Avançar para o conteúdo principal

O que não gosto no Natal.

Eu adoro o Natal. Por mim, tinha a árvore montada todo o ano e decorações espalhadas pela casa. Mas como em todas as coisas, até esta belíssima época tem os seus momentos dr jekyll & mr hyde, o seu Yin Yang.
Começa logo porque detesto Circo. Qualquer que seja, do mais chunga ao armado ao pingarelho. Odeio. Palhaços, malabaristas, macacos, era tudo corrido à chicotada. Citando Caco Antibes, "croquete é coisa de pobre". LOL. Dei das maiores infelicidades ao meu pai porque ele gostava e eu desde miúda recusava ir. Era o mesmo escândalo para ir a Igrejas. Tendas e padres, comigo, não dá!
Depois, não suporto a dieta natalícia. Rabanadas, sonhos, fatias douradas, bacalhau e couve, de fugir... Mas mau mesmo, Bolo Rei. Pior invençãozinha não há (depois da gloriosa ideia tuga do folclore). Entre as passas e fruta cristalizada e aquela cobertura de fazer doer os dentes, é tudo um horror. Adoptei a minha própria tradição: dia 24, croiassant de chocolate da Bénard.
A coisa agrava-se. Não gosto dos so called famous people aka VIP's da treta que se multiplicam em festas e eventos para ajudar os mais desfavorecidos quando durante todo o ano, longe do barulho dos flashes, se estão positivamente a borrifar para os menos privilegiados. Aliás, até fogem deles na rua apesar de muitas vezes estes VIPs serem mais miseráveis de espírito do que aqueles que precisam. E adoro quando vão dar apoio a sem abrigos, muitos deles consumidores de drogas, e fazem aquele ar de consternação quando passam a vida na casa de banho a cheirar coca. É de uma hipocrisia, o que não é de espantar dado que estas "pessoas" vivem no mundo do Noody, como se a vida fosse uma grande telenovela da TVI: com overacting, más interpretações, close-ups de bradar aos céus e historias tão idiotas como os idiotas que são auto denominados actores.
Uma ou outra figura publica, acredito que dê a cara, e o espírito, a iniciativas em que a imagem vale 1.000 flashes e se consegue a atenção devida para causas com glória e, muitas vezes, com dificuldades. Mas a maioria luta mesmo pela auto promoção: "Gosto muito de crianças, quero muito ser mãe, é um sonho adiado... "(até arranjar algum tanso que pague a cesariana e os tratamentos pós-parto e depois pague, mesmo, a pensão de alimentos); "Esta historia faz-nos lembrar todos aqueles que precisam" (estou a imaginar o Angélico a dizer isto e até doem os ouvidos). Clichés, clichés.

Em seguida, os pais histéricos, a comprar a Toys 'R Us toda para as criancinhas mal educadas (aquelas que deviam ser barradas às portas de restaurantes, até determinada idade), mimadas com telemóveis aos 5 anos, PSP aos 7 e todas as demais coisas que a Leopoldina, a Popota e o cartão de crédito já gasto dos pais trazem. Em criança, lembro-me de ficar feliz de receber livros, um conjunto novo de canetas, mais um dossier do Sempre em Festa. E Bombocas. Haviam sempre Bombocas na chaminé. E dinheiro... desde pequena que delirava com as notas que saíam dos envelopes (prontamente retiradas da minha mão e postas a aforrar), era um fascínio! E jogos e roupas mas em doses controladas e devidamente controladas pela autoridade doméstica.
Hoje compensa-se a falta dessa autoridade com presentes, ensina-se que receber é um acto passivo de ter e, assim, é fácil ter, logo tudo será fácil.
Não gosto de e-cards. Mea culpa que também os envio, por temas de trabalho sobretudo. É simpático receber, menos quando inundam o email (geralmente no dia clássico das pessoas irem de ferias), há umas coisas girissimas, é ecológico e uma opção mais barata. Mas não é a mesma coisa.
Gosto mesmo é de escrever postais às pessoas de quem gosto, daqueles de papel, através dos quais lhes passo a minha mensagem especial, com o meu punho e ao correr do que se sente. Tenho pena que anualmente se reduzam os postais que recebo: sobram o dentista, os bancos, o Corte Inglés, e alguns (poucos) amigos que me mandam postais. Gente, movam esses rabos, vao comprar postais, escrevam qualquer coisa com significado e vão para a fila dos Correios. As pessoas estão indolentes e acomodadas. E não venham com tangas da revolução verde porque depois não fecham a água no duche, não reciclam lixo e atiram aerosois de toda a espécie para o ar. Tretas ...
Não gosto! Desaprendemos de escrever, de abrir um postal virgem que pede para ser marcado pelas emoções. E agora até há uns selos que quando se lambuza fica a saber a língua a café. Maravilha!
Não me mandem SMS com piadas ou mensagens natalícias standardizadas para toda a lista de contactos do telemóvel. Ou ligam ou mandam SMS personalizada. É que é uma avalanche de SMS tipo as das promoções da Sacoor ou do Citibank. Pouco digno.
Não gosto pessoas que andam às compras de ultima hora. Não por terem deixado para o fim as compras mas pela histeria colectiva que passa a reinar na cabecinha desta gente que de repente parece que caíram numa mega taça de eggnog e ficaram TONTAS de todo. Veja-se a Zezinha Nogueira Pinto, a cretinice toda veio do stress pré-compras de natal antes da missa do galo.
O que não gosto mesmo é não poder joy the moment enclausurada de manha à noite, sem ter tempo para contemplar as iluminações, comer castanhas ao frio, pela rua em fins de tarde alfacinha, ver a alegria dos miúdos, não poder fazer voluntariado porque estou sempre em lista de espera (e com a minha vida profissional de sucesso garantias de poder aparecer também são altíssimas...) e ter que fazer malabarismos para jantares, lanches e almoços de natal. Loucura.
Mas, reitero, adoro esta época, viva a cocacola e o Pai Natal e ADORO PRESENTES. Não se esqueçam. Não gosto nada de não recebê-los!!!

