segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

2 Cigarros

O cigarro estava no fim. Ardia devagar, sem conhecer a pressa do ardor dela, a antítese pura apesar de que a  cinza que ia ficando esquecida no cinzeiro não fosse mais do que fragmentos da sua alma. Mais um travo e aquele outro cigarro tería o seu fim sem que isso importasse pois o maço estava ainda a meio e mais um café vinha a caminho.

Chovia. Não se iría esquecer do som das gotas que caíam no pavimento. Tudo o resto estava abafado pelo barulho incessante e imperceptível da chuva. Porém, para ela era audível dado que para o que sobrava estava como que surda. Pessoas, passos, conversas, tudo se movia na ausência de realidade, na sua ausência de atenção.

Ele entrou de rompante. Imponente. Os olhares desviaram-se para ele, tocaram-no sem que ele se importasse. Percebia, mas não lhe interessava. Vinha atrasado. Tornara-se num hábito. Sentou-se junto dela sem a conseguir despertar do sonambulismo em que ela militava. Dois novos cigarros acenderam-se de imediato sem se cruzarem e em mundos à parte.

Ele sorriu e isso afectou-a. Pô-la de alerta. Não conseguia estar sossegada com aquele sorriso por perto. Endireitou-se na cadeira e o rosto expressivo tornou-se frio e sem rumo, indecifrável. Ele sorriu de novo sem razão aparente a não ser ter percebido que estava a jogar em vantagem. Conhecia-a tão intimamente como o animal o seu território ainda que a intimidade dela fosse um recanto escondido da Humanidade, impenetrável, desconhecido, incerto.

Palavras ecoaram. Ela não as entendeu. Nem sequer as escutou. Divagava perdida na voz dele, no ácido acutilante que ela representava, invadindo-lhe o espírito com lembranças desgastadas, num ritmo pausado mas devastador. Anuiu, por fim, maquinalmente. Já não se sentia dona de si mesma, perdia as forças sem, contudo, o revelar; arrastava-se na corrente simulando estar ancorada; tremia, enfim, sem deixar perceber as fendas.

Olharam-se, por instantes, olhos nos olhos e o universo girou, paz e guerra colidiram, o tempo parou como se nunca tivesse tido inicio. Bailaram a dois, algures uma sinfonia tocava só para eles mas tão baixo que eles não escutaram, não sentiram e debandaram. Desviaram-se para outros pontos de referência. Um quadro da cidade jazia na parede de cor indefinida. Uma criança teimava em comer um bolo grande demais para as suas mãos anafadas. Mas a menina persistia com aquele dom que só às crianças é permitido de acreditar que lutando e querendo muito as coisas acabam por se concretizar. A insensibilidade mata essa ilusão esboçando uma outra realidade que se torna, por  vezes, tão cruel exactamente porque lado de criança que sobrevive às intempéries mais tenebrosas continua a crer que é possível desejar algo de forma intensa e obtê-lo. Morremos todos dias mais um pouco por não conseguirmos erradicar essa vã esperança.

    Ele voltou a falar. Banalidades. Ambos queriam fugir dali. Afastarem-se para longe do desconforto que cada um infligia ao outro. As mãos trémulas dela davam sinais de insanidade. Ele ansiou por carinhos daquelas das mãos mas não se deu conta que os desejava. Nunca se apercebera do quanto necessitava dela, do cheiro que ela emanava ao passar indiferente, do brilho dos olhos negros, do toque delicado da sua presença. Ele nunca vira nada disto, nunca conseguira aliar-se à presença dela.

Ela comprimiu o isqueiro até deixar marca. Num ápice outro cigarro entre os dedos longos ligeiramente nervosos, o fumo aninhou-se na vastidão que os separava, enredou-se com calma entre eles e por ali pairou sem que ninguém o respirasse. Os minutos passaram como se estivessem suspensos num crescendo tão próprio, perene, sem convite para avançar, sem vontade para ficar.

Trocaram alguns monossílabos monocórdicos, pois há muito que a emoção se dissipara, se é que chegara a perdurar assim tão intensamente. A dúvida estivera sempre lado a lado com o quotidiano daqueles dois seres que se haviam juntado pela força da paixão de um e pelo desalento carente de outro. Nunca existira o equilíbrio, nunca fora uma convergência de sentidos e trilhos, apenas duas calçadas de Lisboa que se cortaram numa avenida e seguiram independentes o seu caminho para o Tejo.

