se por toda a culpa na minha pessoa (podem fazê-lo, o Moço, esse pilar de amor e compreensão, já o fez). Sim, levava uma carteira mais um shopping bag com tralha (o chamado livro, o chá e o necéssaire melancia... tralha, pois então). Sim, ando com tonturas. Sim, estava de Fly que não sapatos do mais raso que haja. Sim, sou distraída.

Não obstante, a falta de civismo de quem estacionou em cima do passeio (infelizmente esvaíram-se-me as forças para riscar cada uma das viaturas) e o chão miserável, quer me parecer que são razões mais válidas para justificar o ter-me partido toda.

Aproveitava para agradecer a todas as pessoas que passaram por mim,viram que não me conseguia levantar face às dores, que me viram a recolher partes da minha vida que tinham saltado da carteira e que NÃO ME AJUDARAM. Foram uns queridos. Espero que tenham muito gonorreia pela vida fora.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Do acosso

Este calor que se abateu com uma força agressiva consome qualquer resistência.  O suor clandestino esbate vergonha e combate qual sabre as dúvidas.  A noite feita à medida de libertinos cancela as vozes interiores que alertam para mais uma queda dolorosa. A brisa quente atordoa, embriaga no contacto com a pele. O tempo pára, as palavras suspendem entre olhares que sustentam no ar tórrido toda a narrativa; qual pornografia sem mácula, mas plena de pecado. A lua cheia transborda e dá luz à ausência de sanidade que percorre no corpo. Tudo parece possível, uma corrente de liberdade atravessa-nos com o sabor do quente esmagado. E, mesmo assim, pulsa algo mais intenso. Mais derradeiro. Mais dominador. Mais perverso que o toque dos dedos. Mais agressivo que a temperatura irrespirável. O freio da impossibilidade.  A intuição luta com o medo e na arena o medo mesmo que picado tem sempre muita força. O medo acossa-nos.

Os lambe-cus (MEC)

Os Lambe Cus, by Miguel Esteves Cardoso   "Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele. Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá- los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia. Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço». Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alun...

Das pequenas coisas

Talvez sejam as pequenas coisas. Como uma música que se ouve por acaso e se torna uma descoberta que nos marca um trânsito. Como um gelado fora de horas e com o sabor simplesmente certo de caramelo tal qual na nossa infância. Como aquele instante rápido entre fazer-nos à onda e o mar que nos toma por completo, nos restitui a energia e nos devolve ao mundo. Terão que ser as pequenas coisas. A partir delas, tudo se enreda e o equilibro pesa para o complicado. Sinuosos os caminhos para que nos encontremos. Doloroso o andamento que faz que nos afastemos mais do que estejamos próximos mesmo quando tudo aponta para que haja uma cumplicidade e uma ligação súbita mas forte e consistente. O toque é denunciador. Desmantela as forças e faz sucumbir com tamanho ardor. O beijo que transporta silêncio, paz, meta. O abraço que acolhe uma gargalhada e o estranho sentido de que tudo está bem. São estas pequenas coisas. Que são fáceis e leves e perenes. Tão frágeis. Acabam tão depres...