Avançar para o conteúdo principal

"Estão cá todos os que me amam" (in Nine, Guido Contini)

Fui ver o Nine. Daniel Day Lewis, lá estou eu, claro!

Contrariamente às demais criticas, eu gostei

Prova que o grande problema dos homens são demasiadas mulheres à sua volta. Guido (o realizador em crise) tem esse drama. Não é 1 comentário machista (gajas, baixem os machados!), é uma constatação. É muito complicado para um homem gerir tantos cosmos quando o seu universo é muito mais linear.
Curioso que existam ainda tantos homens que acham que viver saltitando de mulher em mulher, num processo de "let's bang", mentindo, manipulando, criando falsas ilusões, é algo fácil. São gajos que na verdade não gostam assim tanto de mulheres porque não as sabem apreciar, apenas as querem comer. Mas mesmo assim, deve ser uma canseira viver em prol de algo que não se percebe.
Guido Contini é diferente. Tem de facto um problema e custa-lhe a perceber. Entendo a sua necessidade de um café e um cigarro e nem sequer sou eu que tenho que lidar com a questão existencial de ser um gajo no meio de tantas mulheres.
O Tiger Woods aprendeu isso, à bruta, com USD 290 milhões a menos na conta bancária. Lamentamos, é chato perder metade da fortuna, mas hellas o karma é uma chatice.
No caso de Guido, entre uma voluptuosa com "ar de cama" Penelope Cruz, uma fashionable liberal Kate Hudson até apetecivel, uma pouco brilhante e apagadita Nicole "Botox" Kidman, e uma Sofia Louren que só pode viver numa câmara de oxigenio em permanência, emerge uma Marion Cotillard brilhante, na sua beleza tranquila, sofredora mas cheia de classe, uma mulher a quem parecem ter oferecido todas as infâmias sob o discurso "Amo-te". Como se perdoar se resumisse a uma palavra.
E a sua Luisa Contini é o expoente da incompreensão dos homens perante a capacidade de amar de uma mulher, sem ser lamechas ou chata ou lapa; a cena em que ela tenta explicar como se destroi a ilusao de que se é especial para alguém (neste caso, o marido), é de uma beleza tremenda para lá das lágrimas e uma lição.
Apesar de tudo, Guido Contini é uma personagem impressionante. É um quadro em movimento de como quando a vida está em caos, se está perdido, vazio de inspiração, triste de conteúdo, e mesmo assim se vai aguentando, se pode sorrir e fingir que se leva a vida com segurança. Mente-se a quem rodeia, dissimula-se, escondem-se e fecham-se as palavras, as dores e o desarrumo no interior de cada um.
Pede-se ajuda, ninguem entende. Foge-se e aparecem "(... ) todos os que [nos] amam", obrigando a que se ande pra' frente porque pause-still não é opção quando o filme está a decorrer. Mesmo quando parecemos "nervosos" e é evidente "que não queremos acordar no dia seguinte".
Isto é o Guido. Ou outro qualquer. Ou eu. Alguém que "quer mais, [então] para quê contentar-se com menos?"
Mas como alguém diz no filme, "não se pode deixar de ser quem é."
Resumo: gostei muito do serão: filme e companhia foram os factores criticos de sucesso para tal!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Da alegria

Gosto desses olhos que se iluminam e que pausam em mim como se nada mais existisse naquele longo momento. Esse olhar decidido, seguro, revelador de um modo de estar ciente do que se quer e descomplicado.
Fazes-me rir. Como se o mundo fosse fácil. Como se salvar-me das trevas não fosse uma missão mas sim manter-me saciada, livre, às gargalhadas, serena e em silencio, a ler com as pernas esticadas sobre ti.

Gosto das madrugadas de surf, mesmo ao frio. Dos beijos salgados e daquele teu cheiro misturado com água gelada. O cheiro que ainda hoje me faz ficar apreensiva, receosa, quando acordo a meio da noite e te ouço a respirar devagarinho e aquele cheiro está encostado a mim. E como aquele cheiro me apareceu e inundou de alegria.

A importância de se chamar Candidato

Numa altura em que as empresas recorrem cada vez mais às redes sociais para procurar candidatos a postos de trabalho (89%) e que 65% por cento é bem-sucedida, conseguindo contratações satisfatórias (Fonte: PR Comunicácion) convinha que as empresas de recrutamento e de executive search pensassem um bocadinho mais sobre o seu modus operandi.


Falo por experiência, por conhecimento e por não ter conseguido efectivar mudanças. 

O headhunter da velha guarda, armado em doutrina maquiavélica, que nunca leu, perspectiva o candidato como um meio para atingir um fim: facturar.  O candidato só serve enquanto servir os interesses do projecto. A satisfação do cliente é posta à frente de tudo e todos. Esta sobranceira linha de raciocínio,  a frio, tem alguma razão de ser. Quem paga as contas são os clientes. Como metodologia, é um erro crasso.
Num mercado concorrencial, um factor claramente diferenciador é a relação que se estabelece entre um consultor e os seus candidatos, pelo menos com aqueles que a…

I shine

Kiss me before you break my heart. There is still room to be damaged for every breath I take on myself and for myself. I regain confidence on me on every touch of you, even those that will be lost. 
The shivers running down on my spine awaken me and allow me to make you feel stronger, bolder, in love with life. 
I expand my senses while you will torn my world apart. We are under the same sky but I am meant to be a trail of light rather than a guiding star. 
I will burn your soul and you will break my heart. Yet I shine. So, kiss me and let's pretend.