O ambiente tornara-se pesado, contaminado por tantas questões por resolver, tantos poemas apertados na garganta que urgiam ser alvo de gritos. No entanto, o marasmo e a convicção de que não valia a pena prevaleceram. Levantaram-se em simultâneo, ele pagou a conta pela última vez e ela esperou-o à porta permitindo que a chuva lhe ensopasse o corpo tenso e lavasse a mente das pressões que ameaçavam miná-la sem misericórdia.

Colocou os óculos de sol e sorriu, por fim. "Adeus" desenhou-se nos seus lábios cansados de diluírem mágoas em privado. "Amigos", retorquiu ele em retórica, pedindo dela um sinal. "Desconhecidos", ripostou ela, enquanto rodopiava como bailarina graciosa entre as pequenas poças e desaparecia no fundo da rua movimentada.

Ele viu-a partir e esperou que ela voltasse. Quedou-se sozinho e aguardou. Sentiu o impulso para correr atrás dela, mas resistiu pois não o conseguia explicar e só fazia aquilo que percebia. Foi-se deixando ficar séculos até entender que ela não sucumbiria. Então sentiu-lhe a falta, tornaram-se inteligíveis as saudades e tomou consciência que perdera o que não chegara a ganhar porque nunca a amara como a amava naquele momento. Derrotado, deambulou e desejou voltar a encontrá-la sabendo de antemão que era tarde demais.

(Agosto 2000)
 (mónica pinheiro, autoria)

The Red Carpet Show


Foi mau. Depois de ver a Amy Adams com um vestido azul cheio de glitter de decote subido e um fio de diamantes e esmeraldas por cima, tipo a miúda que vai à caça num casamento de provincia, ía cortando os pulsos. 

E se o tapete é encarnado, o fashion statement do encarnado em tantos vestidos deu-me arrepios. Adoro o meu Benfica, mas o encarnado em roupa só para camisolas ou cardigans ou bikinis (e mesmo assim, moderadamente).

Assim, apenas vou postar os que realmente gostei. Vale o que vale.

Givenchy Couture: lavanda e amarelo. A mulher é linda e apesar da palidez o modelito fica a matar. Amo o cabelo.

Gostei muito do tom beringela. Simples, elegante, classy,  e sem necessidade de expôr a gravidez como se fosse um troféu que é um estilo muito rasca. E a mulher é linda, também! O vestido é da casa que a vestiu no Black Swan - Rodarte. 

A desgraçada não costuma acertar em nada. E com este tom de pele desmaiado  (não se percebe, têm casas na Califórnia mas parecem a Lily Caneças.... tom bronzeado, já ouviram falar?) não ajuda. Mas desta vez, escapou assim rés-vés com um Calvin Klein prateado.
Mesmo assim, parece-me sempre tão aborrecida.

Separada do Macaulay Culkin, depois de 9 anos de noivado, ei-la: Mila Kunis, muito sexy, com olhos de cama, a bailarina sedutora de Black Swan. O vestido não é consensual mas acho-o um fora de vulgar positivo.
Não sendo branquela, o lavanda fica-lhe muito bem!
   





domingo, 27 de fevereiro de 2011

Ao Domingo custa mais ...

Ao Domingo custa mais. 

É quando mais apetece ficar na cama, deixar o sono escapar-se devagar, sentir a companhia do lençol no rosto e permitir que a almofada seja o centro do mundo. Por onde nós passamos em sonhos. Só em sonhos. E em cada Domingo, ao acordar e espreguiçar as esperanças, a cama está vazia e os lençóis brancos cobrem a tua ausência de modo discreto para que eu não dê por ela.

Nos últimos tempos arrepio-me ao pensar que, num qualquer futuro, vou pensar como teria sido. Irei guardar sempre em mim as duvidas do que nos poderia ter acontecido. Hei-de acordar em outras manhãs de Domingo e o meu primeiro pensamento, mal abra os olhos será: "nunca estive com ele numa manhã assim." 

