quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ah, agora é que ele assim, assado e coiso e tal?

Como agora todos criticam o puto maravilha ate escuso de recapitular o que penso do prodígio das manobras circenses.

Vou ser realista: não creio que a culpa do afundanço dos navegantes seja dele. Por lhe porem às costas o peso de 15 milhões de diáspora tuga é injusto. Uma equipa de futebol joga em equipa não joga em função de ou com um elemento. Se alguém não percebeu isto e não soube desenhar uma estratégia, a culpa será de quem tem essa responsabilidade.

Posto isto, o moço é prova provada de que os heróis fabricam-se e que talento não chega para tapar sempre o sol com a peneira: podem idealizar a ascensão do jovem humilde que chegou ao topo com o fenómeno democrático do futebol, mas a verdade é que onde falta a educação de base, a vaidade, a arrogância e o mau perder mostram o barro de má qualidade de que se é feito.

Neste caso, lodo.

Quando o dinheiro serve para a opulência e em nada para desenvolver a formação pessoal, um dia o verniz do marketing estala. E o mundo espanta-se. O que vale é que basta ao jeitoso fazer uma ou duas exibições boas e tudo se lhe é perdoado e ele volta a ser o príncipe das chuteiras deste país. As massas são uma coisa lixada.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

hoje estou triste

já acordei consumida com uma força a apertar cá dentro. Ou seja, o estado de espírito predispunha-se a isto. O Facebook fez o resto. 

Uma das pessoas que um dia (não há muito tempo) considerei alguém que mais estimava e mais achava ser das melhores pessoas do mundo, alguém por quem tinha muito carinho, casou. Já este ano. Eu soube porque encontrei-a por acaso no FB.

Verdade seja dita, não falamos há quase 2 anos. Verdade seja dita que em Março de 2009 embalei o presente de anos dela (de Setembro de 2008), e os presentes de Natal dela e da mãe mais o presente de anos da mãe (de Janeiro 2009), meti-os no correio com um post-it a dar a despedida que se tornara moribunda por mais que eu tentasse que ela não definhasse.

Primeiro foi o namoro. Os fins de semana eram divididos fora de Lisboa (casa dele) ou em Lisboa (com ele) e nunca havia tempo ou interesse em combinar coisas. Depois acabou o namoro, era a pós graduação e o trabalho. Os encontros rareavam cada vez mais. Resumiam-se aos meus aniversários e aos dias pré-natalícios. Nunca era convidada para os aniversários dela.

Cada vez menos me respondia às mensagens, ou aos emails ou aos telefonemas. 

Os presentes passaram a ser coisas nada a ver comigo, comprados ou reciclados à pressa, enquanto eu me esforçava para encontrar o presente especial. Em 2008 já não houve boas festas quanto mais tradicional chá em minha casa. No meu aniversário já não houve nem sequer uma SMS e eu cansei-me. 

Chegou a um momento em que, tal como numa relação, uma pessoa deixa de lutar, é realista e assume as merdas de frente. Pelos amigos tudo, mas há tolerância e quando se percebe que a outra pessoa nos exclui, é enfiar a viola no saco e ir cantar para outra praça.

A questão é que nunca nos chateámos, nunca deixei de ser quem sou e não me parecia que ela tivesse mudado mas aparentemente a química morrera. Achei que entre amigos, em estado adulto, isso não acontecia. 

Aparentemente, fui rejeitada. Esta merda dói, mesmo que seja a posteriori. Na altura, cortar com ela custou mas era uma época em que havia tanta coisa má na minha vida que o caminho fazia-se andando. 

Mas, magoa. À distância, magoa perder uma referencia sem se saber porquê. Uma pessoa dá-se, cria raízes, partilha momentos da vida, ri-se e chora-se, apoia e é apoiada e, de repente, os estilhaços acabam por fazer mossa. Não ter participado num momento importante da vida dela, deixa-me  triste.

Numa amizade, não entendo. 

Como uma vez ouvi numa peça de teatro, são as boas pessoas que nos lixam a vida. 

domingo, 27 de junho de 2010

expliquem-me como se eu fosse muito burra

Esta semana vi o João Malheiro, aquela figura que se tornou conhecida pela voz cavernosa com que exercia o cargo de Director de Comunicação do Glorioso. 

