Avançar para o conteúdo principal

Muito frente ou a história do costume

Há coisas na vidinha de cada um que a cada um diz respeito, seja famoso, conhecido, vagamente destacável na praça publica ou abençoadamente anónimo.

O caso da filha da Adelaide Ferreira choca-me não pela gravidez e pelo aborto, ainda que ilegal em terras de Vera Cruz (nem quero pensar que tenha sido opção ser lá vs. legal cá para fugir ao escândalo) mas pelo o quadro de misérias de parentalidade.

Uma miúda de 15 anos namora com um jovem adulto de 21 com quem, aparentemente, partilhava águas quentes e frias em Lisboa, e com quem foi de férias para o Brasil, para casa dos "sogros", desde Setembro.

Oi?

E a escola? E viver como se tivesse 15 anos? E os pais? E serem pais?

Já sei, não sou mãe, não tenho legitimidade.

Comentários

Mary disse…
Li a história há pouco e estava precisamente a escrever sobre este assunto... sendo que mal me saem as palavras, de tão estupefacta que estou. Como tu, não estou chocada com a gravidez ou com o aborto, mas sim com esta COISA que diz ser Mãe da rapariga. E que não só se alienou COMPLETAMENTE do seu papel de Mãe, como pôs a vida da filha em risco de forma consciente. Para depois vir dizer que foi ao Brasil "salvar a filha"?!

Realmente, dar à luz NADA tem a ver com ser Mãe.

Mensagens populares deste blogue

Do arrebatamento

O vestido caiu facilmente. Estava apenas preso pelas alças nos ombros magros e deslizou com vontade declarada pelo corpo, até ao chão, enquanto ela acendia uma única luz de presença.

Beijou-lhe o ventre. Sentiu-o a tremer. Antecipação. Expectativa. Sentia-lhe o calor sem sequer tocar. Era como uma fonte inesgotável de desejo prestes a desmoronar-se com um toque. Os dedos enfiaram-se entre a pele e a linha das cuecas de renda fazendo-as sair com mestria. Estava liberta, da máscara de tecidos, não das demais camadas de protecção. Tal não a impedia de arfar baixinho e com satisfação sob um rosto que perdia vergonha a cada caída da cabeça para trás.


Nua, encostada à parede fria, costas arqueadas, totalmente exposta viu-a a desmontar-se com cuidado ao primeiro beijo que se colou à boca como dali não houvera saída. Era intenso, forte, penetrante o modo como ela o arrastava para si com a língua e uma perna em torno da cintura.


Todo aquele momento era primário, selvagem, sem travões ainda que, e…

Das razões

Quero-te pela desarrumação incompreensível que somos. Quero-te pela forma como me procuras à noite na cama, ainda a dormir, de modo instintivo, apenas para te recostares do mundo e amaciares no meu calor. Quero-te (tanto) quando sais do mar, feliz e salgado, qual criança livre agarrado à prancha como se fosse o teu bem mais precioso, a tua melhor amiga, a porta para o teu refúgio. Quero-te pelos beijos inesperados, lentos, que invadem qual descarga eléctrica, e afirmam sem hesitações desejo e amor. Quero-te pela forma como te afundas num livro e tudo à volta entra em pause-still e, mesmo assim, de repente tocas-me no joelho, no cabelo, dás-me a mão. Quero-te porque sei que acreditas em mim e não me questionas, crês que posso mudar o mundo. Quero-te pela tesão, confiança, cumplicidade e pelas saudades que temos, ainda, sempre, um do outro. Quero-te por te rires quando começo a cantar músicas que gosto e ouço a tocar, esteja onde esteja. Quero-te por dançarmos na rua se preciso entre ga…

Dos maldiitos

via boudoir photography

Agora acordo com mensagens que iluminam o telemóvel e em que dás conta de como pensas em mim antes de dormir. E que o queres partilhar comigo porque agora sentes saudades minhas. Agora recebo telefonemas sem hora nem expectativa e a voz é meiga e quente. Não ouço nada do que dizes, as palavras apenas são ditas mas há muito que já não têm peso ou impacto.
Antes foi a indecisão. O jogo dos que não se comprometem, que querem atalhos facilitados para um espaço confortável de repouso, salvação emocional momentânea, ilusão de pertença. Egoísta forma de ser que suga o querer dos outros para se sustentar, para sentir uma rede rápida de carinho e abraço mas que reclama para si a indisponibilidade de reciprocidade. Para quê? Se vos é dado grátis um sentimento para que serve o esforço de lutar por ele, qual o propósito de envolvimento, de estar, dar a mão, partilhar silêncios e perder a possibilidade de ter mais e mais, melhor, diferente, sempre mais, outras.
Era assim, ante…