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O Zé Pedro

O José Pedro é o meu sobrinho Pedro que unilateralmente decidiu auto-chamar-se José.

Tem quase 2 anos. É pançudinho e atento. Conta até 20 na boa. Adora limpar coisas (tem 1 kit de limpeza em miniatura e tudo) e quando sorri, maroto, esmaga-me. 

O seu passatempo predilecto é abrir e fechar portas ou, como bom gajo que vai ser, falar ao telefone e usar o comando.

Come 2 iogurtes com uma facilidade que dá gosto contemplar. Senta-se muito bem comportado à mesa que é um brio.

Apetece apertá-lo e dar mimos sem fim (os pais não deixam mimar, raios), protegendo-o do frio e do excessivo calor que faz lá fora, no mundo. Vê-lo dormir tranquilo, com as suas mãos de ainda bebé, rechonchudas e quentes, ao lado do rosto meio asiático, provoca ondas de bem-estar. Como se tudo fizesse sentido mas nada interessasse.

À palavra "Benfica", responde "Viva", diz "não, não" ao Sporting e do FCP apenas comenta com uma palavra tipo meliante. Não tem ainda 2 anos!  Mas já canta musicas do Benfica, termina as frases dos livros cujas histórias quer devorar e diz coisas  como "Antárctida" ou "guaxinim". 

Sabe, com a segurança de quem é muito amado, que ele é o "fofo" do pai e da mãe. E que o Rui Costa é o nosso imortal número 10.

Como não amar uma criança que tem um universo tão rico? Que diz "cu cu Nuno!" à primeira? Que dá turras à tia Mónica que me levam à lagrimita? Que se aninha no colo da mãe? Que se atira para os braços do pai? 

Sempre tão firme nas suas pernas ainda a ganharem quilómetros?  

Comentários

Anónimo disse…
Obrigada por existires tia Mónica! O universo dele não seria tão rico sem ti! Beijinhos. Rita

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Do acosso

Este calor que se abateu com uma força agressiva consome qualquer resistência. O suor clandestino esbate vergonha e combate qual sabre as dúvidas. 
A noite feita à medida de libertinos cancela as vozes interiores que alertam para mais uma queda dolorosa. A brisa quente atordoa, embriaga no contacto com a pele. O tempo pára, as palavras suspendem entre olhares que sustentam no ar tórrido toda a narrativa; qual pornografia sem mácula, mas plena de pecado. A lua cheia transborda e dá luz à ausência de sanidade que percorre no corpo. Tudo parece possível, uma corrente de liberdade atravessa-nos com o sabor do quente esmagado.
E, mesmo assim, pulsa algo mais intenso. Mais derradeiro. Mais dominador. Mais perverso que o toque dos dedos. Mais agressivo que a temperatura irrespirável. O freio da impossibilidade. 
A intuição luta com o medo e na arena o medo mesmo que picado tem sempre muita força. O medo acossa-nos.

Dos maldiitos

via boudoir photography

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Antes foi a indecisão. O jogo dos que não se comprometem, que querem atalhos facilitados para um espaço confortável de repouso, salvação emocional momentânea, ilusão de pertença. Egoísta forma de ser que suga o querer dos outros para se sustentar, para sentir uma rede rápida de carinho e abraço mas que reclama para si a indisponibilidade de reciprocidade. Para quê? Se vos é dado grátis um sentimento para que serve o esforço de lutar por ele, qual o propósito de envolvimento, de estar, dar a mão, partilhar silêncios e perder a possibilidade de ter mais e mais, melhor, diferente, sempre mais, outras.
Era assim, ante…

Das pequenas coisas

Talvez sejam as pequenas coisas. Como uma música que se ouve por acaso e se torna uma descoberta que nos marca um trânsito. Como um gelado fora de horas e com o sabor simplesmente certo de caramelo tal qual na nossa infância. Como aquele instante rápido entre fazer-nos à onda e o mar que nos toma por completo, nos restitui a energia e nos devolve ao mundo.
Terão que ser as pequenas coisas. A partir delas, tudo se enreda e o equilibro pesa para o complicado. Sinuosos os caminhos para que nos encontremos. Doloroso o andamento que faz que nos afastemos mais do que estejamos próximos mesmo quando tudo aponta para que haja uma cumplicidade e uma ligação súbita mas forte e consistente.
O toque é denunciador. Desmantela as forças e faz sucumbir com tamanho ardor. O beijo que transporta silêncio, paz, meta. O abraço que acolhe uma gargalhada e o estranho sentido de que tudo está bem.
São estas pequenas coisas. Que são fáceis e leves e perenes. Tão frágeis. Acabam tão depressa. Nada há-de ser …