João Malheiro cresceu entretanto para figura VIP dos pobres e aparece, por tudo o que é festa nas docas, concerto dos Carreira, agarrado às damas mais vulgares do burgo, sempre com aquele seu ar bonacheirão, bon vivant, e cabelo a precisar de um banho. Tipo Alvim, mas num género engatatão ordinarote. 

Mas até com pinta de ser amigo do seu amigo o que nos tempos que correm é uma mais valia que tem muito peso.

Ora bem, cruzo-me eu com o Malheiro, num edifício de  escritórios, quando o dito se dirigia à máquina de pagamento do parque de estacionamento, onde uma morenaça de vestido comprido (algo feio) pagava. Malheiro aproxima-se, cruza-se comigo e ... BAM, afinfa no rabo da moça um valente apalpão à descarada. Foi um encher a mão em movimento côncavo óbvio e depois fechá-la abarcando grande parte da nádega feminina, deixando a mão como se a tivesse pousado no ombro.

Esta sucessão de eventos, desenrolada à minha frente, e com o testemunho de dois seguranças e mais um transeunte, cheirava a bordel por todos os poros. Foi mesmo... blhac...

Expliquem-me, no entanto, como raio alguma mulher ainda aguenta estas merdas? Ou como ainda há mulheres tão banais que gostem deste tipo de comportamento? Acham carinhoso, apaixonado ou sexy? Coisa mais baixo nível. 

Pessoalmente, apeteceu-me afinfar-lhe um belo soco nas trombas e sacar-lhe aquele risinho costumeiro. 

Felizmente, a nádega não era minha. 

sexta-feira, 25 de junho de 2010

o fim de um mito urbano

Nunca tinha ido às Maria's, uma loja de roupa na Rua Augusta, várias vezes mencionada por vestir pseudo VIPS desta modesta praça do miserabilista socialite croquetiano,

A opinião não era má. Havia sempre algum modelito engraçado. Conhecia pessoas que iam lá comprar fatiotas para bodas e falavam d' As Maria's como se fosse algo trendy-chic, um segredo bem guardado com peças giras e fora de vulgar.

Hoje fui lá com uma amiga, que comprou um vestido verdadeiramente catita (e que lhe fica de estalo, chique a valer!), e ... decepção. Parece a Feira. É uma loja de bairro muito cheia, com vestidos amontoados, sapatos pavorosos e acessórios de fugir.

De facto, foi um processo de "é isto?". Bolas, que coisinha mais possidónia. O grande atractivo é encontrar-se, pelo meio da tralha, vestidos engraçados e a preços muito acessíveis. Isto é uma mega mais-valia, sem duvida. Mas dai a quererem nos fazer crer que as Maria's são a Caverna do Ali Babá da sofisticação vai um diferencial elevado ao expoente máximo. 

A grande maioria das peças abundam nos folhecos e nos trabalhados e nos tecidos brilhantes daqueles azuis muito Princesa Madalena da Suécia ou uns fuchsias de fugir. E os modelos são quase sempre o mesmo com variantes, umas resultam, outras nem por isso.

O target parece ser mesmo o hiper profile ostensivo das Cinhas ou o estilo filha-de-construtor daquela rapariga que funciona como 2º capacete do Pedro Reis (a.k.a, aquele gajo que vai alimentar-se a TUDO o que é festa e não faz nada na vida, o que em si é um mérito... Parasita, mas ao seu estilo, um tuga bem sucedido!), ambas que recorrentemente aparecem orgulhosamente com os seus Maria's (pudera, são low cost!).

Não quero ser mazinha, as pessoas até eram simpáticas (apesar de melgas no cross selling), inclusive a senhora com o cachecol de Portugal agarrado à cintura (aí está o nível de sofisticação da coisa), mas andei a ser enganada. 

Só não percebo porque raio quem lá vai não se remete a dizer que é um sitio com oferta diversificada e a preços acessíveis. Ponto. Fazer publicidade enganosa, é para se auto-convencerem, não é amiguinhas?

Passado o choque, quando precisar de um vestido de boda (em universos paralelos, porque agora só divórcios... casórios está escasso com a graça da santa!), irei às Maria's. Sem fingir que estou a ir à Fashion Clinic.

e reina o bom senso...

hoje tive uma surpresa maravilhosa! 

Alguém, que existe mesmo, neste país, português, NÃO SABIA ONDE SE REALIZAVA O JOGO PT-BR!!! E nem tinha grande consciência de que o mundial já estava de facto a decorrer!

Foi uma lufada de ar fresco. Fiquei tão contente. A sanidade não anda perdida.

