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Saturday night thoughts



Num blog que sigo, a sua autora auto-analisava-se como intempestiva. Para ela não havia nem cinzento nem morno: ou era preto ou branco, ou frio ou quente. Era uma definição bem pensada e articulada. 

Cada vez menos sou, se alguma vez fui, uma pessoa do centro emocional. Sou de extremos, assumo. 

Um amigo descreveu-me, há uns 2 anos, como "indiferente". Admito que, por norma, sou algo indiferente às coisas e/ou pessoas e/ou situações. É o extremo "ice". Não manifesto grande paixão. É-me indiferente o que as pessoas acham. E tenho uma capacidade (assustadora) de anular entidades vivas do meu universo e de superar (segundo o meu conceito) as coisas más.

Mas o meu lado "fire" já foi mais controlado. Agora, que se lixe. O Ortega y Gasset dizia que nós somos "nós e as circunstâncias". Como nos revelamos face às circunstâncias diz muito, ou tudo, sobre como somos.

Não sou perfeita, longe disso, mas depois de anos a aturar circunstâncias pessoais e profissionais muito lixadas, benza-a-deus, com uma paciência que me consumiu o espírito e as entranhas, passei a estar muito mais disponível para reagir no outro extremo, ao pontapé (metaforicamente, porque não me é permitido literalmente e só por isso). 

Não dou hipóteses a nada ou ninguém. Lixam-me e eu reajo. Mais impulsivamente ou menos, mas reajo. E não peço desculpa. Não que tenha problemas com isso. Nenhum. Peço sinceramente desculpa quando, e sempre, achar necessário. Mas nesta fase, se estouro é porque estou já sem paciência ou para desconsiderações ou ataques de parvoíce alheia. 

Provavelmente, noutras circunstâncias eu, e os outros, teríamos outras respostas. Não obstante, as circunstâncias são o que são.

E se é verdade que me dão estes ataques de reacção assolapada, em que opino, reclamo, me atiro ao ar; regra geral,  mantenho o registo da indiferença. É menos cansativo (admito) e confere menos importância ao tema ou aos envolvidos.

Há circunstâncias na minha vida que não estão resolvidas. Vai ser difícil ultrapassá-las. Eu sei.  Para as outras, taco de baseball (metafórico) ou "sim, sim, coração espera aí que já te atendo". 

Se há uma pessoa que verdadeiramente odeio, há umas quantas com as quais aprendi a não gostar mesmo delas, mas são poucas porque, relativizando, ignoro quem não me mostra ou mostrou o mínimo respeito. Que eu mereço. 

Porque posso ter muitos defeitos, posso ser uma besta quando quero, mas não prejudico ninguém nem me dá prazer pensar em fazê-lo. Ao contrário de tanto quadro de miséria que se vê por aí. 

Elementar, meus caros, mas são as circunstâncias. 


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