Acordarei com outros ao meu lado, alguém que me faça ter vontade de ficar na cama nessas outras manhãs e, mesmo assim, em alguns domingos vou ter saudades desses abraços com que nunca me aqueceste, das gargalhadas que podíamos ter partilhado enquanto tomássemos o pequeno almoço em conjunto. Torradas com manteiga, leite quente com chocolate. Que bom que são as manhãs de Inverno, com livros no chão e a preguiça tremenda que não me permite afastar de ti. E depois percebo que não és tu que buscas o meu corpo na cama grande e deixo-me enlaçar atirando para longe a ideia de que naquele momento acordas feliz ao lado da tranquilidade de outro alguém.

E em cada caída no travesseiro só peço que na manhã seguinte o despertar não traga a sensação que é Domingo, aquela alvorada em que tudo á minha volta me faz recordar que tu já passaste por mim. Desse cruzamento tão rápido nada ficou, o teu rosto por vezes já nem consigo ver, mas apesar de fileiras tão cerradas, após noites em branco, de passeios sem rumo, fiquei parada num instante de ti.

E em cada manhã de Domingo é esse instante que me prende e se repete. Como se estivesses ali. Acendo o telemóvel, mas não tenho mensagens. Como é Domingo nem poderei receber uma carta tua. Como se alguma vez me tivesses escrito. Tão pouco, quase nada, me deste. E eu sem perceber porque não te podia dar, porque tanto te recusavas a receber. Era tão pouco o que tínhamos que fazer, tão fácil até.

Podíamos ter acordado um dia e qual casal de velhotes amorosos, com respeitáveis roupas de dormir, olharmo-nos nos olhos com carinho e sorrir perante as fotografias dos netos. A t-shirt branca é, no entanto, a única companhia que envelhece comigo nesta cama. 

É Domingo de manhã outonal e já chove. Sabe bem ouvir a chuva. A lassidão cresceu a cada momento, não me apetece levantar, também não tenho onde ir. Fico a observar pela janela. Está uma manhã de Domingo perfeita, mas faltas tu para lhe conferir algo mais de sabor. Que Domingo passe rapidamente, que outras manhãs venham, ainda que não te tragam com elas. Opto por me aninhar no sono e pedir que amanhã chegue depressa.


                                               (mónica pinheiro, autoria)

Missin' you like crazy

Com o olhar doce com que insistes em pousar esse quente no meu rosto, fazes-me ter vontade de te dar o mundo e as aventuras que o fazem girar, o colorido das manhãs nascidas sobre o mar, o som que sai dos rádios e me aproximam de ti.

Com o gesto meigo com que me puxas para os teus braços, sinto o solavanco emocional de te ter por perto e tremo como insana pelo prazer que me dás ao mexer no meu cabelo, que corre solto na nudez do teu peito, enquanto baixas as mãos pela brancura das minhas costas.

Com o sabor teu que me deixas nos lábios, recordo o vento de arrepiar dolente de outras noites em que histórias ditámos para os lençóis que nos tapavam e nos aproximavam do mesmo sonho, tu guiando o caminho vencido pelo cansaço, eu acompanhando para me manter perto de ti mais tempo.

Com a gargalhada que te caracteriza enches o espaço em que parece que mais ninguém existe, anulados pela força que nos atrai, como se os tivesse apagado para te desfrutar devagar, nos momentos que são parcos pelo tanto que te queria revelar, pelas estrelas que contigo queria ver, pelo silêncio que contigo queria partilhar.

Com o sorriso de criança que me deitas, convidas a que me esqueça das forças que puxam para o chão, que arrastam para os dias mais agrestes, que escondem o azul do céu em Lisboa; e sinto novamente o chão a tremer quando me sorris e nada tem o mesmo valor a partir daí, tudo se confunde e se mistura, as cores trocam-me as voltas e sinto-me perdida em ti.

Com o modo decidido como me puxas e me roubas o calor, sinto-me navegar para longe, saciada e sem limites, entregue a ti, presa a nós, livre pela satisfação, rendida por me sentir tua e preenchida pela calma avassaladora que em mim depositas; e o mundo parou sereno enquanto regresso, plena de bem-estar.

E então tudo sossega, na minha cama sinto o teu aroma colado ao corpo, com a mesma intensidade com o que está colada a mim a memória da primeira vez que te vi, do teu sorriso e daquela necessidade que tinha de te vislumbrar, de te ouvir, sem perceber porque pequenas doses de ti me consumiam com aquele crivo de remoinho e ansiedade. E hoje tenho-te, sem ter mudado a tua força.




 (mónica pinheiro, autoria)

comer na cidade

Se pudesse nunca comia.
Só a proximidade de alimentos faz-me engordar.


