terça-feira, 11 de maio de 2010

Palavras sábias de milho salteado com açucar

Ao ler o blog da Pipoca encontrei este post:

"Há uns dois anos, quando estava a passar pelo maior desgosto de amor de todos os tempos, aquele que me estilhaçou o coração em dois milhões de pedaços, escrevi um texto em que dizia que não era feliz todos os dias. Não era e não fazia questão de o ser. Não tinha particular vontade de sair da cama, menos ainda de vir trabalhar, estar com pessoas, ensaiar conversas de circunstância quando tudo o que me apetecia era estar em silêncio. Não queria pôr cara alegre, porque alegre era tudo o que eu não me sentia. E havia quem levasse isso a peito, quem não estivesse habituado aos meus maus fígados, quem preferisse sempre a pessoa de resposta na língua e piada fácil. Pois. Não fui essa pessoa durante muito tempo e mesmo agora, olhando para trás, acho que alguma coisa se perdeu irremediavelmente. Ou isso ou fui eu que cresci e já não consigo olhar para a vida com o mesmo encantamento. A verdade é que continuo a não ser feliz todos os dias. "

O texto continua mas versa sobre o quão dificil é manter uma relação nem sempre viçosa.

No entanto, o que me abalou foi encontrar alguém que admite que não é feliz todos os dias.

Que sabe o que é não ter vontade de levantar da cama e de estar com pessoas.

Que sabe a chatice dolorosa que é ter que fazer conversa, porque sim, e manter uma cara bem disposta porque não é permitido outra coisa.

Porque mais ninguém entende. E porque mesmo que até entendam é mais fácil virar a cara e dizer "esta gaja está sempre deprê" e desistirem de nós. Não quererem ser vistos na nossa presença.

Há pessoas que nos surgem como balões de oxigénio e nos dão a mão mas, é ilusório, depois passa-lhes o momento caridoso e partem para paragens mais alegres, com pessoas mais divertidas, mais giras e com mais espirito para festas.

Eu não sou feliz todos os dias.

Caramba, eu sou feliz tão de vez em quando que às vezes até já confundo com sintomas de gripe. Isso faz de mim, talvez, um ser estranho mas tenho direito à minha não felicidade e à minha incapacidade de o superar.

Eu não sou feliz todos os dias. Tal como a Pipoca escreve, acho que alguma coisa se perdeu irremediavelmente.

Vou fingir? Não posso. Não sou feliz todos os dias, vou vivendo os dias todos.














2 comentários:

Anónimo disse...

como eu te entendo. Beijinho grande

Bolota Rabina disse...

Darl,
já o outro escrevia: viver todos os dias cansa.
Ninguém é feliz todos os dias. Faz parte da condição humana. O problema é q tb faz parte da condição humana ser-se cobarde e não admitir q não se é feliz todos os dias. Sobretudo qd se vive rodeado de humanos q procuram impingir tal ideia e qd vivemos numa sociedade onde a felicidade e o amor se tornaram na nova religião.
Besos.