A Sábado desta semana (nº 383) traz um artigo sobre alegados conflitos de interesses de deputados e suas actividades paralelas. Sim, porque ser deputado deve ser coisa fácil, faz-se de perna às costas e então muitos deles assumem outras funções.
A revista menciona casos concretos:
- José Lello, membro da Comissão de Defesa Nacional e membro do Conselho Consultivo da CapGemini, consultora que tem projectos na área da defesa.
- António Leitão Amaro, membro da Comissão do Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local e, em simultâneo, membro da Administração da Construtora do Caramulo (accionista com 14%) e, ainda, detém capital da Arbogest (recolha, transporte e comercialização de resíduos).
- Hortense Martins, na Comissão de Economia e Obras Públicas mas também accionista na Martinurb, urbanismo e imobiliário, e Gerente da Investel (investimentos hoteleiros).
- João Rebelo, VP da Comissão de Defesa e Consultor da Novabase (que tem 21 contratos firmados com ou Ministério de Defesa Nacional ou com os 3 ramos das FA, desde 2008, em regime de ajuste directo).
- José Mota Andrade, Comissão Ordenamento do Território e Poder Local, accionista em 50% das empresas Construções Rua Nova e Predial Rua Nova.
- Altino Bessa, também na Comissão Ordenamento do Território e Poder Local, e também accionista em 50% numa empresa ligada a componentes de madeira (Novel-Basto).
Discurso comum a todos: nada de errado. Nadinha....
Dado que é assumido, e fica provado, que os deputados são isentos, na sua maioria, de um sistema de auto-regulação, auto-escrutínio e de vergonha na cara, deveria ser da competência de outrem decidir se há ou não conflito de interesses. Ou melhor, PROIBIR nas comissões deputados que tenham nem que seja 1% de participação em empresas cujo o objecto, ou parte das actividades, sejam contempladas pelas ditas comissões. É sócio numa empresa de madeiras? Que vá para a comissão da saúde se tiver valências para estar em comissão. A Ministra da Agricultura não percebe nada de horta e não deixou de ser nomeada, certo?
É como as crianças, tem que existir controlo parental porque esta "gente" é desprovida de carácter e facilmente seduzida pelos caminhos insondáveis das proximidades estranhas, a roçar o atentatório.
Curioso como todos se tentam escapulir ao incómodo como se fossem cônjuges traidores. Não, seria errado se não fosse tudo absolutamente transparente. Pois sim, isso é o que dizem os maridos quando são apanhados pela desconfiança de terem tantas reuniões e jantares com a colega boazona do escritório... "Achas, 'mori, se fosse para ter uma amante andava com ela assim para todo o lado?".
Há dias em que, não é vergonha, mas sinto repulsa pelo modus vivendi lusitanus. Porque me arrepia ler a reportagem, saber que os casos se multiplicam para lá dos mencionados, e nada vai mudar, ninguém se vai insurgir e tudo vai continuar nesta suave, fétida, forma de vida.
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