domingo, 23 de fevereiro de 2014

Últimos dias

Foram assim...

Ou como meter o Rossio na Rua da Betesga, temporalmente falando.







Da derradeira solidão. 


sábado, 22 de fevereiro de 2014

Momento WTF

Páginas de cães nas redes sociais e pessoas, que não as donas dos animais, que as seguem e fazem likes e deixam comentários. 

A sério, criaturas? 

Vi ontem, no instagram, pela primeira vez, a mais "famosa". A página não foi criada pela valentia do cão em salvar pessoas de edificios em chamas ou águas revoltas. Ou por ser um mui nobre cão guia. Por muito giro que o cão seja... É basicamente, isso. Pois...

Nem questiono as razões da autoria da página. A dona podia ter tomado umas coisas estranhas, podia estar embriagada de amor pelo seu bicho, podia estar no gozo, pode ser só parva. Tudo bem. O pior mesmo: as pessoas que nem sequer conhecem donos ou visados e seguem com interesse a vida de cão alheio. 

Duvido consideravelmente que haja solução para a privação cognitiva que afecta esta malta. 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Quando ver TV é mesmo BOM!

Serie 5 da série THE Good Wife... 

Um  tratado de como o direito laboral europeu é pesado. 

De como a falta de ética pode ser tão banal. 

Magnífico. 


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Das rejeições

Uma pessoa podia dizer que tenta dar o benefício da dúvida. Seria uma insincera afirmação, coisa que não faz bem o meu estilo, mas enquanto se cá anda também não se perde por ali acreditar que algures alguém faz alguma coisa de jeito. Caramba, UMA que seja. 

Mas os divórcios não acontecem só com pessoas, os afectos também se perdem com as referências espacio-culturais. Tenho um profundo desencaixe com este país, admito que será um problema meu e dai que estar aqui é já só algo passageiro. 

Quando Cristina Ferreira é uma das novas embaixadoras de uma iniciativa/ programa do Ministério da Economia apropriadamente denominado "Portugal Sou Eu", destinado a promover a excelência dos produtos nacionais, sinto uma espécie de calafrio de rejeição. Como se fosse um coice, vá. 

Não estou a questionar a iniciativa, nem os seus méritos, nem se faz algum sentido, porque não conheço, e a bem da verdade, assim sendo nem vou aprofundar. Basta associar Cristina Ferreira e a frase "Portugal Sou Eu"... Pois que não. Não quero ser deste pais. Também não quero medalhas nem condecorações, portanto fiquem lá com a Tininha. 

Na verdade, estou lá #89


    • THE Península Chicago 
    • 108 East Superior Street (at North Michigan Avenue)
    • Chicago, IL

















domingo, 16 de fevereiro de 2014

Amigos, conhecidos, estranhos, médicos, terapeutas de todas as espécies, gurus da blogosfera com livros no prelo, todos resulta fácil dizer que temos que ser fortes, "no matter what", como se em momento algum pudéssemos ter momentos de dúvida, de exaustão, de "não quero saber". 

Não, temos que aguentar, pensar sempre mas sempre positivo para atrair energias positivas, como se vivêssemos num grande detox emocional perpétuo, eliminando aquilo que assusta os outros sejam gorduras corporais quer sejam quilos de más vibrações. Comam gojis, mirtilos, brócolos em sumo, nada de hidratos, corram quilómetros por dia, sejam saudáveis fisicamente a olho nu e na vida que supostamente devem ter. Preocupem-se com o colégio das crianças, com os baby showers, com a vida social dos pequenos sub 5, em estarem em forma para não envergonharem a vossa cara metade quando chegar a bikini season.  Caso contrário, o mundo não está preparado para vos acolher. 