Num mundo perfeito, tomavam-se uns comprimidos com todas as coisas saudáveis que o nosso organismo necessita, sem sabor horrível,  saciando a fome, e não trazendo mal ao corpo.


Enquanto esse dia não chega, 3 (muito boas) sugestões para repasto.


Sugestão I:



Fui lá com o moço há um mês e adorei. 
Ajuda gostar do estilo de comida. 
Aqui é mesmo à séria, não é tanto versão fast-food
As pessoas são hiper-mega amáveis e come-se mesmo bem. 
O dono é um nepalês que vive em Portugal há uns anos e tem um nome italiano (dado que começou por ter um restaurante italiano).

http://www.casanepalesa.pt/


Sugestão II:




Depois de uma uma fama reputadissima, do original em Matosinhos, abriu na Barata Salgueiro a versão alfacinha.
Uma amiga levou-me lá a jantar como presente de aniversário. Não só o Ricardo Trêpa é muito simpático (e giro) - e bastava isso para dar 5 estrelas ao restaurante -, vá, como o risotto de cogumelos e patos estava delicioso. O vinho era bom. A conversa esteve do melhor e a sobremesa, mousse de leite condensado, equivale: 

- a uma ida com orçamento ilimitado à Chanel.
- à carteira Muu 3 Folhos em todas as cores.
- a um fio de ouro Attrape-moi Si-tu-m’aimes Sautoir de 90cm, da Chaumet.
- E a 1 mês intensivo de ginásio. 

A minha ida ao D' Oliva é muito positiva mas para isso contribuiu a companhia e o divertido que foi, bem como o ambiente descontraído e com gente gira. E o Ricardo Trêpa.

http://www.lifecooler.com/Portugal/restaurantes/RestauranteDOliva


Sugestão III:


A Libia não é hoje um país propriamente com  a vida fácil. Mas quem achou piada ao Khadafi até hoje, era preciso ser muito parvo. Agora vejam como se sofre para o erradicar, e à família, que são como um tumor. 

Mas antes do movimento de libertação do Médio Oriente ter arrancado, três gajas, em comemoração de dois aniversários, e no seu jantar mensal, celebraram em êxtase com Hoummos, Moutabal e Manakiche Zaytar e outros mhamms mhamms. 


http://www.feniciosrestaurante.com.pt/

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O Labo B do "Happy Ever After"

Começa com um frio no estômago. 

Um desejo voraz de cama, beijos, trocam-se fotografias de infância. Há o estimulo da mão com mão em ondas de carinho, o arrasar sensações nos corpos à descoberta. A confiança, a felicidade de estar certo que é "aquela" pessoa. Vê-la chegar e entrar em frenesim. Imaginar, em fins de tarde de setembro, quando o frio já aperta, que se vai envelhecer lado a lado, com chá e manta nos joelhos. 



A magia dá lugar à maturidade dessa cumplicidade sem preço. Dos olhares prolongados cheios de significado que não precisam de palavras. O conhecimento mutuo torna-nos mais consistentes. Realizados.  Já não precisamos de procurar, brincar à sedução e ao engate. Encontrámos o porto de abrigo.

E como se fosse apenas um simples instante, tudo se degrada. 

A pessoa que mais se ama é um estranho. Cria-se um muro cada vez mais alto, cada vez mais espesso. 

De repente, aquele/a que é centro do nosso universo fora de nós, é alguém a quem não nos sentimos ligados. Dávamos a vida por esta pessoa mas não sabemos o que falar com ela, como abraçá-la. A intimidade torna-se desconfortável, violenta. Sem sabor a êxtase.

Queremos estar com quem construimos sonhos e realidades, mas é irrespirável. As expectativas tornam-se altas. Queremos que o outro seja mais ambicioso, ganhe mais dinheiro, lute por mais, ou então que se dedique mais ao lado pessoal, não seja um ansioso aventureiro. A insatisfação instala-se.

E os murros que sentimos no estômago começam a vir ao de cima. A ternura dá lugar à luta. Porque ainda se ama mas as cartas foram baralhadas e já não se tem uma "boa mão". Porque não conseguimos lidar com este confuso jogo de emoções e os nossos instintos afinam-se, enquanto caçadores e enquanto presas. 

É assim a vida. 

É assim o "Blue Valentine". Ou a realidade prostrada no grande écran. 





