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Promiscuidades

Adoro revistas.

E leio quase tudo, excepto aquelas tipo TV 7 Dias e outras que só vivem das novelas e dos reality shows. E as de carros. E as de Fitness. E as de Puericultura. E a Burda. Já se percebeu, certo?

Admito que gosto muito das revistas de cusquice, as del corazón. E respeito quem lá trabalha. Mas há limites. 

Lux e Caras, na mesma semana, abrem com a história de amor dos recém casados Lourenço e Sarah Tamagnini. Os quais, por casualidade, têm uma empresa de eventos, a Gloss. 

A sério, acham mesmo que a malta não percebe que a Gloss/os Tamagnini comprou / compraram espaço para aparecerem? Mesmo a tempo de ainda organizarem jantares e festas de Natal, nas empresas que ainda o possam fazer? Ou é só pelos olhos verdes do Lourenço, uhm?

Claro, não deve dinheiro envolvido. Permutas. Como é óbvio. 

Mas na mesma semana? Ou uma das entrevistas foi chutada para canto por causa de um tema melhor, há umas edições, ou a Gloss faz mal o seu trabalho. Não abona!

E as revistas sujeitam-se a este mau aspecto. Dá cá uma bela imagem da ética deontológica.

Convenhamos, para bem do casalinho, eles não são o organista Duarte Lima, não andaram a matar velhinhas, não há justificação para atenção mediática simultânea.

Como diria o Caco Antibes, "tenho horror a pobre" (de espírito).

Comentários

Mary disse…
Promiscuidades na imprensa?! Nuncaaaaaaaa! Que calúnia.
Mary disse…
E convém não esquecer os seres que vivem à custa da imprensa cor-de-rosa: os que casam patrocinados por determinada revista para não pagarem coisíssima nenhuma, que vão de lua-de-mel à custa de outra para viajarem à borla, que estão todos os anos caídos na feijoada da Caras, na viagem à neve da Seat e a "abrirem as portas de sua casa" para viverem totalmente à conta. E que até têm as criancinhas no hospital X para não pagarem Y e elas fazerem desde logo parte do sistema.

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