Comentários

Vera disse…
Olá Mónica :-)
Descobri-te através do PRR e decidi vir espreitar. Logo no post sobre o Natal fiquei identificada. Também eu detesto as mensagens electrónicas e "copy-paste" de Natal. Não há nada que chegue ao belo postal em papel reciclado ou não, com o belo do envelope manuscrito e o selo lambido. Todos os anos escrevo dezenas de postais e recebo menos do que os dedos de uma mão. Mas não faz mal. Escrever é o meu maior vício e por ele, vou continuar a escrever postais de Natal!
Um beijo natalício
Matta disse…
Adorei o texto e identifico-me em (quase) tudo... mas não gostar de Bolo Rei e frutas secas é um "crime". Como é possível não se gostar???? Então quando se vai comprar o Bolo Rei, ainda quente e chegamos a casa e o bolo já morno, nada como uma generosa fatia e deliciar-se sentado no sofá junto à lareira acopanhado de um belo Porto... hmmmmmmmmmmmmmm... Isto sim, é NATAL! :-)

Post Scriptum: Não conheço os croissants de chocolate da Bénard, mas adorava ter a oportunidade de saborear um... :-)))) Viva o Natal, CocaCola e Pai Natal!!!
Mónica disse…
Bem-vinda Vera!!! obg pelo comentario

MP

Mensagens populares deste blogue

Do arrebatamento

O vestido caiu facilmente. Estava apenas preso pelas alças nos ombros magros e deslizou com vontade declarada pelo corpo, até ao chão, enquanto ela acendia uma única luz de presença.

Beijou-lhe o ventre. Sentiu-o a tremer. Antecipação. Expectativa. Sentia-lhe o calor sem sequer tocar. Era como uma fonte inesgotável de desejo prestes a desmoronar-se com um toque. Os dedos enfiaram-se entre a pele e a linha das cuecas de renda fazendo-as sair com mestria. Estava liberta, da máscara de tecidos, não das demais camadas de protecção. Tal não a impedia de arfar baixinho e com satisfação sob um rosto que perdia vergonha a cada caída da cabeça para trás.


Nua, encostada à parede fria, costas arqueadas, totalmente exposta viu-a a desmontar-se com cuidado ao primeiro beijo que se colou à boca como dali não houvera saída. Era intenso, forte, penetrante o modo como ela o arrastava para si com a língua e uma perna em torno da cintura.


Todo aquele momento era primário, selvagem, sem travões ainda que, e…

Das razões

Quero-te pela desarrumação incompreensível que somos. Quero-te pela forma como me procuras à noite na cama, ainda a dormir, de modo instintivo, apenas para te recostares do mundo e amaciares no meu calor. Quero-te (tanto) quando sais do mar, feliz e salgado, qual criança livre agarrado à prancha como se fosse o teu bem mais precioso, a tua melhor amiga, a porta para o teu refúgio. Quero-te pelos beijos inesperados, lentos, que invadem qual descarga eléctrica, e afirmam sem hesitações desejo e amor. Quero-te pela forma como te afundas num livro e tudo à volta entra em pause-still e, mesmo assim, de repente tocas-me no joelho, no cabelo, dás-me a mão. Quero-te porque sei que acreditas em mim e não me questionas, crês que posso mudar o mundo. Quero-te pela tesão, confiança, cumplicidade e pelas saudades que temos, ainda, sempre, um do outro. Quero-te por te rires quando começo a cantar músicas que gosto e ouço a tocar, esteja onde esteja. Quero-te por dançarmos na rua se preciso entre ga…

Dos maldiitos

via boudoir photography

Agora acordo com mensagens que iluminam o telemóvel e em que dás conta de como pensas em mim antes de dormir. E que o queres partilhar comigo porque agora sentes saudades minhas. Agora recebo telefonemas sem hora nem expectativa e a voz é meiga e quente. Não ouço nada do que dizes, as palavras apenas são ditas mas há muito que já não têm peso ou impacto.
Antes foi a indecisão. O jogo dos que não se comprometem, que querem atalhos facilitados para um espaço confortável de repouso, salvação emocional momentânea, ilusão de pertença. Egoísta forma de ser que suga o querer dos outros para se sustentar, para sentir uma rede rápida de carinho e abraço mas que reclama para si a indisponibilidade de reciprocidade. Para quê? Se vos é dado grátis um sentimento para que serve o esforço de lutar por ele, qual o propósito de envolvimento, de estar, dar a mão, partilhar silêncios e perder a possibilidade de ter mais e mais, melhor, diferente, sempre mais, outras.
Era assim, ante…