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Mensagens

Da alegria

Gosto desses olhos que se iluminam e que pausam em mim como se nada mais existisse naquele longo momento. Esse olhar decidido, seguro, revelador de um modo de estar ciente do que se quer e descomplicado.
Fazes-me rir. Como se o mundo fosse fácil. Como se salvar-me das trevas não fosse uma missão mas sim manter-me saciada, livre, às gargalhadas, serena e em silencio, a ler com as pernas esticadas sobre ti.

Gosto das madrugadas de surf, mesmo ao frio. Dos beijos salgados e daquele teu cheiro misturado com água gelada. O cheiro que ainda hoje me faz ficar apreensiva, receosa, quando acordo a meio da noite e te ouço a respirar devagarinho e aquele cheiro está encostado a mim. E como aquele cheiro me apareceu e inundou de alegria.
Mensagens recentes

Do massacre

Houve um tempo em que te quis muito. Te quis tanto que doía-me acordar e saber que não me querias. Perfurava os ossos saber-te longe pela distância que me impuseras.
Houve um tempo em que estar contigo era o meu descanso de guerreira que bailava com o meu mais feroz desejo. Descobri contigo que estar com alguém com o verbo gostar intensamente envolvido era algo que me trazia paz, emoção, risco, calma. Era algo que me completava, suavizava e desafiava.
Houve um tempo em que as tuas mensagens me punham bem disposta e me faziam rir com gosto e ar de criança. Saber-te a pensar em mim era alimento, catalisador, segurança. Quando os telefones se quedaram mudos, a rejeição ecoou gritante dentro de mim.
Houve um tempo em que não sabíamos nada, era tudo novo mas o caminho para ambos era automático. Magnético. Destinado. Até que num ápice se derreteu como folhas atiradas para uma lareira.
Houve um tempo de arrebatamento violento mas o massacre que se seguiu foi mais veloz, profundo, derramado sem j…

Do lugar certo

Sentia-se cansada, com cabelo indomável, cara queimada do sol, exausta, mas com desejo sem fim. Queria-o. Com ele era a intensidade certa, a profundidade certa, a força certa, o aperto certo. E o beijo. Tesão imediata e única com um abraço sem igual. O melhor. Com ele dormia sempre tranquila. Nos braços certos.
Na sua ausência, de alguém que a preenchesse assim, depois de todos demais falhanços, sentia a falta da violência daquela paixão agressiva que lhe consumia todos os cantos da mente até não se lembrar de nada mais. Apenas que era dele, toda sua e sem volta atrás, sem apelo, sem pensar, sem controlo, dor e submissão e, por fim, aquele rasgo de meiguice. Um afecto só deles. Tudo se rompia, sem pudor, até todas dores e rejeições saírem, até todos os enganos e dissimulações serem abolidos da sua mente.
Queria-lhe o toque animal. O olhar de quem a devora e, sem hesitações, solta todos os seus demónios, dominando os dela e libertando os de ambos. Queria a sua vontade quebrada, sentir-se…

Da elegância do beijo

A madrugada já vai longa e só agora partes pois é cada vez mais difícil que nos separemos. Nenhum o admite, no entanto, respira-se um travo de calma e boa-ventura no torpor do corpo e na elegância do teu beijo de despedida.
À janela, recolhida sob um lençol, vejo-te acender um cigarro e, parado, absorveres o frio matinal para apaziguares o desejo. De estar. Apenas. Ainda que tão difícil de dizê-lo.
Somos tão iguais. Caídos num silêncio que nos conforta, que nos esconde das confissões, sustenta o brilho dos nossos olhos e nos aproxima apesar dos bloqueios em manifestar mais do que um ardente toque.
Quando partes, sinto-te a falta. Enquanto não regressas, sinto-te a falta. E tu não és diferente. Quando regressares, apertas-me com tal força que sei que trazes o fresco do fim do dia e paixão amplificada. 

Das mentiras que te menti

via boudoir photography
Sim, é verdade, fugi. Escapei-me sem que desses por isso e fechei a porta; antes ainda te olhei uma última vez porque apesar de não saber porque partia e que força era aquela que me empurrava, sabia que te queria.
Também já te tinha abandonado tantas outras vezes. Seguramente que reparaste e foste-te sarando as feridas ao ar sem tratamento porque não me redimi.
Quando te deixei à espera para jantar porque prolonguei telefonemas com amigos sem me lembrar de te avisar que me ia atrasar apenas por estar a por a conversa em dia. Quando tu aninhada a mim me provocavas, a quente, e eu parava, de forma desinteressada, para dar atenção ao telemóvel com temas não prioritários de gajos. Quando te deixava num local e arrancava sem sequer esperar que atravessasses a estrada. Quando saíste a primeira vez da minha casa, numa madrugada fria, com Uber ainda por chegar, e que apesar de pleno pela pessoa que eras, certo que te adorava, mas nem sequer me levantei para te levar à por…

Das mentiras que ouvi

O corpo vigoroso rolou na cama e enroscou-se nela para completar o seu sono. Era belo. Jovem. Meigo. Abraçou-a e continuou a dormir, em paz. Ela não o quis acordar e deixou-se estar naqueles braços que por esta noite, como noutras tantas, vieram em seu socorro para acalmar a fome, a falta de calor, a dureza de palavras que ainda lhe ecoavam na pele, no espírito, na memória quando tentava dormir.
Os danos repercutem-se tempos a fio sem que saibamos quando cessam. Os riscos, as apostas, os desejos, o carinho nunca são suficientes. Nunca preenchem todas as necessidades, vazios, afectos. A sensação de ficar sempre aquém perseguia-a como um formigueiro. A atitude cínica tornara-se como uma dormência constante, mecanismo de alerta para que nunca suavizasse a defesa.
Ele beijou-lhe um ombro, a dormir, de instinto e não amor. Devolveu-a do torpor e lembrou-a das noites sem fim protegida por um outro abraço, no qual desaparecia com facilidade e felicidade sob palavras reais que eram apenas vãs. …

Da invasão

Amei-te assim que te quis. Senti-me presa a ti assim que soube que estavas na minha vida. Desejei-te todos os dias desde que me invadiste. 
Soltaste-me a curiosidade.  O inesperado. 
Enches-me de alegria. mesmo quando não sei o que fazer contigo, como agir, como ser o meu melhor; e ainda assim ilumino com a tua presença. Sou a mesma mas numa versão upgraded. 
Esperei-te, queria-te. Há toda uma aventura que nos guia.