terça-feira, 16 de julho de 2013

Total devaneio

Estou profundamente convencida que o touro que invadiu o hospital em Vila Real ia fugido às gentes da SIC, com muito medinho e na confusão galgou o hospital como se fosse uma igreja em busca de guarida sagrada. Que querem, é um touro! A troca até é compreensível. 

Não que tenha visto a experiência televisiva da SIC. Não vi, não surfei, não zappei, nada. Não vejo tv generalista, nem hoje, nem há um mês, nem há uns dois anos nem certamente nos próximos 1.825 dias. À falta de cabo, há música, livros, silencio, banho imersão. Não é cagança. É assim mesmo. Também não suporto brócolos, logo não os como e não tenho curiosidade em vê-los cozinhar, prová-los, cheirá-los, decorar o prato com eles. Voltando ao touro frio... Não tendo visto, pelo que soube, apesar de ser de uma estupidez gritante e da ausência de massa encefálica associada, à semelhança do vazio dos big brothers ou das casas dos famosos (?), teve audiências. 

Agora, digam-me, espantamo-nos assim tanto com esta maravilha de demissões, nomeações de ministras com lastro de toxicidade, governos nos quais não se percebe quem ainda é quem, negociações de salvação nacional que são "apenas" diálogos, a capacidade de Portas ir mais além ao tentar remodelar a Enciclopédia Portuguesa com as mudanças de conceito e, em simultâneo, lançar-nos em guerra com o Evo, fazer-de-agente-imobiliário-de-escritórios-de-alto-luxo-para-cargos-que-não-se-tem... Ufa! A serio, alguma surpresa? 

É que não me lixem... Ninguém que eu conheço que vê ou admite ter "dado uma vista de olhos" nos BB, no Splash ou na coisa dos touros, é classe C ou D. Aliás ou têm horror a povo ou estão em negação de que vieram do povo porque são muita finos, agora. Mas quando pensamos nestes programas é nas pessoas menos cultas ou com menos opções sócio-económicas que pensamos. Vai-se a ver a acefalia é transversal. Vai também dai, e o mistério deste pais reside onde, mesmo? 

E percebe-se como aquele desgraçado correu, correu, correu, sob 50º nos EUA, 270km, qual Forrest Gump. E ganhou. Com os fantasmas e a raiva que temos para exorcizar de viver nesta esquizofrenia e com a moleirinha toda frita do sol e do desnível, o homem entrou em loop non-stop

Carlos Sá é o meu herói. Não porque soubesse sequer o que era a Badwater, ou porque goste de correr ou sequer porque goste de calor (mais de 25º e podem ligar o ar condicionado e trazer o açúcar porque a quebra de tensão vai começar a fazer estragos). Mas por isso tudo, por ser tão difícil... Caraças, e o homem papa-me aquilo. E tirando para uns quantos verdadeiros maníacos das corridas, Carlos Sá era um ilustre desconhecido que hoje é um exemplo de resistência, perseverança e de um sistema de auto refrigeração incluído. 

Isto vai ser uma loucura de ver quem corre e adora a projecção de dizer que corre, ou de poder escrever sobre isso, sobre a garrafinha de agua, os phones, os ténis, os hotéis onde ficam, a zona chique onde correm e moram, os kms que correm diariamente (faço 6,4 km diariamente de manha, e à tarde medidos numa aplicação chamada Carris... Mas alguém tem que ver isso plasmado no facebook? Get a life!), a tinta que levam nas trombas... E tanto trabalho, tanto dinheiro (vá, uns cravam quase tudo desde a roupa aos ténis à estadia) e vai um Carlos Sá arrebatar as luzes da ribalta. 

Próxima vaga de calor: Amareleja prepara-te, vais ser invadida por umas pessoas estranhas- "o meu reality show sou eu próprio". São giras, têm roupas catitas, muito Swarowski, muita alpercata, só comem sushi. Menos mal, assim os touros estão a salvo. 


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