segunda-feira, 29 de abril de 2013

domingo, 28 de abril de 2013

Procura-se um Amigo, VM


Procura-se um Amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive."

Vinícius De Moraes

Ferida aberta


"Tocou-me no pescoço com a ponta dos dedos, desviou com 1 gesto macio a madeixa que lhe tapava o caminho e beijou-me com lábios quentes, como se me possuísse naquele momento. Bastava senti-lo perto e ficava pronta a recebê-lo. E ele estava muito perto, na mesma cama onde havíamos caído horas antes para mais uma vez nos perdermos. Terminávamos sempre por nos achar nos braços um do outro. Eu encontrava uma calma momentânea que seguia ao rebuliço que ele provocava. Nunca chegarei a descobrir o que ele encontrava, para além da ternura infindável em que adormecia. Exausto, sucumbia com facilidade sob as carícias que lhe fazia no cabelo ou as massagens suaves nas costas.

Abraçou-me por trás e prendeu-me as pernas, ainda que soubesse que eu não iria fugir. Eu escondia sempre todas as emoções que ele suscitava em mim, mas ele tinha consciência que dominava os meus sentidos, da mesma forma como dominava todos os aspectos da sua vida, como dominava as conversas em que entrava. Como controlava o que sentia, nunca revelando.

Dois amantes passionais e breves que davam tudo no combate mas que nunca abriam a fachada. Jamais saberia o que ele sentia por mim. Ele não o mostrava.

Ora me acolhia com real prazer exibido sem pudor, acariciando-me a alma com o modo delicioso como me olhava, transmitindo tanta esperança em cada beijo depositado na minha boca e como me embalava ao meu ritmo, acabando aninhado, inconsciente, no meu colo. Ora desaparecia, sem rasto, num autêntico acto de crueldade, exprimindo ou dúvidas, ou culpa, ou indiferença, revelando, a mim,  o quão supérflua sou numa vida organizada em torno dele mesmo e de quem com ele partilha mais do que instantes apaixonados.

E eu sem me conseguir desligar. Sem deixar de ceder. Sem deixar de ter a vontade de ver nascer o dia, nua, deitada sobre ele, na janela do meu quarto que dá para o Tejo. E ele pegava na minha mão, pequena na dele, e puxava-me para ele: “Vamos, linda, vem dormir”, e eu a teimar a ficar ali, a guardar aquela luz para as noites em que adormecia sozinha sem ousar pensar onde ele estaria nesses momentos.

Não o vivia com a intensidade do meu primeiro amor, como o primeiro não há outro. Tão sofrido, tão meu, tão diariamente sentido. As saudades que praticamente me puseram louca, o estado de sombra pálida em que me havia tornado, o desalento, eram cenas de um cenário já longínquo ainda que apertado em mim.

Não, este era o espaço que deixei uma paixão ganhar após o luto prolongado em que retemperei forças. De uma atracção feroz, com desejo mal contido a clamar por satisfação urgente, aliada a gargalhadas e conversas que acabavam em roupa caída à medida que a vontade se tornava avassaladora, progrediu para um estado mais apurado de envolvimento. Precisava de estar com ele, por me sentir confortável na presença dele, ainda que ao mesmo tão mal, porque era sempre disfarçado, com olhares à distância. Adorava repousar naqueles braços tão preparados para me receber, a tremer, com mãos experientes e carinhosas a comprimir-me contra o peito dele, 2 corpos suados, sedentos e conhecedores um do outro. Navegávamos ao mesmo ritmo, pela noite dentro, sempre com um CD a tocar para que não estivéssemos tão sozinhos, a dar a ilusão que realmente algo mais existia para lá dos encontros à laia de escapadelas, cada vez mais intensos, cada vez mais recorrentes mas que cada vez mais eu vivia como se fossem os últimos.

Temia sempre ser a última oportunidade de me encostar àquele corpo que se tornara familiar, àquela voz que cantava baixinho as músicas que eu tanto gostava, sabendo que isso me deixava tranquila e calma. Sempre que estávamos juntos, achava que ele não iria sucumbir e vivia uma luta entre manter a pose serena e dissimular a ansiedade por o ver partir sem mim. Conseguia seduzi-lo mas a novidade esgotara-se e estava em constante alerta para o momento de ele se esgotar de mim. Ele já tinha quem o completava, em mim encontrava apenas uma paixão derrubadora que não era alicerce de coisa alguma.

