quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

vai-se andando

Vinha decidida em escrever um texto inflamado, decepcionado e contestário ao status quo.

Aquela espécie de coisa que lidera o PS apoiar como candidato à CM de Cascais o João Cordeiro, o Padrinho da ANF, tirou-me do sério. É esta a oposição que se tem ao actual governo (desnorteado, enredado em teias de interesses, irresponsável e  incapaz de distinguir um boi de uma girafa)? Uma oposição titubeante, impreparada e demasiadamente comprometida com outros caciques? A credibilidade, baixissima, passou a nula. Seguro não vale nada. E nós precisamos de valências, não de mais idiotas armados a brincar aos chefes, algo que lhes devem ter ensinado nas jotas mas cuja aprendizagem é má porque fica só pelo tom de quarto de brincadeiras. Precisamos de pessoas adultas. E sérias. Já bastam as que estão no governo actual.

Podia também opinar sobre os regulamentos internos da Assembleia da Republica que advogam que “a palavra do deputado faz fé, não carecendo por isso de comprovativos adicionais”. Isto porque a deputada apanhada bêbada a conduzir (ou seja, num acto criminoso), infracção pela qual poderá não ter que responder se invocar imunidade (não sei se o fará, mas já é mau poder fazê-lo num caso desta natureza: conduzir já zombie com uma taxa altíssima não deveria ter ónus de desculpabilização por se ser deputado, jamais), nos dias seguintes à detenção faltou ao seu trabalho (que nós pagamos à mula) alegadamente por estar doente (assumamos que o alcoolismo é doença e então a senhora precisa de reabilitação) e não tem que apresentar justificação porque a AR não o exige.

Qualquer empresa no sector privado exige ou atestado médico ou baixa para justificação de faltas. Na AR basta a palavra de um deputado... OI? Sabemos bem que são pessoas com uma verticalidade à prova de bala. Certamente que haverá alguns honestos, mas a maioria já sabemos que tem muitos problemas com a seriedade, com a pontualidade e com a assiduidade. A senhora com vergonha não deve estar para ir umas horas por dia ao parlamento (vergonha é algo que rareia também) mas devia sentir-se incomodada com o acosso dos media nos dias subsequentes à sua gloriosa condução embriagada e para escapar-se a isso, vá de dizer que estava doente.

Ora, doentes estão os serviços da AR que aceitam que ressaca é igual a doença apenas porque uma deputada o diz.

E eu podia continuar. A verdade é que se está tudo a cagar pra' cena. O país está submerso pelo medo e pela tristeza, que já de si nos é caracteristica, mas de forma não tão expressa, e não reage. Nem pela positiva nem para partir coisas. Estamos num "big denial moment" colectivo. 

Enquanto isso ontem o vento era tanto, que levei com a porta traseira do carro na perna de tal maneira que tenho uma mega nódoa negra. Estou farta de dizer palavrões e estou de mau humor.

Vai assim a vidinha.  




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