Avançar para o conteúdo principal

A 4ª Mentira

Há muitos anos, quando saiu em Portugal a tradução do Story of my Life do escritor americano Jay McInerney, mais ou menos em 1989 ou 1990 (há mesmo muitos anos), houve uma passagem que fixei e que nunca mais esqueci (mesmo tendo ou 13 ou 14 anos, mas isso agora não interessa nada).

A protagonista, Alison Poole, que vivia no limbo entre a coca, sexo e o ritmo alucinante de quem tem 20 anos e é abastado em Mannathan, proferia a certa altura, uma declaração  tremenda sobre as três grandes mentiras do Mundo, a saber:

1. O cheque está no correio.
2. Prometo que não me venho na tua boca.
3. Amo-te.

Alison estava segura que poderia provar que todas eram mentira. BIG FAT LIE.

23 anos depois, e no meu modesto cantinho da blogosfera, tenho a pretensão de se aclamar a 4ª mentira. 

O mito social de que os "gordinhos", "fortes", "anafados", "cheinhos" são pessoas mais bem dispostas e divertidas, é falso. Mentira! Mentira! Mentira! A vida é uma merda. E não tem graça alguma quando se é gordo. É de querer desaparecer.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Do arrebatamento

O vestido caiu facilmente. Estava apenas preso pelas alças nos ombros magros e deslizou com vontade declarada pelo corpo, até ao chão, enquanto ela acendia uma única luz de presença.

Beijou-lhe o ventre. Sentiu-o a tremer. Antecipação. Expectativa. Sentia-lhe o calor sem sequer tocar. Era como uma fonte inesgotável de desejo prestes a desmoronar-se com um toque. Os dedos enfiaram-se entre a pele e a linha das cuecas de renda fazendo-as sair com mestria. Estava liberta, da máscara de tecidos, não das demais camadas de protecção. Tal não a impedia de arfar baixinho e com satisfação sob um rosto que perdia vergonha a cada caída da cabeça para trás.


Nua, encostada à parede fria, costas arqueadas, totalmente exposta viu-a a desmontar-se com cuidado ao primeiro beijo que se colou à boca como dali não houvera saída. Era intenso, forte, penetrante o modo como ela o arrastava para si com a língua e uma perna em torno da cintura.


Todo aquele momento era primário, selvagem, sem travões ainda que, e…

Dos maldiitos

via boudoir photography

Agora acordo com mensagens que iluminam o telemóvel e em que dás conta de como pensas em mim antes de dormir. E que o queres partilhar comigo porque agora sentes saudades minhas. Agora recebo telefonemas sem hora nem expectativa e a voz é meiga e quente. Não ouço nada do que dizes, as palavras apenas são ditas mas há muito que já não têm peso ou impacto.
Antes foi a indecisão. O jogo dos que não se comprometem, que querem atalhos facilitados para um espaço confortável de repouso, salvação emocional momentânea, ilusão de pertença. Egoísta forma de ser que suga o querer dos outros para se sustentar, para sentir uma rede rápida de carinho e abraço mas que reclama para si a indisponibilidade de reciprocidade. Para quê? Se vos é dado grátis um sentimento para que serve o esforço de lutar por ele, qual o propósito de envolvimento, de estar, dar a mão, partilhar silêncios e perder a possibilidade de ter mais e mais, melhor, diferente, sempre mais, outras.
Era assim, ante…

Das razões

Quero-te pela desarrumação incompreensível que somos. Quero-te pela forma como me procuras à noite na cama, ainda a dormir, de modo instintivo, apenas para te recostares do mundo e amaciares no meu calor. Quero-te (tanto) quando sais do mar, feliz e salgado, qual criança livre agarrado à prancha como se fosse o teu bem mais precioso, a tua melhor amiga, a porta para o teu refúgio. Quero-te pelos beijos inesperados, lentos, que invadem qual descarga eléctrica, e afirmam sem hesitações desejo e amor. Quero-te pela forma como te afundas num livro e tudo à volta entra em pause-still e, mesmo assim, de repente tocas-me no joelho, no cabelo, dás-me a mão. Quero-te porque sei que acreditas em mim e não me questionas, crês que posso mudar o mundo. Quero-te pela tesão, confiança, cumplicidade e pelas saudades que temos, ainda, sempre, um do outro. Quero-te por te rires quando começo a cantar músicas que gosto e ouço a tocar, esteja onde esteja. Quero-te por dançarmos na rua se preciso entre ga…