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Passadouro de mágoa


Estavas tão triste naquele dia. Como uma mágoa que arrepia e esfaqueia por não deixares que eu compreenda. Dor que esmaga por saber-te retida nessa amargura com que alguém te marcara, por te saber perdida pelo lado errado da estrada, por te saber alienada da minha presença que passa por ti ao levezinho, sem dominar, sem clamar por atenção, apenas vagueia por perto sem que te apercebas da minha frágil luz.

Ontem imaginei-te de outro modo, numa história paralela, sem essa aura, como se fosses banal, apagado, vulgar. E odiei-te por continuar a sentir o mesmo, odiei-te por não seres minha, odiei-te por te teres cruzado na minha diáspora sem sobressaltos e por teres abalado a esfera que me suporta. Odiei-te por que não me queres. 

Desencantei-me comigo mesmo porque tu emergiste entre as minhas convicções e porque vieste dar força às minhas crenças indissolúveis ao não estares disposta a levar-me a abandoná-las.

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