Procurou a minha boca e beijou-me devagar, para me despertar. Daqui a pouco já estaria em cima dele, a consumi-lo em doses mais rápidas, tentando mostrar-lhe o quanto eram importantes aqueles minutos que davam lugar a horas, parecendo sempre pouco.

Fitei-o com a minha agressividade natural, a mesma que tenta esconder as fendas que ele abriu no dia em que o deixei aproximar-se. A minha bravata face à ousadia dele saiu-me cara e eu pagava mais uma rodada num balcão já gasto de histórias tão erradas como constantes.

Fingiu-se assustado. Riu-se em seguida e abraçou-me com tanto carinho que jurei poder ser verdadeiro. «Lá estás tu longe daqui! Diz-me!». «Não é nada», respondi, beijando-lhe os olhos em cuja claridade me via reflectida, solta. «Cheiras bem!», aquele aroma que se colou a mim e que já não conseguia esquecer.

«Mais uma fuga à conversa», puxou-me mais com a determinação de um conquistador. «Em que pensas?»

«Nada, a sério», beijei-lhe o peito com a intensidade que enchia as medidas aos dois e ele repousou a necessidade de me ter outra vez, dando-me a mão, cruzando os dedos com os meus de forma tão erótica como nossa, como se fossemos heróis de um filme. Não era nada de especial, era um grande tudo único. Era uma sucessão de instantes cortados por conversas até de madrugada com cigarros a iluminar os vários panos de fundo que nos foram acolhendo em noites sucessivas mas interrompidas.

Devia ter parado algures. Devia ter cedido ao meu orgulho, exigir a plenitude, demandar a presença e não deixar passar muda e queda a ausência. Mas todas as questões que assomavam na minha mente eram afastadas com o toque do telefone, com os concertos no CCB, com os fins-de-semana em turismo de habitação. As minhas inquietações, as noites mal dormidas a remoer o mal que me andava a fazer, eram amenizadas quando ele regressava com um CD novo, sorriso matreiro que se encostava  no meu cabelo paradepositar um sussurro em que soltava o meu nome. Não era capaz de o afastar; sem pesos de consciência recebia-o à minha maneira, com esperança que fosse novamente bom.

Habituei-me a que depois se retirasse para o seu mundo. Eu ficava à deriva. Odiava-o Rasgava os bilhetes das peças de teatro, os cartões dos restaurantes, apagava os emails. Saía com outros, cheguei a partilhar a cama com amantes antigos, outros novos. Nunca lhe disse ele também não se preocupou. Ficava tudo bem: ele voltava com conversa rápida, nervosa e eu expectante por o ter ali, senti-lo dentro de mim como da 1ª vez, na praia. Rasgos de felicidade à socapa, soltos como gemidos, que furavam a minha postura distante e egoísta. O olhar endurecera ainda mais perante a constatação de como tudo era efémero. E cerrava as fileiras perante ele para que não percebesse como tinha significado e, ao mesmo tempo, era tão simples, como o génio da Maria João Pires que eu ouvia sem cessar e que ele aprendeu a gostar.

“Gosto de ter aqui”, pensei, receosa que a força desse sentimento fosse de tal modo forte que se ouvisse fora de mim. “Gosto do sabor da tua pele contra o meu calor e como desapareço quando te fechas sobre mim”.

«Em que pensas?», volta ele a perguntar sem desistir, mas já sem esperar resposta, enquanto me revolve o cabelo, me beija os mamilos, fazendo-me arquear as costas em mais um abandono de prazer. Não respondi, observei-o com deleite, enquanto de olhos fechados ele me percorria o corpo com ardor, a sofrer por estar prestes a terminar.

E eu sem poder responder. Encostei-me mais a ele quando me procurou, a lua entrava de mansinho pela janela do quarto, de braço dado com a brisa que refrescava a divisão. Abri de novo os olhos e fixei-os no espelho colocado à frente da cama com lençóis perdidos e onde consegui ver a espiral de incertezas, nó na garganta, arrepios na espinha e solidão.

