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Do Desapego




Amarrei-te. Rasguei-te. Deitei-te fora. 
Revi-te como uma carta escrita há muito e queimei-te palavra por palavra. 
Queria tanto que estivesses como morto para mim mas vivias num recanto de mim tão confortável que ao despertares me causava dispersão, dor, mágoa, estado puro de inquietação. Não te enterrava. Não renascias. Resistias a ser expulso. Ou era eu que me demorava a ter força para te destruir, peça por peça, memória por memória, fado por cada Sinatra. 
A purga tornou-se premente. Deixar passar os tempos, o que não foi, as frases que infligiste, o nunca ser eu. 
Não foste tu, não podes ocupar-me. 

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