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Mensagens

Porque te quero

via @boudoir photography

Quero-te. Com tanto desejo quanto aquele que é possível carregar numa mão cheia de saudade. 
Quero-te. Com um sem fim de tremor que me percorre  como um todo-terreno pelo corpo e finda nas coxas que te pedem com urgência. 
Quero-te. Com a imensidão de quem não te prende com pernas em torno das tuas ancas para que estejamos em sintonia como sempre antes havíamos estado.
Quero-te. Com a sofreguidão de beijos que espalham paixão, tesão, carinho, intimidade. 
Quero-te. Porque ando às voltas na cama, desperta, quente, sedenta, possuída por insonias pela tua ausência.
Porque te quero. Porque me venho de amor com  com o teu toque.
Mensagens recentes

Das lutas

A duvida, dilacera. O talvez, exaspera. O desconhecimento, esfaqueia. O vazio do futuro, um ingrato passeio do dia a dia. 
Aceitamos que isso custa, baixamos os braços e resignamos ao imaginário conforto do pendulo do tempo. Ou lutamos, fazemos frente ao bloqueio do convencional e acreditamos que o que bate no peito sabe sabe para onde vai. Que há uma razão de ser que sustenta a insatisfação e a inquietação pois o melhor está pra' vir.

Da cicatriz devassa

O oráculo concluiu que cicatrizo rápido, que recupero célere das mazelas, com capacidade de regeneração qual heroína de filme. Reconstruo a máquina como se não houvera sofrido danos e sigo em frente, levando por arrasto o que haja no caminho.
Essa disponibilidade da derme, do corpo, da alma, em sarar será a razão pela qual sempre que te vejo, acedo. Sempre que te acercas e derrapas os dedos ao de leve pela nuca e pela espinha, atiro o pescoço para trás, fecho os olhos e deixo, sem duvidas, que me dispas. A roupa e a força.
E começa o jogo. A dança. A batalha. A estratégia. A nudez completa versus o ritmo lento. A intimidade total revelada sob os teus lábios, o não querer dizimado pelas minhas pernas que te prendem a mim e nos embalam sem palavras. Sem amor. Olhos nos olhos, pacto de luxúria e suor, costas arranhadas, ombros mordidos para calar quando estão a vir os gemidos.

O tempo passa contigo em mim. Sem cerimónias, ambos vitoriosos pelo que damos e pelo que recebemos. Tanto, êxtase f…

Dos dias sem fim

Dias sem fim à espera que viesses. Que desses um sinal. Que vivesses à altura, sem escapes. Que nada receasses. 
Que te deixasses libertar sem frases feitas, calculadas. Que me olhasses directamente nos olhos, os vincasses com destrutibilidade e soubesses exactamente o que neles procurar, com a curiosidade de criança de descobrir (sempre) algo diferente. Ser arrojado em pleno, não apenas em planos grandiosos, mas encarares as minhas olheiras de sexo, ansiedade e desconfiança e quereres mais.
Sempre em fuga, qual herói de BD, com timidez desarmante, cortas com facas afiadas que são as tuas palavras, o silêncio que nos inquieta por ser demasiado confortável, íntimo, como se a segurança fosse um desconhecido risco movediço, insuportável a quem está habituado ao arame. 
E a solidão é mais que um desígnio, é o que nos une.
Posso-te combater, como tudo que enfrento? Posso-te roubar paz ou dizer-te que te dou sossego pois isso me suaviza as cicatrizes? Desafiar a lei da lógica num caos imenso qu…

Da luxuria à flor da pele

Pode o desejo ser definido por palavras em linhas rectas? Um toque traduzido em vários pontos até que se perceba? Um arrepio que cai nas páginas de um caderno? 
Não há sopro que consiga expressar a pulsão. A riqueza de um idioma não é suficiente para enaltecer a corrida da luxúria à flor da pele, a percepção galopante, desabrida e as emoções febris de uma voz contida. 
A vontade é como um fio de cabelo que se solta lentamente, de forma insinuante, mas com urgência e se estende por umas costas nuas expectantes.

Do cheiro a ti

Cheiro a ti. Deixaste esse cheiro pela mesa, entre os copos vazios. Pelo quarto apesar das janelas abertas de ausência. Pelos meus cabelos tão revoltos de gente perdida como a ansiedade do meu estado de espirito. 

Deixaste o teu cheiro nos meus pensamentos com a mesma violência como desalinhaste o meu interior longínquo, remexeste o caminho com saciedade e com a facilidade de peregrino que sabia o trilho. 
Tenho o teu cheiro colado a mim e não sei como esquecer esse frenesim na espinha. O desejo não aplaca a falta de expectativas nem o som acelerado dos teus olhos quando te faço rir. 
Deixaste o rasto do teu cheiro preso no corredor escuro, entre livros, gemidos, saudade inconfessável. 
Ficou o teu cheiro algures numa rua que atravessei em sentido contrário, sob a chuva fria, calçada íngreme, passos incertos, sem receios, só o prazer do teu cheiro a devastar a carne em rodopio. 
Nada mais que o teu cheiro, nem forte nem doce. Só teu. Intransponível.

Da carnificina

De todas as vulnerabilidades que pode ela ter, ele é quem mais lhe vinca a alma. A mais rasgativa e sem explicações. 
É o som da madeira a estalar que por vezes se ouve, do nada, inusitadamente, sem saber como e de onde aparece. Ele é a caneta que se procura até desistir, se julga perdida e, subitamente, aparece à descarada no sítio mais óbvio. Ele é como uma nota abandonada num casaco que já há muito não se usa e, por surpresa, se amarrota sob os nossos dedos nervosos, quando nos refugíamos, à procura de uma atenuante de ansiedade, mãos nos bolsos. 
Assim é ele, esse inexplicável bloqueio dela.
Tudo remonta ao que ele lhe vetou, a esses olhos tão doridos como vivos, tão carentes como assassinos, à voz tão destruidora como radiofónica. Aos beijos dele sem igual, brasa ardente que foi carnificina.
A imagem que ela guarda dele é uma sombra que a corrói. Não é boa, não é má, não existe mas perdura. Inequivocamente, ela não existe para ele e isso só lhe faz lembrar o falhanço que é ainda ele …