         Foi essa solidão que ficou quando ele saiu, horas depois. Com esse tecido pesado e transparente colado a mim, aninhei-me num canto da cama, no total silêncio. Deixei-me estar assim, isolada de tudo durante dias, acompanhada apenas da minha própria força. Não chorei, não me vesti, fumei, mal comi, embrulhada em recordações num processo de desintoxicação emocional. Revi as fotografias coladas num único álbum, escondido num armário e pensei no quanto tempo me afundei em momentos em vez de viver. Por fim, tomei um banho demorado, coloquei Beatles na aparelhagem, com as músicas de tom optimista e da cor de um sorriso qualquer, e nunca mais te vi. Quase não insististe para regressar ou porque percebeste que eu tinha atingido o limite da minha paixão por ti ou porque não te apeteceu recuperar-me.

        Foi mesmo efémero. Foi duro. Foi um corte em mim, um que sabias sempre sarar. A ferida agora está aberta. Mais outra. Talvez a última."


sábado, 27 de abril de 2013

Houston, we have a problem

Huge...


Desburacada

Tenho 5 furos numa orelha e 2 noutra.

O reino de brincos sempre foi um aprumo de organização.

Já deixei de variar há muito tempo. Por falta de tempo e paciência. E olhando agora para os meus lóbulos, vai para aqui tamanha confusão e falta de nexo, reflexo total do meu estado de espírito.

A gota de água foi ter perdido o brinco numero 4, que só por acaso era o único valioso (pra' xuxu) além de adorável. Tive mega ataquito de nervos e fui ao tapete!

A sério, o caos chegou-me às orelhas. Não há salvação.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Sim, sabemos quem és, Reese

Quem nunca bebeu um bocadinho a mais e se excedeu nos comentários (gozando descaradamente com terceiros, presentes ou ausentes, ou manifestando opiniões por norma caladas a bem da paz social, ou atirando para o ar alguns pensamentos menos apropriados) ou nos actos (a liberdade que o álcool solta pode ser uma catarse, divertida ou somente constrangedora), pode não entender. Todos os restantes, sabem que isto já nos aconteceu. Uma vez épica, ou várias vezes dignas de ser recordadas em sessões de nostalgia, ou vezes em excesso que mais vale nem lembrar.

Grave, imperdoável, é estar bebido 17 vezes acima do que a lei (americana) permite, pegar num carro e vruum... Conduzi-lo. O marido da Reese Whitherspoon achou que sim, que estava mesmo catita para o fazer.

Pois que não. E a policia que o deve ter visto passar, também achou que não. E mandou-o parar e sair do carro. O senhor, do alto do discernimento que o seu estado lhe permitia, decidiu negar-se e barafustar.

E o que fez a meia leca de sua esposa? Salta da viatura e começa a insultar os policias com o belíssimo argumento de "sabem quem eu sou?".
Adorável.

Não questionando o direito de uma "estrela" apanhar uma bezana com o marido, sem que isso faça dela uma alcoólica, não é esse o tema, a escandaleira com base no factor "sou famosa" é de muito baixo nível e revela as "true colours" desta gente (que recorre ao argumento).

Como o ser conhecido, famoso à escala mundial, seja pela razão que seja, funcionasse como salvo conduto para a impunidade, um comprimido de desresponsabilização.

A bela da Reese bem pode vir pedir desculpa, a reboque das ordens dos seus relações publicas, e de que tem consciência que estava embriagada e lamenta o que disse, mas a verdade é que "sorry, my ass". Sim, estava bêbada mas o que disse é reflexo do modus vivendi que incorporou como natural: uma gaja importante a quem a policia não manda parar.

Esta conduta é da mais poucachinho que uma pessoa pode revelar. É sacudir água (álcool, neste caso) do capote perante as responsabilidades à custa de puxar de galões que, na verdade, não têm valor. Ganhou um Óscar, e? Daí à imunidade diplomática dista uma diferença abismal! Provavelmente ter-lhe-íamos que explicar o que é a imunidade diplomática. E por separado.

Em qualquer lado do mundo, sejam actrizes, políticos, jogadores de futebol, escritores, é um traço de personalidade feio.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

domingo, 21 de abril de 2013

sábado, 20 de abril de 2013

Do humor

A propósito do regresso do BIG Brother, versão putativos famosos, mas basicamente wannabes desempregados em busca de projecção, mas não só...