Um filme sobre um casal em fade out, que vive uma vida monocromática. Ambos os actores (Ryan GoslingMichelle Williams) são magistrais em acomodar-se ao ritmo lento, tenso e quase incómodo que o realizador, Derek Cianfrance, impõe ao filme. 

Nós, os espectadores, sentimos o quão desinteressante é aquela rotina, queremos fugir dela, percebemos a frustração tic-tac de Cynthia e, choramos, com Dean e com a sua vontade de agarrar todas as oportunidades como bóias de salvação.

Será que o destino nos quer "juntos para sempre"? Porque é tão brutal constatar que é um cliché que falha? E, assim, implicar tanta dor?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Voltando às manias e um Ferrari

Nas minhas manias sobreviveu uma não revelada: adorava viver num hotel. Sempre tive este fascínio à Beatriz Costa. Gosto de hotéis (como gosto de portas, sejam de rua, de casa, de casa de banho... fico especada sempre que vejo uma que me tira o fôlego!)... as camas, os lençóis esticados, as TVs que nunca têm ZON, os pequenos almoços, os recantos, as vistas. 

Vivia bem num hotel, vivia! Pronto, admito. 




Ora, isto encaixa no ambiente intimista e quase familiar que Sofia Coppola nos traz com o Chateau Marmont, a zona de conforto do desinteressado, do indiferente, do alienado, do dettached Johnny Marco (Stephen Dorff), actor que conta os minutos pelos cigarros que fuma. E nada mais. 

Exilado naquele reduto confortável mas nada luxuoso, quase kitsch, do Chateau Marmont, só a chegada da aparentemente equilibrada mas triste (e esforçada) Cleo (Elle Fenning, brilhante) lhe dá um vislumbre que a sua vida é um dia vazio, aborrecido, sem significado, atrás do outro. 

Quanto vale, na vida de alguém, a última cena do filme? 

Quem não entende, agradeça ser poupado aquele aperto no peito que nos tira o ar, tolda a visão e nos faz sentir apenas sombras.

Achei magnifico o filme. O barulho do Ferrari, as gêmeas (boas!!!) e as suas coreografias tão pouco naturais no varão, os ovos benedict.

Coppola filha tem uma maneira de equilibrar uma linguagem vintage, simples e quase banal de filmar com graciosidade e capacidade de nos "puxar" para o ecran.

Continuo a ser uma acérrima louca pelo Lost in Translaction mas esta senhora faz-se!!!

O que há mais para dizer?

CARREGA BENFICA!!!!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Manias

(continuando o processo de auto-análise)


Tenho a mania de:

  • Só usar colheres de plástico. Não suporto a ideia de colheres de aço, prata ou ouro.
  • Odiar cebola e brócolos. Posso levar meia hora a retirar pedacinhos de cebola visíveis antes de começar a comer.
  • Ter pavor (pânico) de balões!.
  • Não gostar de ser vista em publico. Já me basta a dolorosa exposição por motivos de trabalho. Evito socializar fora de casa.
  • Preferir ir ao cinema e às compras sozinha.
  • Considerar dormir um hobby.
  • Ter tendência para dizer o que penso sem ser necessariamente diplomática.
  • Ser fiel aos amigos mas também muito honesta com eles.
  • Odiar calor.
  • Que folclore  e campismo me provocam urticária. Dor de cabeça. A raiar a histeria. Zero paciência.
  • Colocar perfume várias vezes ao dia. Para me sentir mais animada.
  • Usar sempre relógio.
  • Nao gostar de fazer anos.
  • Ter pancada por revistas. Todas.
  • Não suportar andar de fato.
  • Não ter tolerância para pessoas que gostam de saber pouco ou mesmo nada. Que não querem evoluir. Que são "curtinhas" de intelecto.
  • Às vezes (demasiadas), tudo me ser indiferente.
  • Se decidir abolir alguém da minha vida, ser mestre em seguir em frente sem olhar para trás. Acabou.
  • Que possuo uma noção de estilo 5 estrelas (infelizmente 20 kg a mais estragam o meu potencial de "queixo caído").
  • Não ir a praia.
  • Só beber leite frio. Morno ou quente é inaceitável.
  • Que um dia vou ser feliz. Se calhar.
  • Que sou única.

Bom, mas mesmo bom...

Qual prato gourmet, nouvelle cuisine ou chefes estrelados, qual quê ....