E tudo isto, num taxista!!! Não é brilhante? Na pessoa mais improvável? 

Tive uma epifania de optimismo. O fim de semana vai correr melhor.

Uma pessoa agarra-se a qualquer coisa, certo? 

Achei mesmo um momento lindo!

Objectivos de culto Spring Summer 2010

para quando Louboutin? Estes botins matam-me. São fabulosos!

Perdição, tentação. Ficam bem, nada a fazer! Esconder o que em mim se passa. 



o verniz sensação, esgotado. Claro que há pessoas previdentes que o compraram com mega antecipação. Lindo, magnifico.



sempre para apontar o mau humor, as frases que leio, não esquecer aniversários e o meu personal scratch book
. 


Genial. O item fashion. Marc Jacobs chegou ao Chiado.


E das formas diferentes nasce a harmonia. Olhar para o dedo e achar que em nós pode haver beleza.


Presa a mim própria. Intemporal. Elegante. Tão simples.








                             Objecto de eleição. Sofisticação.
 

terça-feira, 22 de junho de 2010

72 pares de óculos

Hoje senti-me como um radical islâmico depois de um sonoro BUM! aguardando as suas 72 virgens. Isto porque fui à inauguração, na Avenida da Liberdade, da André Ópticas (sabem aquela óptica na Rua Almeida Garrett, no Chiado, com óculos girissimos?).

[http://www.andreopticas.com]


Pronto, parecia que tinha morrido e ido parar ao paraíso rodeada de óculos de sol. A loja está fantástica e tem imensa oferta. São 200m2 de tentação pura e dura, de marcas como Gucci, Prada, Tom Ford, Chanel, Dolce & Gabanna, Armani and so on... Delírio, total. Para quem gosta, claro.


Apesar da musica um bocadinho alta, até ignorei as bem apessoadas trufas de chocolate, tal era o êxtase. Depois de vista ao cuidado, e de não resistir em experimentar uns quantos modelos menos comuns, vim-me embora com pena não poder fazer assalto tipo Zara: pegar em tudo, sair calmamente e ainda agredir policias à dentada.


Antes que o beautiful people ocupasse os seus lugares de guardiões oficiais do croquete recolhi-me.


A avenida tem coisas cada vez mais bonitas,






segunda-feira, 21 de junho de 2010

Está na cara ... ou na raça

Uma pessoa vê a cara de parvo do Maniche na conferência de imprensa do Sporting e percebe-se de imediato que a coisa vai torta,

A isto soma-se o estilo cada vez mais Horatio Cane do Costinha, com menos cabelo e mais bronzeado.

Ai leão, leão... estás um mimo!

terça-feira, 15 de junho de 2010

conclusões sobre o que se chama vida sob uma dor de cabeça

Obrigada pelos vários apoios morais a vários níveis mas a ver se a gente se entende:

- Desistir agora já não é opção. 
Lamento que seja uma chatice aturarem-me e obrigada pela preocupação com o meu estado mental. 
Mas agora, é aguentar até a corda rebentar. 
Se enlouquecer, enlouqueci. Menos uma que têm que aturar.

- Ter filhos não é remédio. 
É uma opção de vida. Da mesma maneira que não resolvem uma relação em morte lenta também não vão ser um escape para uma pessoa em desequilíbrio no arame. Não há rede, nenhuma criança merece isso. 
Mas obrigada por acharem que, para cumulo de tudo, ainda mereço levar com uma depressão pré e pós parto.

- Não funciono pelas regras dos outros.
Para o bem e para o mal. E se estou cansada / exausta, só peço que entendam. Não preciso que me sacudam, basta que não me usem como cobaia para todos os discursos paternalistas / motivadores iguais aos dos nutricionistas. Todos sabemos o que faz bem e o que faz mal. 
Tenho 34 anos e apesar das aparências sou até bem espertinha, aliás inteligente acima da média (com as merdas de resultados que se vê), sei que posso estar a bater com a cabeça na parede mas esforço-me à brava para não ser a parede de ninguém. Boa?

Com isto tudo amanhã ainda tenho que madrugar por causa de trabalho. Fantástico. Sábado, onde andas tu? 

sábado, 12 de junho de 2010

O canivete de MacGyver

Por esta altura do ano, andam milhares de estudantes no lufa-lufa dos exames finais, quer sejam universitários quer sejam liceais. Uns mais preocupados e dedicados; outros assim-assim, até porque o Mundial entretanto começou; outros assim a roçar o conceito de estudar por osmose.




