"E os blogues?! Estou farto de bloggers!! Qualquer zé-ninguém tem um, e a importância que lhes dão, sem triagem?! (...) Sabes qual é o problema? Pouco rigor!"
A culpa de facto é das marcas que bajulam, aceitam ser manipuladas, muitas vezes ser corneadas, e continuam a inundar indiscriminidamente, os que até fazem um trabalho honesto, esforçado e têm qualficaçoes, e outros que se vendem por mais um creme, por mais uma moda lisboa, por umas galochas, por obras em casa e por puderem publicar um livro. que nao vai dizer nada
Este calor que se abateu com uma força agressiva consome qualquer resistência. O suor clandestino esbate vergonha e combate qual sabre as dúvidas. A noite feita à medida de libertinos cancela as vozes interiores que alertam para mais uma queda dolorosa. A brisa quente atordoa, embriaga no contacto com a pele. O tempo pára, as palavras suspendem entre olhares que sustentam no ar tórrido toda a narrativa; qual pornografia sem mácula, mas plena de pecado. A lua cheia transborda e dá luz à ausência de sanidade que percorre no corpo. Tudo parece possível, uma corrente de liberdade atravessa-nos com o sabor do quente esmagado. E, mesmo assim, pulsa algo mais intenso. Mais derradeiro. Mais dominador. Mais perverso que o toque dos dedos. Mais agressivo que a temperatura irrespirável. O freio da impossibilidade. A intuição luta com o medo e na arena o medo mesmo que picado tem sempre muita força. O medo acossa-nos.
Agora acordo com mensagens que iluminam o telemóvel e em
que dás conta de como pensas em mim antes de dormir. E que o queres partilhar
comigo porque agora sentes saudades minhas. Agora recebo telefonemas sem hora
nem expectativa e a voz é meiga e quente. Não ouço nada do que dizes, as
palavras apenas são ditas mas há muito que já não têm peso ou impacto. Antes foi a indecisão. O jogo dos que não se comprometem,
que querem atalhos facilitados para um espaço confortável de repouso, salvação
emocional momentânea, ilusão de pertença. Egoísta forma de ser que suga o
querer dos outros para se sustentar, para sentir uma rede rápida de carinho e
abraço mas que reclama para si a indisponibilidade de reciprocidade. Para quê?
Se vos é dado grátis um sentimento para que serve o esforço de lutar por ele,
qual o propósito de envolvimento, de estar, dar a mão, partilhar silêncios e
perder a possibilidade de ter mais e mais, melhor, diferente, sempre mais,
outras. Era assim, ante…
Talvez sejam as pequenas coisas. Como uma música que se ouve por acaso e se torna uma descoberta que nos marca um trânsito. Como um gelado fora de horas e com o sabor simplesmente certo de caramelo tal qual na nossa infância. Como aquele instante rápido entre fazer-nos à onda e o mar que nos toma por completo, nos restitui a energia e nos devolve ao mundo.
Terão que ser as pequenas coisas. A partir delas, tudo se enreda e o equilibro pesa para o complicado. Sinuosos os caminhos para que nos encontremos. Doloroso o andamento que faz que nos afastemos mais do que estejamos próximos mesmo quando tudo aponta para que haja uma cumplicidade e uma ligação súbita mas forte e consistente.
O toque é denunciador. Desmantela as forças e faz sucumbir com tamanho ardor. O beijo que transporta silêncio, paz, meta. O abraço que acolhe uma gargalhada e o estranho sentido de que tudo está bem.
São estas pequenas coisas. Que são fáceis e leves e perenes. Tão frágeis. Acabam tão depressa. Nada há-de ser …
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