Por muito terapêutico que o optimismo possa ser, a falta de esperança muitas vezes assume contornos sem cor, sem cheiro, sem nome, sem dor palpável. Só sabemos que há confortos que não voltaremos a sentir. Que um dia a seguir ao outro é isso mesmo. Não há força que valha nesses momentos. 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

O país da sonsice

O espectáculo inenarrável em torno do que se passou no Meco ultrapassa os limites do bom senso. Mas somos o país que abranda quando vê acidentes, que está em velórios a discutir em detalhe o estado clínico do defunto, bom, em nós coabita uma porteira voyeur com atracção pelo lado mórbido. 
Há um grande espanto, e choque, pela forma como foi o sobrevivente do Meco entrevistado. E, pior, como essa espécie de "peça jornalística" foi validada e emitida, sem que os editores tivessem posto cobro a tamanha insensatez. 
Pel'deuses... É a CMTV, caramba, onde raio está a surpresa? A serio, pessoas, isso é que é negação! 
Ou só quando é muito grave salta a indignação e no resto dos dias, assobia-se para o lado e ignora-se o desconforto? 
O mundo é dos sonsos! 




domingo, 2 de fevereiro de 2014

A indignação dos antes ausentes

Há um ano qualquer pessoa (admito que me aconteceu algures no tempo), manifestasse o total repúdio pelo "sistema" de praxes, no mínimo era acusada de tiques esquerdistas reaccionários. Isto, para não entrarmos en insultos politicamente correctos. A bem da verdade, ninguém queria saber. NINGUÉM! Muito menos TODAS as pessoas que se manifestam agora em histeria indignada nos jornais, nas redes sociais. Sobretudo tudo que é pai de repente descobriu que existe essa realidade pautada pela humilhação, pela imposição das hierarquias (num contexto em que nem tal se justifica porque a diferença se baseia na idade ou no número de matrículas nem sequer há uma assumpção clara, como na vida militar, de uma categoria profissional diferenciada), pela submissão e não, não, não ... Isso tem que acabar. 

Agora. 

Agora que aparentemente (porque não há uma investigação concluída -note-se-que permita dizer que foi uma praxe que levou à morte de 6 pessoas, intencionalmente ou por mero-mas trágico-acidente). 

Mas até agora ninguém parecia ter dado por isso, não era uma questão que levantasse 10 vozes, quanto mais milhares. Casa roubada... Ou lembrar de Santa Bárbara... Blablabla. 

Porque os caloiros, sobretudo estes, são praxados, quer dentro como fora das faculdades, portanto nas ruas das cidades deste belo pais. Todos vimos. Os pais de praxados e agentes praxadores têm conhecimento das actividades de iniciação, certamente não ao detalhe, claro, mas ALGUÉM devia achar estranho os excessos. Quanto mais não seja os pais que agora precisam saber o que se passou em dezembro mas que não achavam ANORMAL os filhos alugarem, anualmente, uma casa durante o fim de semana para organizarem actividades de acolhimento aos caloiros. Mas quando é que a coisa ficou assim tão "sofisticada"que requere preparação com meses em meses de antecedência e que visam durar semanas, senão mesmo um ano lectivo inteiro, em prol da tradição de uma universidade chamada lusófona? Fundada por que rei mesmo? Nada disto parecia fora de comum aos pais? E os responsáveis das universidades ao permitirem que o espaço da escola esteja aberto para abusos que depois se replicam, ampliados, extramuros; ao não forçarem um código que leve à expulsão daqueles que manifestem um comportamento abusivo face aos demais; e ao compactuarem com alunos ad eternum quais parasitas orgulhosos; parecem esquecer-se que o seu papel de reitoria não é apenas de gestão de contas, mas têm que responder pelas pessoas que se lhes atravessam os portões todos os dias. 

A reacção pós-facto, por mais justa que seja, peca por tardia. Porque não é um tema que estivesse propriamente escondido. Até se pode não saber em detalhe os requintes de malvadez a que se chegam os "vossos" filhos mas não é uma novidade. A grande, mas grande maioria das pessoas, reitero, as mesmas que se insurgem com fervor, não queria era saber. Não as afectava. Agora, pode ter sido demais e abriu-se a caixa de pandora. 

Isto é um ciclo continuo. Da mesma maneira que as pessoas reagem com indiferença a tanta outra coisa. Porque, vamos ser honestos, não adoptam crianças, não são gays, não pertencem a nenhuma minoria, não precisam de recorrer ao Sistema Nacional de Saúde para tratar de doenças graves ou crónicas, and so on. Até um dia ...