Tenho uma vontade incrível de voltar a estudar. História seria a minha primeira opção, ou História de Arte ou Comunicação Empresarial. Mas para quem já fez licenciatura, iniciou um mestrado que não concluiu, fez uma pós-graduação, um executive MBA e tem o mestrado em gestão parado numa tese que está bloqueada até se ver, a chatice de voltar à aventura académica prende-se com o processo de avaliações. Já não há pachorra para provas de acesso, para começar, e exames durante o ano lectivo.

Tenho “fome” de aprender mas não tenho apetência para ficar fins de semana a rever matérias para que me avaliem o que aprendi. Nem é que tenha reminiscências saudosistas dos tempos da vida escolar. Gosto mesmo de coleccionar saber. Isso deve fazer de mim uma nerd mas é-me um bocado igual ao litro.

Não obstante, recordar os dias e noites a queimar pestanas, sobretudo, durante os 2 últimos anos de liceu e os 3 primeiros da faculdade (o cursinho eram de 4 anos, Bolonha na altura era só uma cidade europeia, ponto!), é o oposto de pensar como ao fim de 11 anos e meio a vida adulta as coisas afinal não correram assim tão bem. Há dias, em que correm tão mal, que preferia voltar a “empinar” Economia com muito gosto; ou estudar Demografia com dados dos anos 60 e sentir que afinal até o método de ensino não era uma grandessíssima treta.

Uma grande merda, mesmo, é o wake up call, que alguns de nós acabamos por sofrer. De repente, tem-se mais de 30 anos, há viagens que não se fizeram, livros que não se lêem por falta de tempo ou de espírito para tal, há amigos que não vemos ou, sejamos honestos, perdem interesse. De repente, os anúncios da Sumol fazem-nos chorar. Porra, fiz tudo ao contrario do que eles dizem. É a neura total.

Um divórcio, uma relação de longo prazo que falha e que nos assassina as fundações, a morte de alguém que nos é próximo, odiar ir trabalhar ou questionar o que se quer da vida, são pequenos nadas que nos abanam e nos atiram contra a parede. E ou se deixa escorregar e fica-se no chão engolidos pela falta de ideias; ou aguentamos o empurrão e com a mesma força afastamo-nos da rua sem sentido.

Por muito que olhe para trás e me arrepie pensar em voltar a ter testes de Ciências Sociais ou de Matemática, gostava de poder ter o bólide do Michael J. Fox no mítico “Regresso ao Futuro” ter a oportunidade de voltar atrás e repetir algo, qualquer coisa que tenha feito e em que tenha falhado. Estou segura que algures, virei erradamente no cruzamento, ludibriada por uma auto-estrada em condições e, de repente, entrei em terra batida, daí passei para o “caminho de cabras” e já estou na travessia no deserto.

Mesmo com a bússula e o mapa estou parada, numa situação extrema, de calor, e não sei para onde ir. Nem consigo determinar coordenadas, porque não sei que quero fazer em seguida. Sei que não quero estar ali, que não suporto estar naquele sitio, que estou a sofrer consequências físicas por estar exposta aos elementos, que estou emocionalmente fragilizada pela solidão mas não reajo. E a água começa a escassear.

Isto pode uma conclusão resultado do som da vuvuzela que abunda no Inglaterra-EUA, mas a verdade é que os putos não sabem a sorte que têm: de arriscar e dar-se mal e terem tempo de recompor-se sem precisarem de estar em situações limite em que nem o canivete dos MacGyver nos safa.


A PdI é lixada pra’ caraças.

domingo, 6 de junho de 2010

Dicas de Gestão II

Segundo Mentes Iluminadas pelas Trevas (ou o diabo no corpo)

3:
Não dar férias aos colaboradores excepto em ultimo recurso (com a autoridade para as condições de trabalho à perna, por exemplo). Sobretudo em momentos de crise, quem quer férias é porque é negligente ou calão e há que ensinar-lhe a ser uma pessoa mais bem formada e empenhada.

Se tiverem muito cansados, descansem ao fim de semana e eventualmente saiam 30 minutos depois da hora de saída durante uns dias (mas venham mais cedo que a hora de entrada estipulada para optimizar o rendimento!)