Sol e outras cenas

Muito recentemente, tive um dia complicado e partilhei a situação com (poucas) pessoas que me eram próximas. Para aliviar a "coisa", não ser um drama negro, até comentei, como piada, que nem água tinha em casa para beber.

Às 10 da noite apareceu-me uma amiga com um garrafão (de água, note-se!), iogurtes, cereais e um abraço. Dias depois, outra trouxe-me almoço e lambrusco. Um outro amigo tem sido incansável em ajudar-me no que necessito. De urgência liguei para uns amigos que deram mil voltas mas arranjaram-me um carro, entre a natação dos miúdos e o almoço de família.

Não sou pessoa de falar das minhas coisas. E até gosto de ficar no meu canto. Mas se precisam de mim, sou gaja para apoiar da forma que possa. Nunca namorado, planos, nem as minhas adoradas horas de sono seriam prioridade perante um amigo com problemas. É naquele momento que a pessoa precisa não quando a agenda está conveniente.

Lição nr. 1: nunca ter uma chatice em época de sol. As poucas pessoas a quem possas confidenciar e ter alguma expectativa de retorno vão para praia, para a esplanada, calhando têm máquinas de roupa para lavar e secar e, portanto, azar.

Imagino que de inverno invoquem o frio e a chuva para não lhes ser possível dar algum amparo. Nem que seja via mensagem.

Lição nr. 2: há sempre "outros". Os/as namorados/as ou cônjuges com os quais já há planos e dos quais não pode haver 1 hora de separação. Os outros amigos com quem se combinou brunch, cinema, bowling, brincar com as crianças desses amigos e, por tal, o ócio tem mais importância que dar apoio "to a friend in distress". Há os almoços com os sogros, os lanches com os primos, impossível de falhar uma semana que seja.

Convenhamos, dá muito trabalho gerir vida social em multitasking quando ainda por cima se incorpora à equação variáveis menos felizes, neste caso alguém (supostamente alguém de quem se gosta e se tem estima) com um problema.


Lição nr. 3: há aqueles que simplesmente ignoram a situação e nem uma sms "estás bem?" enviam. Receio de que possa advir trabalho desse gesto?

Grande lição: mesmo uma pessoa que exige pouca manutenção, pois perante cenas maradas, hiberna e faz voto de silêncio, depreende que esta história dos amigos é um mito urbano.

Eles existem, de facto, mas são em muito menor numero, intensidade e profundidade do que pensamos, além de que a dimensão humana é pró' fraquita. Num país tão pouco produtivo e falido é extraordinário como as pessoas têm sempre tanto para fazer. Com outros.

O problema deve ser meu. Seguramente. Falta-me glamour para ser uma companhia interessante. Deve ser isso.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Reminiscências

Um dia já nem me lembro como foi, como era, como me sentia feliz. 

E era tão simples.

domingo, 14 de abril de 2013

Face brutal facts

Epifânias domingueiras

Deve ser do sol, não que me tenha apanhado a moleirinha porque as paredes de casa são das boas.



sábado, 13 de abril de 2013

E de repente...

Há um instinto para escrever sms parvas sem grande conteúdo ou com significados de "private jokes" para pessoas que sairam do nosso universo.

Amigos, amores, familiares, é estranho, doloroso, quando a ruptura emocional é final e inequivoca.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Vintage Expectations

Hoje no Instagram @pedroribeiroinsta publicou uma fotografia que deu um coice.

Era obcecada por este anuncio, em miúda. Já mais velha, durante anos, todos os dias bebia Nescafé à tarde ou à noite.

Quando o anuncio apareceu, achava mesmo que aquela ia ser a minha vida. Qual mudar o mundo, qual ter uma família com cão e carrinha... Eu ia ser a babe com anéis giríssimos que via o nascer do sol, sozinha, com o seu café, a contemplar o horizonte, no seu VW Carocha.

How cool? Quão grandioso statement de liberdade!

Claro que na altura não sabia que me ia auto-retirar das noitadas precocemente, o que dificulta a contemplação do amanhecer. Ou que odeio levantar-me cedo seja para o que for. Ou que jamais sofro de insónias, o que também não é grande catalisador de uma ida matinal para um sitio com vista desafogada. Ou que tenho um "piqueno" problema com condução o que anula o Carocha da equação (também poderia ser um Mini Cooper ou um Range Rover). Ou que sou uma pelintra logo não tenho casa num local com aquela vistaça que logisticamente facilite a coisa. Ou que nem de perto nem de (muito) longe tive os looks da senhora do anuncio e mais depressa se ouviria a musica da Popota do que o "I can ser clearly now do Johnny Nash".

