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Como se parte um coração

O cheiro a mar sente-se ainda nem se saiu do carro. A brisa passou a ser diferente. As cores mudam. Ouve-se já perto o barulho das ondas numa suave cadencia de embalar, o eco próprio da praia, com sons que se misturam e fazem adivinhar o panorama antes de o sequer ver. 


A areia começa a escaldar. As havaianas seguem em flip flap pela passadeira de madeira, cesto de vime numa mão, livro noutra, óculos de sol que escondem o sono e a vontade de deixar cair tudo e correr para a água. 


Há um aroma mental a gelado que se confunde com o real, a cremes protectores. 


Aluga-se o chapéu, 2 cadeiras, estendem-se as toalhas. Sai a t-shirt, a saia de ganga, compõe se o bikini para não sair carne de onde não deve. Elástico a condizer com o relógio, que combina com as chinelas, o chapéu e o boné, prende o cabelo num rabo de cavalo. Bâton protector e começa a descida para o fresco junto do mar. Na barriga, um frio de ansiedade, uma vontade incontrolável de rir, de saltar de alegria, de chorar. 


Inspecção anti-algas cumprida, o sal toca-lhe por fim. A sombra reflecte se no azul esverdeado. Está amena ou gelada? Não interessa. Acelera o passo, o corpo é salpicado, enquanto se afasta das demais pessoas. 


E no momento exacto em que o coração dispara acelerado, com a ansiedade de um adicto em ressaca, e as memórias de todos os Verões da história, mergulha. Abre os olhos ainda submersa e nada até mais à frente. Eléctrica com a emoção, vem acima, fura uma onda, deixa-se ir no seu movimento sensual e queda-se, em seguida, a boiar, com a cara a queimar, a respiração ofegante. Quase adormece. Está feliz! 

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