Avançar para o conteúdo principal

Double standards

Aceito que pessoas que sempre mantiveram voto de confiança no governo e nas medidas de austeridade como solução possível estejam ainda a defender status quo como garante da estabilidade. 


Eu própria concedo que a estabilidade é melhor, mesmo em cenários difíceis, que a indecisão e a duvida. Que essa volatilidade acarreta efeitos negativos. Mas a bem da verdade, a crise política actual foi criada no seio do Governo, pelos lideres da coligação, que não a souberam gerir ou resgatar. E é aprofundada a cada momento por uma ingovernabilidade previsível. Não quero com isto dizer que há razoes para ir festejar. Isso é esquecer que está um país em suspenso. Eu não votei nesta gente, não lhes reconheço capacidades, mérito, honestidade intelectual (e grosso modo, honestidade no geral) mas sofro como os demais. 

O que não entendo é que pessoas que tão activamente se manifestaram contra a austeridade, contra as medidas que foram sendo tomadas, que animaram outros nas suas páginas do facebook ou em blogues para irem às manifestações de Setembro ou de Fevereiro, mas agora estejam em estado de choque por uma grande maioria das pessoas se querer ver livre do governo que se manteve hirto nessa austeridade mesmo quando esta falhou em toda a linha, quando o seu principal porta estandarte assumiu que não havia resultado e o no número 2 do governo não concorda que se mantenha esta política. A mesma contra a qual as manifestações em muito se fizeram. 

E, coerência? 

Claro, estamos a viver momentos inseguros mas ser contra austeridade é só isso? Tirar fotografias para por nas redes sociais e escrever uns posts que geram buzz? Perante um impacto desencadeado por um governo há muito em desnorte ja se muda o discurso para "vêem o que fizeram, seus irresponsáveis, agora vamos ainda ficar pior?" , " agora é o Tozé e a desgraça total" (sim, o Seguro é uma nódoa!). 


Mas afinal o que querem estes opinion leaders wannabe? Decidam-se, tenham uma opinião e mantenham-na. Isto não é fazer publicidade ao Jumbo hoje, ao Lidl amanha. Conteúdo, gente! Fracas pessoas.

Comentários

Ana Paula Dias disse…
Subscrevo na integra.
Continuo estupefacta e sem palavras. Não quero sequer pensar no que pode vir aí. cambada de fedelhos mimados.
Mónica disse…
verdadeiro caos mas pior é ver que as gerações anteriores validaram erros e nós permitimos coisas que não devíamos e há pra' chico-espertos que só pensam, dizem coisas que dá vontade de os atirar da ponte. temos demasiadas pessoas sem escrúpulos. Sobretudo com espaço para opinar

Mensagens populares deste blogue

A importância de se chamar Candidato

Numa altura em que as empresas recorrem cada vez mais às redes sociais para procurar candidatos a postos de trabalho (89%) e que 65% por cento é bem-sucedida, conseguindo contratações satisfatórias (Fonte: PR Comunicácion) convinha que as empresas de recrutamento e de executive search pensassem um bocadinho mais sobre o seu modus operandi.


Falo por experiência, por conhecimento e por não ter conseguido efectivar mudanças. 

O headhunter da velha guarda, armado em doutrina maquiavélica, que nunca leu, perspectiva o candidato como um meio para atingir um fim: facturar.  O candidato só serve enquanto servir os interesses do projecto. A satisfação do cliente é posta à frente de tudo e todos. Esta sobranceira linha de raciocínio,  a frio, tem alguma razão de ser. Quem paga as contas são os clientes. Como metodologia, é um erro crasso.
Num mercado concorrencial, um factor claramente diferenciador é a relação que se estabelece entre um consultor e os seus candidatos, pelo menos com aqueles que a…

gaja à beira da loucura

Isto pode paracer a demência absoluta mas já estou por tudo. A Alexandra Solnado (isso mesmo, este post vai por esse caminho...) dizia numa entrevista, há umas semanas, ao promover o seu mais recente "livro" que a maioria das pessoas que lhe aparecem para consultas, são pessoas doentes - jura?!
Agora, a sério, as pessoas padecem de doenças fisicas e, no seu desespero, que nem é discutivel porque cada um saberá o que se sente quando se chega a esse patamar, procuram ajuda ou conforto no projecto da Alexandra Solnado (é assim que se chama). Posto isto, explicava a Alexandra Solnado que as doenças são, não obstante, reflexos de outros problemas mais antigos ou e a outros níveis. Não me recordo dos exemplos que ela dava mas era algo como pessoas que tinham tido muitos desgostos e uma vida marcada pela tristeza, desenvolviam uma doença grave em especifico, localizada numa área do corpo em particular. 
Ora, e dando o beneficio da duvida a esta teoria (pois que temos a perder?), gosta…

Inesperadamente, a semana passada

Uns dias bons.
O  25 de Abril. Comer caracóis, os primeiros deste ano. Passear e trabalhar no Porto, deambular nos Clérigos. Diariamente, sessões de The Newsroom e Melhor do Que Falecer. O Pedro Mexia e os ferrinhos na emissão especial do Governo Sombra (e a banda sonora e a Manuela Azevedo e as citações certeiras de Salazar bem seleccionadas por Ricardo Araujo Pereira). O Benfica, tão grande! Opá, o Benfica ❤️