Nada como estar em casa sozinha acompanhada de Cerelac para o jantar .... Esta invenção da bolacha maria é Top, Top como diria a Bookette. 


Falta a minha vizinha jeová, que me compreende, para partilhar este repasto. 

a minha melhor amiga

É dura como aço. Directa, incisiva, esperta. Tem bom gosto. 


Dificilmente acredita na humanidade. Claramente acha-se melhor que os outros. Na prática, em tanta coisa, é-o de facto. 


Conhecemo-nos há 17 anos. Não há grandes chatices entre nós. É a única pessoa que fala comigo como se fosse minha mãe. Sem gritar. Magoa, vai directa às feridas com toda a força mas nunca discutimos. Eu só escuto. Porque apesar de ela ser mais nova do que eu, conhece-me mesmo muito bem, e consegue falar com autoridade moral que me faz abaixar as orelhas de uma maneira. Livra.


Esforça-se muito para que eu esteja bem. Preocupa-se. 


E eu preocupo-me com ela... Que se entusiasma e quando dá conta já está a navegar na via láctea, quando se dá por isso às 5 da tarde almoçou um iogurte e um maço de Marlboro ou dorme 3 horas por noite, dividindo-se entre 500 projectos e viagens tardias pró' Portugal profundo. 


A minha melhor amiga tem um escritório novo, lindo de morrer. Esmaga. Apetece trabalhar lá. E ainda nem sequer está pronto. Mas é MARAVILHOSO! E eu fico Happy Happy por ela, pelo que conseguiu, pelo esforço, pela vontade e ambição, pela capacidade de trabalho no meio do caos. Porque apesar de ser uma big boss de sucesso, tem um coração de algodão doce.


Vocês não estão bem a ver o luxo e a beleza do escritório da mula!

T.A. - Tristes Anónimos

Mandamentos

  1. Viver um dia de cada vez.
  2. Buscar o autoconhecimento: procurar os porquês de se estar metido num cubo cujas paredes apertam, todos dias, mais um pouco.
  3. Sorrir.
  4. Não reprimir emoções e não aguentar merdas de ninguém.
  5. Dormir, sempre que apetecer.
  6. Ir ao cabeleireiro.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Gays em estado de choque

Cristiano Ronaldo, aquele senhor com um estilo, digamos, único e cheio de sofisticação rasca que só ele, aparentemente pediu a bela da Irina em casamento.

Já estou a imaginar o Mosteiro dos Jerónimos engalanado (sim, tem que ser o Mosteiro) e as fatiotas das manas e mamã Aveiro. Façam live wedding TV disto e alapo-me no sofá com pipocas a rir que nem louca.

Portanto, mais um que tenta esconder o esqueleto no armário.

Até ao dia!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Me & TV

Já fui uma viciada em TV. Admito, confesso sem pudores. Algures, ao longo do tempo, até telenovelas vi (vou ali fustigar-me, venho já!).


Felizmente uma pessoa evolui (algumas) e o meu nível de trashy televisivo fica-se hoje pelo esporádico Keepin' Up w/ the Kardashians (que me faz rir) e pelo Tempo Extra do Rui Santos, "O" programa de Domingo à noite.


Isto demonstra o que me desliguei da TV. Sendo algo (muito?) pedante de se dizer, graças a Sta Prada existe a Zon. Quase não vejo nada nos generalistas e racionalizo o meu tempo muito bem com aquilo que vejo no cabo. Sic Noticias à meia-noite, programas de viagens / hotéis / spas na TVI 24, o extinto London - Distrito Criminal no AXN, Ossos, reposições do Poirot na TV Memória, Castle à sexta-feira (AXN, temporada 3). Baby TV se está cá o Vasco em casa, para o ter quietinho (tão lindo, quieto!).


No entanto, e citando a minha Tatu adorada, estou Happy Happy com o regresso de uma sitcom que ninguém, repito, ninguém, gostava quando apareceu em 2005 ou 2006 e hoje é consensual (sem ser de "massas", o que até é bom porque de carneirada está a malta fartinha): How I've Met Your Mother






Sitcom vintage, ie, feita nos moldes mais antigos da série cómica, mas totalmente moderna, urbana, com a narrativa certa, boas piadas, bons actores (o Neil Patrick Harris, ex Doogie Howser, é genial... por causa dele li o Bro Code que uma outra gaja de bom gosto me ofereceu!), com um equilíbrio certo entre os temas fáceis de "estupidificar" e um humor honesto. Adoro. Sou fanática. É das poucas coisas que me faz parar para ver TV (isso e o Castle, enquanto a nova temporada de Ossos ou Mentes Criminosas não chega ... sou louca por autopsias e mentes desviadas ... Sim, sou uma mulher doente, têm-me dito!). 

