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Blogosfera vs. vida real-

Tem havido alguma celeuma, na blogosfera, sobre comentários pautados pela crueldade ou pura estupidez em estado avançado. 

Há, de facto, comentários muito idiotas, maldosos e que são fruto de ataques pessoais. É bem verdade. E os autores dos blogs, por muito que se exponham (a si e a terceiros, que nem têm culpa nenhuma, nem modo de se defender), não têm que aturar a falta de educação e as ofensas. Uma coisa é discordar, outra coisa é insultar. 

Podemos impedir comentários anónimos, accionar monitorização de comentários ou apagá-los depois de publicados. Mas mesmo impedindo, monitorizando ou apagando, a pessoa lê e tem o direito de ficar chateada com  o teor e "tom" de coisas que são escritas. É legitimo. Há ainda a hipótese de não permitir comentários, ponto, e o blog passa a ser um monólogo. Imagino que para alguns (a grande maioria) a parte divertida de ter o blog é a interacção com outros, conhecidos e desconhecidos; para muitos, sobretudo os que mais se queixam, essa questão não se põe, porque dos blogs unilaterais não reza a história em termos de notoriedade e projecção. 

Não obstante, continua a não ser admissível o baixo nível das considerações que se deixam por essa blogosfera fora. De facto, não. O anonimato e a fronteira do ecrã são uma ajuda, é uma verdade. E quem é alvo destas situações deve queixar-se, pois com certeza. 

Mas não nos iludamos. As más intenções, a filha da putice, a violência verbal, a agressão abusiva não é um exclusivo do digital. No trânsito, no trabalho, nas relações familiares, quantas vezes não assistimos pessoas a serem "destratadas" de forma infame e humilhante e não fizemos nada, ignorámos ou minimizámos? Fingimos não perceber, sem intervir?

Espero que esta onda de choque pela descoberta de mesquinhez existente nas pessoas, com ondas de solidariedade pela blogosfera com comentários em catadupa de "encher chouriços" (desculpem mas é verdade, dizer "pois é tens razão, as pessoas são mesmo más e dementes", 400 vezes???, haja paciência), se traduza em estarmos todos mais atentos ao que se passa no dia a dia fora do monitor do computador. 

Metade dessa preocupação (que não deixará de ser merecida, certamente), já podia ajudar algumas pessoas em momentos complicados. 

Digo eu. 

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Do acosso

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Terão que ser as pequenas coisas. A partir delas, tudo se enreda e o equilibro pesa para o complicado. Sinuosos os caminhos para que nos encontremos. Doloroso o andamento que faz que nos afastemos mais do que estejamos próximos mesmo quando tudo aponta para que haja uma cumplicidade e uma ligação súbita mas forte e consistente.
O toque é denunciador. Desmantela as forças e faz sucumbir com tamanho ardor. O beijo que transporta silêncio, paz, meta. O abraço que acolhe uma gargalhada e o estranho sentido de que tudo está bem.
São estas pequenas coisas. Que são fáceis e leves e perenes. Tão frágeis. Acabam tão depressa. Nada há-de ser …