segunda-feira, 28 de junho de 2010

hoje estou triste

já acordei consumida com uma força a apertar cá dentro. Ou seja, o estado de espírito predispunha-se a isto. O Facebook fez o resto. 

Uma das pessoas que um dia (não há muito tempo) considerei alguém que mais estimava e mais achava ser das melhores pessoas do mundo, alguém por quem tinha muito carinho, casou. Já este ano. Eu soube porque encontrei-a por acaso no FB.

Verdade seja dita, não falamos há quase 2 anos. Verdade seja dita que em Março de 2009 embalei o presente de anos dela (de Setembro de 2008), e os presentes de Natal dela e da mãe mais o presente de anos da mãe (de Janeiro 2009), meti-os no correio com um post-it a dar a despedida que se tornara moribunda por mais que eu tentasse que ela não definhasse.

Primeiro foi o namoro. Os fins de semana eram divididos fora de Lisboa (casa dele) ou em Lisboa (com ele) e nunca havia tempo ou interesse em combinar coisas. Depois acabou o namoro, era a pós graduação e o trabalho. Os encontros rareavam cada vez mais. Resumiam-se aos meus aniversários e aos dias pré-natalícios. Nunca era convidada para os aniversários dela.

Cada vez menos me respondia às mensagens, ou aos emails ou aos telefonemas. 

Os presentes passaram a ser coisas nada a ver comigo, comprados ou reciclados à pressa, enquanto eu me esforçava para encontrar o presente especial. Em 2008 já não houve boas festas quanto mais tradicional chá em minha casa. No meu aniversário já não houve nem sequer uma SMS e eu cansei-me. 

Chegou a um momento em que, tal como numa relação, uma pessoa deixa de lutar, é realista e assume as merdas de frente. Pelos amigos tudo, mas há tolerância e quando se percebe que a outra pessoa nos exclui, é enfiar a viola no saco e ir cantar para outra praça.

A questão é que nunca nos chateámos, nunca deixei de ser quem sou e não me parecia que ela tivesse mudado mas aparentemente a química morrera. Achei que entre amigos, em estado adulto, isso não acontecia. 

Aparentemente, fui rejeitada. Esta merda dói, mesmo que seja a posteriori. Na altura, cortar com ela custou mas era uma época em que havia tanta coisa má na minha vida que o caminho fazia-se andando. 

Mas, magoa. À distância, magoa perder uma referencia sem se saber porquê. Uma pessoa dá-se, cria raízes, partilha momentos da vida, ri-se e chora-se, apoia e é apoiada e, de repente, os estilhaços acabam por fazer mossa. Não ter participado num momento importante da vida dela, deixa-me  triste.

Numa amizade, não entendo. 

Como uma vez ouvi numa peça de teatro, são as boas pessoas que nos lixam a vida. 

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