Surpreendida, e muito, fiquei com o Boardwalk Empire, ainda sem exibição prevista em Portugal. Mesmo não sendo a minha "praia" o género gangsters anos 20.




Boardwalk Empire é da fornada da HBO, o que começa por dizer logo tudo. Passada em Atlantic City, New Jersey, durante a Lei Seca, a história é baseada no personagem real "Nucky" Johnson, que aparece no livro Boardwalk Empire: The Birth, High Times, and Corruption of Atlantic City de Nelson Johnson, adaptado pelo argumentista e produtor dos Sopranos, Terence Winter.

O primeiro episódio (duplo) foi realizado por Martin Scorsese (também um dos produtores) e foi o episódio piloto mais caro produzido na televisão norte americana. A primeira temporada estreou em Setembro de 2010 (espera-se que terminando, haja sequela, face aos prémios que arrecadou, nomeadamente nos últimos Globos de Ouro). 

Protagonizada por Steve Buscemi (Reservoir DogsDesperadoFargoCon AirThe Big LebowskiArmageddon), movimenta políticos, traficantes de álcool, prostitutas, homens de negocios, bailarinas, todos em redor dos centros de poder (quem põe as bebidas na mesa), num cenário em que o jovem Lucky Luciano já mostrava a violência que o marcou e Al Capone, a chico-espertice.

Muito bom. A ver. 


Excelentes diálogos. Óptimos cenários. Muito á frente no puritanismo americano.


Recomendo.  

domingo, 20 de fevereiro de 2011

pacto com o diabo

Dava um rim  a quem me levasse estes 20 quilos. E a tristeza.


Interessados?

a catástrofe da autoanálise

Uma pessoa sábia, há umas semanas, recomendou-me que eu me auto-analisasse e percebesse a pessoa que sou. O que me torna única. E daí pensar no futuro.


Pois, a minha grande proclamação de auto-análise é que eu cheguei ao ponto de não ter desfeito ainda a árvore de Natal. Isto sou eu no século XXI.


Desinteressada, cansada, sem energia e com o substrato de calanzice elevado ao máximo. Acomodei-me à companhia das luzinhas. Como me acomodei a tanta coisa.


Esta coisa da auto-análise provou que sou única. Um único zero à esquerda. Se vivesse nos EUA estava a meio caminho andado do trailler park de pijama todo dia a ler e a mandar vir as compras pelo Continente online lá do sitio.


Única, uma merda!

Coisas simples da vida

Dior  Chiffre Rouge 

Ultra Lavande Lancome SS 2011 Collection - Gloss Beige Ballerine

Clinique Chubby Stick Moisturizing Lip

M.A.C Cosmetics Eye Shadow Beautiful Iris

Vamos à MD?

Quase não consigo comprar lá nada dada a escassez de tamanhos (devia pôr um processo ao Sr. Ortega para ele ajudar a pagar a terapia, porque sempre que saio de uma MD ou de uma Zara apetece-me ir ali dar um salto da 25 de Abril e mergulhar um bocadinho no Tejo) mas infelizmente gosto muito.

Há uma espécie de íman que me atrai para as lojas, vá-se lá saber porquê quando me limito aos acessórios mas pronto!

Mas eis 2 boas razões para visitar a MD (recomendo Chiado, Av. António Augusto Aguiar e Av. Liberdade onde os colaboradores são mesmo mtº simpáticos)


Lindas, lindas

Não descobri a etiqueta com preço

Gosto

Brogues, versão feminina.
Fartinha de saltos


Lamentavelmente salto raso e anca monstruosa não combinam muito bem mas já estou na fase do "prendam-me", quero lá saber.



A inveja é isto

Angie Harmon, nos Screen Actors Guild 2011

Modelo de Monique Lhuillier em tons rosa, estilo conto de fadas. O cabelo tinha ali uma estranha mancha castanha na raíz mas esta senhora, de voz muito sexy, tem 38 anos!!! 
E está Linda!!!