Avançar para o conteúdo principal

Metáforas

Imagine-se uma mulher que quer casar. Sempre sonhou em vestir o modelito branco e ter o dia de princesa (Walt Disney e os divãs de psicólogos, toda uma relação). Sempre.

E o dia vai sendo adiado. Falham namoros. Moços que resistem ao enlace. Há amor mas falta dinheiro para a boda (ai, esta palavra!) e para o after party, há vontade mas um dos noivos está desempregado, ou há doença na familia, ou ou ou...

Pelo meio as amigas todas vão casando. As que queriam, as que nem pensavam nisso mas um dia mordeu-lhes o bicho do socialmente esperado. As que não tinham tusto mas desencantam uma avó aforradora que assegura um casamento simples mas honrado. As solteiras convictas que se revelam fiscalmente pragmáticas. As já quarentonas desistentes que inesperadamente são assomadas pelo principe encantado e dizem "Sim, aceito" quando ninguém na familia acreditava ser possivel. As bem sucedidas em tudo o que fazem que num simples pestanejar de olhos, com a sua irrepreensivel mascara de efeito intenso, arrancam um pedido e um anel Tiffany's em três tempos, ao mais giro, bem vestido, galante e apaixonado condutor de um Range Rover azul escuro.

Imagine-se a pessoa cuja vontade de uma vida, criticável ou não, irrelevante para a questão, é casar, e assistir ano após ano à bliss matrimonial das amigas, quiçá ser dama de honor?

É fodido, não? É muito mau uma pessoa chegar a um ponto e sentir-se irrelevante no universo?

E se pensarmos numa mulher que queira muito ter um filho, passar anos a tentar, fazer testes e mais testes, submeter-se a tratamentos fisica e emocionalmente desgastantes; e ter que conviver com amigas, vizinhas, familiares que com maior ou menor apetência, interesse, dificuldade, disponibilidade vão engravidando?

Não haverá(ão) momento(s) de profunda dor?

É dificil compreender?

Comentários

Unknown disse…
Tens aqui o caso de uma mulher que quis muito ter filhos, passou anos a tentar, submeteu-se a tudo e mais alguma coisa, conviveu com amigas, vizinhas, irmãos, irmãs, primas, familiares, tudo a engravidar (quando queriam e não queriam)e que, no final, conseguiu realizar esse sonho.
Sabes que mais? Os meus filhos, mesmo não tendo nascido da minha barriga, não podiam ser mais meus filhos do que são!
Acredita que até são parecidos fisicamente connosco, os seus verdadeiros PAIS!
Claro que não difícil compreender essa profunda dor, mas para tudo há uma solução!
Se perguntares se valeu a pena, é óbvio que valeu a pena! Todos os segundos de incerteza, de angústia, de tristeza, a dificuldade de todo o processo, de nada me arrependo, tudo, mas mesmo tudo, valeu a pena!
Mónica disse…
Concordo a 1000% contigo, floripes. Conheces a minha posição no tema. Amor incondicional no matter what. Era mm uma metafora. Mas sim ha modos de superar a dor encontrando caminhos

Mensagens populares deste blogue

Devo ser a unica mulher

Que gosta do Mr. Big. Pois que gosto.  Enquanto a Carrie era uma tonta sempre à procura de validação e de "sinais", a complicar, a remoer, ser gaja portanto, o Mr. BIG imperfeito as may be era divertido, charmoso, sedutor, seguro (o possível dentro do género dos homens, claro), pragmático.  E sempre adorou aquela tresloucada acompanhada de outras gajas ainda mais gajas e mais loucas.  Fugiu no dia do casamento? Pois foi. Mas casaram, não casaram? Deu-lhe o closet e um diamante negro.  Eu gosto mesmo muito do Mr. BIG. Alguma vez o panhonhas classe media do Steve? Ou o careca judeu que andava nu em casa? Por Sta. Prada, naooooooooo! 

não consigo explicar ...

Mas parte do problema, é qualquer coisa dentro disto. É a ausência do que não se vê, do que não se consegue descrever,  uma espécie de força sem traço definido, sem matéria palpável, sem sinónimo no dicionário, sem cor no arco iris, um silêncio que eu ouço de modo único, uma mão que não nos deixa cair sem que a sintamos...  Compreendo que menosprezem, para minha protecção.  Compreendo que eu não seja compreensivel. Mas é forte. Sente-se. Rasga. 

Os lambe-cus (MEC)

Os Lambe Cus, by Miguel Esteves Cardoso   "Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele. Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá- los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia. Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço». Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alun...