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Do mundo que nos separa





Via-te diariamente. Com atitude firme, distante, tão cheio de si próprio. Sempre indisponível. Com sorriso displicente de quem se sente tão confortável em si mesmo. 

As mãos, com que pegavas no café, com que brincavas distraidamente com a colher, com que acendias de forma dramática o cigarro, com pausas que soavam a descargas eléctricas.


Será que alguma vez me descortinaste na passagem? Reconheceste o meu andar tímido perante a tua presença ou a minha gargalhada mesmo que ao longe? 

Sempre te quis agarrado a mim mas nunca o quis assumir. Era um plano falhado mesmo antes de posto em papel tal o mundo que nos separava. 

E mesmo assim deixei que me consumisses aos poucos. Com desabafos de vida, com confissões de amigos, com ombros que aguentam todos embates, com risos tolos destilados pela madrugada e pelo álcool.

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