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Notas Soltas sobre Relações

Não sou grande teórica neste tema até porque tudo em que toco vira disfuncional mas da observação, pura e simples, do que se passa à minha volta, listei algumas coisas, algumas até aparentemente sem importância, que afectam um relacionamento: 


- passar o fim de semana a limpar a casa porque um dos cônjuges se recusa a ter empregada. Normalmente, ou por não querer ter esse gasto ou por achar que ninguém limpa a casa melhor que ele/ela próprio(a). 

Esta ideia de estar, pelo menos, um dia do fim de semana, mais as tarefas semanais, de volta das lides domesticas é um tumor que mina uma relação. E pode rebentar logo no inicio como ser um argumento de longo prazo. Acreditem, que testemunhei isso em 90% das separações de amigos e conhecidos. Pode não ser "O" motivo mas contribui e muito.


- um dos cônjuges ter um pé torcido, uma dor nas costas ou, sei lá, tonturas, estar carregado com coisas e o outro ignorar, não se oferecendo para ajudar. Prova suprema de egoísmo. Recorrente. 

- um dos cônjuges, ou ambos, permitirem que os pais se intrometam em excesso nas decisões de casal. 

Quer seja porque os pais contribuem financeiramente para a qualidade de vida do casal (do filho/a e, por arrasto do parceiro) e daí não haja vontade de contrariá-los; quer seja porque um, ou ambos, cônjuges não "cortaram" o cordão umbilical com os pais na idade adulta. 
Qualquer que seja a razão, mais tarde ou mais cedo, dá merda. 

- um dos cônjuges ser ignorado em prol do que está a dar na TV, seja bola, um filme, uma série. 

É horrível. É humilhante. Gera instintos assassinos ou, pior, embalamento de frustração. Um dia, estoura.


- um dos cônjuges engordar. Li este mês, não me recordo onde, que 50% dos homens admitiam que se as namoradas engordassem, acabavam a relação. Mesmo aqueles que não acabem, vão eventualmente acabar, sem que antes exerçam pressão psicológica e as façam sentir uma merda. 


- um dos cônjuges ter amigos que explicitamente não gostam do seu parceiro. 

Amigo é amigo e tem que ser ouvido. Mas nem sempre os amigos têm razão. Gostar por não gostar, tratar mal o parceiro e ignorá-lo não é aceitável. Se o cônjuge admite que os amigos o façam sem defender o parceiro está a cavar um fosso. Inultrapassável em certa medida. 


- falta de sexo. 


- ter poucos gostos ou actividades em comum. Ler, cinema, concertos, praia, desporto, missa,  saídas à noite, serem por norma feitos em separado. E não haver esforço para compatibilizar opções. 

- um dos conjuges gostar de dar e receber mimos e presentes, pequenas atenções que demonstrem como o outro é importante, e o parceiro pura e simplesmente não dar qualquer relevância a isso.

É altamente "assassino" porque cria uma ferida grande. Uma pessoa passa numa loja e vê uma caneta, uma t-shirt, uma fatia de bolo que sabe que o seu parceiro vai gostar, oferece com carinho e recebe um "seco" obrigado/a. Pior, o parceiro é avesso/a às mesmas manifestações. Até no aniversário. A pessoa acaba por desistir, contraria a sua natureza de mimo e fica irremediavelmente triste. Um dia, desiste.


- um dos cônjuges ser possessivo e pressionar para que o parceiro esteja centrado na relação a dois, afastando-se de amigos ou actividades com mais pessoas.

- o egoísmo que pauta um ou ambos cônjuges. Big problem. 

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