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Palavras sábias de milho salteado com açucar

Ao ler o blog da Pipoca encontrei este post:

"Há uns dois anos, quando estava a passar pelo maior desgosto de amor de todos os tempos, aquele que me estilhaçou o coração em dois milhões de pedaços, escrevi um texto em que dizia que não era feliz todos os dias. Não era e não fazia questão de o ser. Não tinha particular vontade de sair da cama, menos ainda de vir trabalhar, estar com pessoas, ensaiar conversas de circunstância quando tudo o que me apetecia era estar em silêncio. Não queria pôr cara alegre, porque alegre era tudo o que eu não me sentia. E havia quem levasse isso a peito, quem não estivesse habituado aos meus maus fígados, quem preferisse sempre a pessoa de resposta na língua e piada fácil. Pois. Não fui essa pessoa durante muito tempo e mesmo agora, olhando para trás, acho que alguma coisa se perdeu irremediavelmente. Ou isso ou fui eu que cresci e já não consigo olhar para a vida com o mesmo encantamento. A verdade é que continuo a não ser feliz todos os dias. "

O texto continua mas versa sobre o quão dificil é manter uma relação nem sempre viçosa.

No entanto, o que me abalou foi encontrar alguém que admite que não é feliz todos os dias.

Que sabe o que é não ter vontade de levantar da cama e de estar com pessoas.

Que sabe a chatice dolorosa que é ter que fazer conversa, porque sim, e manter uma cara bem disposta porque não é permitido outra coisa.

Porque mais ninguém entende. E porque mesmo que até entendam é mais fácil virar a cara e dizer "esta gaja está sempre deprê" e desistirem de nós. Não quererem ser vistos na nossa presença.

Há pessoas que nos surgem como balões de oxigénio e nos dão a mão mas, é ilusório, depois passa-lhes o momento caridoso e partem para paragens mais alegres, com pessoas mais divertidas, mais giras e com mais espirito para festas.

Eu não sou feliz todos os dias.

Caramba, eu sou feliz tão de vez em quando que às vezes até já confundo com sintomas de gripe. Isso faz de mim, talvez, um ser estranho mas tenho direito à minha não felicidade e à minha incapacidade de o superar.

Eu não sou feliz todos os dias. Tal como a Pipoca escreve, acho que alguma coisa se perdeu irremediavelmente.

Vou fingir? Não posso. Não sou feliz todos os dias, vou vivendo os dias todos.














Comentários

Anónimo disse…
como eu te entendo. Beijinho grande
Bolota Rabina disse…
Darl,
já o outro escrevia: viver todos os dias cansa.
Ninguém é feliz todos os dias. Faz parte da condição humana. O problema é q tb faz parte da condição humana ser-se cobarde e não admitir q não se é feliz todos os dias. Sobretudo qd se vive rodeado de humanos q procuram impingir tal ideia e qd vivemos numa sociedade onde a felicidade e o amor se tornaram na nova religião.
Besos.

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gaja à beira da loucura

Isto pode paracer a demência absoluta mas já estou por tudo. A Alexandra Solnado (isso mesmo, este post vai por esse caminho...) dizia numa entrevista, há umas semanas, ao promover o seu mais recente "livro" que a maioria das pessoas que lhe aparecem para consultas, são pessoas doentes - jura?!
Agora, a sério, as pessoas padecem de doenças fisicas e, no seu desespero, que nem é discutivel porque cada um saberá o que se sente quando se chega a esse patamar, procuram ajuda ou conforto no projecto da Alexandra Solnado (é assim que se chama). Posto isto, explicava a Alexandra Solnado que as doenças são, não obstante, reflexos de outros problemas mais antigos ou e a outros níveis. Não me recordo dos exemplos que ela dava mas era algo como pessoas que tinham tido muitos desgostos e uma vida marcada pela tristeza, desenvolviam uma doença grave em especifico, localizada numa área do corpo em particular. 
Ora, e dando o beneficio da duvida a esta teoria (pois que temos a perder?), gosta…

Inesperadamente, a semana passada

Uns dias bons.
O  25 de Abril. Comer caracóis, os primeiros deste ano. Passear e trabalhar no Porto, deambular nos Clérigos. Diariamente, sessões de The Newsroom e Melhor do Que Falecer. O Pedro Mexia e os ferrinhos na emissão especial do Governo Sombra (e a banda sonora e a Manuela Azevedo e as citações certeiras de Salazar bem seleccionadas por Ricardo Araujo Pereira). O Benfica, tão grande! Opá, o Benfica ❤️

Organismos Unicelulares ...

"alimentam-se" de pequenos prazeres (no pouco tempo) quando não estão a trabalhar (como é o caso!).





Filme para incomodar, para gerar desconforto, que nos deixa sem conseguir estar sentados. Um filme que não é para quem não se gosta de ver ao "espelho".  A ultima cena, explica tudo. 


Por fim, TV Cine Séries. YES!



National Geographic, às 2ª F

A rever. O Original. Só este interessa. 



De volta. Gente estranha. Dia 25!