As equipas têm que ser de alta produtividade e não cabe às chefias, intelectualmente superiores, perder tempo em olhar para mapas de férias (isso é obrigatório???) e planear como os seus colaboradores / lacaios podem rotativamente gozar períodos de não trabalho ao serviço de quem paga os salários.

Sejamos humildes, trabalhemos com afinco e sem parar e pensemos no todo não no individuo. Para isso, já existem pessoas muito mais inteligentes, que essas sim, por terem chegado a chefias, directores ou mesmo accionistas, podem ir de férias no Natal, na Páscoa e no Verão, sem espinhas.

Que saudades dos Gulags!!! Como diria o fabuloso Barney Stinson, "True Story".


PS. Devia escrever 1 livro sobre estes case studies, o que acham?

sábado, 5 de junho de 2010

Vai-te vuvuzuela... JÁ!

Daqui de casa ouve-se à distância a histeria do Parque Eduardo VII.

Ele é piquenique, ele é Tony Carreira, ele é a camisa vibrante do João Baião, ele são os penteados difíceis de explicar dos já de si inanerráveis Miguel Veloso e Raul Meireles, ele é o CR9 a esconder-se no fim do palco por causa dos patrocínios, ele é a Galp, a Sonae e a Sagres em publicidade em prime time.

É a loucura à passagem da camioneta como se aquele grupo sorridente fosse à conquista de Ceuta com boas perspectivas de a conquistarem aos mouros, quando todos sabemos que será mais estilo Festival da Canção.

Expliquem-me, façam-me um desenho, escrevam-me uns tópicos, qualquer coisa pois eu não entendo como tantos depois da cadeira ter caído ainda somos um país que vibra assim com tão pouco. Não estou a tirar a importância à coisa, é ao modo como a coisa é apresentada e vivida.

Parece festa de aldeia, só falta o sorteio das ovelhas em rifas e os foguetes.

'Taditos do Coentrão e do Pepe, os únicos jogadores pelos quais nutro simpatia, e que vão ter que gramar esta espécie de vuvuzuela colectiva. Mas longe, sff.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A surpresa de se amar

O Sol estava tão quente que escaldava até na sombra onde nos recolhíamos. Lembrava-me dele. Tínhamos partilhado uma história daquelas que unem em silêncios os estranhos, divididos entre o riso, a consternação e o abanar de cabeça mental.

Era uma noite fresca e calma, a primeira noite das férias e sentia-me feliz no desconhecido.

Descia para o centro da vila pitoresca onde me refugiara com o protector solar e os óculos de sol a defenderem-me do mundo. Ao passar numa rua menos iluminada, a caminho das esplanadas, cruzei-me com ele que saía de uma pensão algo rasca. Ele deu-me primazia no passeio e foi aí que ouvimos os gritos que o seguiam.

A namorada, que há uma hora o deixara de ser, fazia a derradeira despedida de mochila às costas e soltando na direcção dele os maiores impropérios. De veias salientes no pescoço, abandonava a compostura com o abandono da relação e a incompreensão pelo factor surpresa.

Envergonhada por uma vergonha que não era minha, segui o meu caminho enquanto o observava continuar por outra rua, impávido nos jeans pretos gastos e uma camisa também negra, demasiado arranjado para aquela cena, demasiado sereno para quem cortara com o passado.

Encontrámo-nos, então, à sombra, na praia, eu a ler de cabelo molhado, ele a a rabiscar de corpo a ganhar bronze. Pedi-lhe lume, num sinal de tentativa de compreensão, e não mais deixámos partilhar o isqueiro e a companhia. Ele passava os dias a escrever sob o meu olhar curioso e ausente, a voar longe. Ele dizia-me "gostava de saber música para te encontrar" e eu adorava.

Sucumbimos de tal maneira que deixava de fazer sentido estarmos apartados. O inicio de Verão quente deu lugar a semanas de puro enamoramento, com mergulhos na solidão do lago, e manteve-se até hoje, quando o Verão ainda está a terminar.

"Queres casar comigo?", saiu natural. Ele escreveu o texto que me quer ler no casamento. Eu escolhi um vestido curto e inocente, em tons pastel, algo kitsch. Não temos data. Não temos pressa. Somos os desalinhados com o contexto, uma história de amor descomplicada mas com actores que teriam tudo para dar cabo deste idilio, tal era o peso que trazíamos às costas.

Somos um tandem em experiência. Estamos juntos nesta viagem. E o Sol continua quente.

Novas aquisições





Para a alma, para o intelecto e para a "gula".