Não obstante, nem tudo está perdido. Em bom rigor, continuo a ser "aquela" miúda. Não consigo imaginar coisa melhor do que ver o nascer do sol num local deserto mas com pinta, ao sabor do frio da manhã, com café e o horizonte inteiro pela frente, sem nada para pensar. Só eu e o som de uma boa música.

Isto sou eu. Posso querer muita coisa na vida mas não quero jamais esquecer que gosto desta miúda. E de café, claro. Mesmo Nescafé!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Dos Momentos - II

Há alturas da vida em que sabemos que determinadas coisas já não vão acontecer. 

Quer as desejemos muito, assim assim, apenas em réstia de esperança, há aquele exacto momento em que nos apercebemos que nunca vão acontecer. Não está escrito nas estrelas. Não é parte da nossa história. Passada, presente e muito menos futura. 

Não vale a pena ter expectativas ou grandes considerações. 

E, então, mais vale assumir a coisa pelas nossas próprias mãos. Ou nos nossos dedos, vá!

Não temos que ser nós a gostar de nós próprios primeiro?


domingo, 7 de abril de 2013

Sinais

Um dos presentes de natal que mais gostei foi um copo da Zara Home com uma estrela dourada. Adorava o copo.

Partiu-se.

Eu sei que é um sinal. Não deixo de estar desolada pelo copo, claro, e pela quebra dele representa.

Sim, é um copo. Mas do mesmo modo que sou dada a deitar coisas fora, há outros objectos que me ficam presos aos afectos.

O copo com a estrela enchia-me as medidas.

A minha estrela partiu-se.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

As coisas que se dizem/escrevem

Li há pouco alguém que, apesar de reconhecer que era insustentável a presença de Relvas no Governo, advogava, não obstante, que a obra do dito Miguel Relvas na sua experiência governativa, foi sempre resultado da sua convicção  de que estava a fazer o melhor por Portugal. 

Eu até me ria. Se tivesse piada. Não tem. Nós podemos ter amigos, conhecidos, vizinhos, familiares que são uma nódoa, uns incompetentes, esforcadissimos mas que só fazem merda ou uns calões acomodados com boa onda. Mas não deixamos ter consideração por eles. Tudo bem. 

Mas depois há o Relvas que representa o caciquismo, a manipulação, a venda de favores, a troca de influencias sem pudor, o exercício de poder pelo poder, o "aparelho". O Relvas é o tipo que se faz de convidado para ir jantar a casa de alguém porque lhe dá jeito cravar um favor a um dos convidados, ainda rouba uma garrafa de VAT69 e fode a mulher do anfitrião no leito do casal. E aperta a braguilha no corredor à descarada. É um gajo sem princípios. Ética. Coluna vertebral. 

Nada que tenha feito para eleger a anomalia técnica que é Passos foi feito com a convicção de ajudar o pais. Só está convicto de ajudar-se a si próprio. 

Curioso que, para uns, eu não posso criticar nada porque não fui à manifestação ou por não ter votado (votava neste cabrão ou no gajo que o escolheu, não?!) como se o direito à indignação fosse outorgado  pela ida para rua! No entanto, é engraçado que já fica bem aos pseudo novos lideres de opinião das massas e dos empreendedores a quem resulta na "fotografia" angariar apoio por promoverem as manifestações, para parecerem solidários, parecerem "cá da malta", alinhados com a classe interventiva a que pertencem e com o publico que lhes alimenta o "Hobby" (remunerado), proferirem afirmações verdadeiramente porcas como esta. 

Ao pé disto a masturbação descabida da Mónica Calle em palco é só... Bizarra. De ordinarice está a blogosfera cheia. 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Pergunta de retórica

Quantas impressoras podem encravar num escritório exactamente no dia em que precisamos mesmo muito delas? Aparentemente, uma em full time e duas de modo intermenitente, só para chatear e gerar factor surpresa. 

E quantas vezes se pode dar uma ordem de impressão que desaparece??? Puff! 

E quantas vezes pode um rato bloquear? 

Assim foi o meu dia! Divertido, não?!

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